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Yoga: estudo da consciência

Yoga: estudo da consciência

Artigo de Alan Goode[1][2]

Tradução: Marcia Neves Pinto

Considere por um momento a questão do exercício. O que é exercício e porque o Hatha Yoga não é classificado como exercício? E por que os professores de yoga parecem ofendidos com a mera associação?

O exercício está descrito no dicionário como o uso e o esforço dos músculos e articulações para alcançar a saúde. No Hatha Yoga, entretanto, os exercícios com o corpo geralmente são vistos como um subproduto e não como um fim em si mesmo — quase uma distração para a tarefa.

O período do yoga clássico (período de Patañjali) considera a ênfase nas posturas corporais como um precursor insignificante para o trabalho sério, sendo a definição: “Yoga é a cessação das flutuações da consciência.” (Yoga Sutras I.2). O yoga é visto como o estudo do funcionamento da mente. A maneira como a mente interage com os sentidos e a respiração e estabelece as impressões emocionais. É o estudo da consciência. O modo como somos e como a nossa mente funciona — na verdade, a maneira como interagimos conosco mesmos e com os outros.

Como é possível dizer que o uso do corpo nos asanas contém as sementes para tal estudo?

Um espectador vê na prática dos asanas um gracioso conjunto de movimentos que contém coordenação, equilíbrio, flexibilidade e resistência. Mas o mesmo pode ser dito da dança. E quanto ao praticante — que é o yogi envolvido nela. Cada asana é uma tentativa de colocar o corpo em uma atitude física, mental e espiritual.

Como BKS Iyengar diz: Asana significa postura, que é a arte de posicionar o corpo com uma atitude física, mental e espiritual. A postura tem dois aspectos. A saber: posar e reposicionar. Posar significa agir. Posar é assumir uma posição fixa dos membros e do corpo, conforme representado pelo asana específico que está sendo executado. Reposicionar significa refletir sobre a pose. A postura é repensada e reajustada para que os vários membros e partes do corpo estejam posicionados em seus lugares em uma ordem apropriada, sentindo-se descansados e tranquilos; e a mente experimente a tranquilidade e a calma dos ossos, das articulações, dos músculos, das fibras e das células.

Refletindo sobre qual parte do corpo está trabalhando, qual parte da mente está trabalhando e qual parte do corpo não foi penetrada pela mente, trazemos a mente para a mesma extensão do corpo. Do mesmo modo que o corpo é contraído e estendido, a inteligência é contraída ou estendida para alcançar cada parte do corpo. A isto é o que se conhece como reposicionamento; isto é sensibilidade. Quando essa sensibilidade está igualmente em contato com o corpo, a mente e a alma, estamos em estado de contemplação ou meditação, o que é conhecido como asana. As dualidades entre o corpo e a mente, a mente e a alma, são vencidas ou destruídas.”[3]

Cada vez que nos estendemos (ou agimos) há uma reação. A respiração se tensiona ou a atenção oscila ou a mente reage: yogis têm notado isso e reagem — não tentando parar essa interação, mas — observando-a para estudar a consciência, em vez de simplesmente controlá-la. Quanto mais concentrado e presente se está, menos presente está a reação excessiva. Os atos realizados conscientemente são mais puros, ou mais limpos, se você prefere, porque estão menos obscurecidos ou confusos. Como resultado, eles deixam menos impressões (samskaras) na mente. É igual em todas as atividades na vida. Quanto mais internamente ocupados tornamo-nos, mais perdemos a visão de nós mesmos, atraídos por nossos sentidos em direção à confusão e à perda de centro.

A prática diária opera em dois níveis — ter uma prática diária é ter um lugar reservado no dia para estar em silêncio interiorizado, uma pausa para respirar em um mundo de aparente loucura. Isso por si só não deve ser subestimado. Através dos sentidos tornamo-nos excessivamente estimulados, tensos e impulsionados. Como Patañjali afirma, “a causa da dor é a associação do observador com aquilo que é visto e a solução reside em dissociá-los.” (Yoga Sutras II.17). A prática é a arte de quebrar os hábitos criados em uma vida agitada — um momento para ouvir em um dia de ação.

Em segundo lugar, e mais importante para o estudante sério, a prática é uma tentativa de observar as próprias reações ao estímulo. Através da prática regular a forma exterior se torna familiar (isto não é nada fácil, porque a forma exterior em si mesma é complexa e exigente) e então yogi adentra no laboratório do complexo corpo/mente, onde as ferramentas se tornam a repetição, a paciência e a observação. O ato de retornar diariamente para a postura do cachorro, por exemplo, prova conclusivamente a natureza mutável da nossa experiência — o modo como a sensação pode mudar e ser influenciada pelo cansaço, interesse, humor, pensamento e respiração. A investigação séria e a longo prazo conduz o yogi ao inextricável fato da influência dos sentidos e do pensamento sobre nossa percepção do mundo.

A repetição destas três ferramentas é básica para o ato de aprender — a aprendizagem aprimora e refina os sentidos pelo ato de repetir vezes sem conta. A repetição neutraliza o pensamento confirmando-o por meio de uma sensação. Isto desafia a tendência da mente, que quer especular em vez de experimentar. A prática diária de Sarvangasana é bastante diferente das suas ideias sobre ela.

A paciência é uma ferramenta diferente. Isso implica em esperar, mas um termo melhor seria escutar. É a arte de esperar com os sentidos abertos para descobrir ou revelar o significado oculto ou que não é aparente para o observador ocasional. O significado oculto é um princípio implícito em yoga, o pensamento segundo o qual muito do que o yoga tem para ensinar não está aparente para a análise intelectual e está contido nos exemplos que são revelados pela prática. Somente esperando e ouvindo somos capazes de esvaziar-nos suficientemente para aprender. A paciência também contém em si as sementes do zelo ardente (desejo de saber ou tapas). Aqueles apressados dificilmente comprometem-se à perquirição, na medida em que nunca irão desenvolver totalmente o desejo de entender.

Todas as práticas de yoga contêm a premissa básica da observação ou da observação desapaixonada. Esta é a arte de observar ou de testemunhar. Observamos as nossas ações e monitoramos quaisquer reações internas, para vê-las, segundo o entendimento de que limpar as lentes através das quais recebemos o mundo (os sentidos) nos ajudará a ver a natureza de nossos pensamentos em oposição aos próprios pensamentos e às complicações do mundo. Estar presente como um observador do ato, em vez de sendo partícipe ou alguém interessado nele. Isso nem sempre implica em que controlamos nossas reações. Podemos suprimi-la. É o ato de vê-las, em vez de manipulá-las, que é importante. Quantas vezes você esteve calmo por dentro, mas agitado por fora, por exemplo?

Mas não vejamos apenas a influência dos sentidos, a maneira como eles nublam nossa percepção e nos tornam incapazes de ver claramente. Como veremos mais do que o fato de sermos vulneráveis aos sentidos e à mente? O próprio Iyengar esteve intimamente envolvido nesta perquirição — a prática deve tornar-se uma busca para encontrar as raízes dessa influência. Ele é muitas vezes visto levando um asana ao extremo — “um yogi físico” — interessado em alargar seus limites e demonstrar suas proezas; mas este não é o caso e é, de fato, uma grave distorção de seu método. Assim como alguns sentam-se observando a respiração, mantendo a atenção sem oscilar, seu método requer que a mente se mantenha concentrada e observando as invasões das sensações — meditação em ação. Veja Salamba Sirsasana, por exemplo. Um minuto ou dois é um esforço; cinco minutos ou mais, um ato de resistência; mas qualquer coisa acima de dez minutos se torna um ato de atenção. Iyengar não estabeleceu chegar, mas observar. Seu método leva o aluno desde o ato de executar até o ato de ser.

O método Iyengar é um teste destes princípios no rigor do asana. Não é um enfoque sobre o corpo ou um aperfeiçoamento de alinhamento, mas uma inquirição em curso sobre a natureza da existência, a arte da manutenção de equanimidade e o esvaziamento da mente de ideias, muitas vezes descrito como as oscilações do pensamento. O que começa como um ato de disciplina e atenção deve tornar-se um estudo da consciência; a observação de quem somos nós e do modo como as oscilações do pensamento nos prendem. Para iniciar esta etapa o professor deve ficar para trás, porquanto nenhuma força externa pode interagir nesse nível. BKS Iyengar diz “enquanto executa a postura, você deve se tornar total e completamente absorvido, com devoção, dedicação e atenção. Deve haver honestidade na abordagem e honestidade na apresentação. Ao realizar uma postura, você tem que descobrir se seu corpo aceitou o desafio da mente, ou se a mente aceitou o desafio do corpo. Você está trabalhando a partir do corpo para obter uma sensação concreta da postura ou fazendo a postura porque você leu nos livros que vai obter tal e qual efeito? Você está pego pela rede do que leu, buscando pela experiência posta no papel por outra pessoa, ou está trabalhando com a mente fresca para saber que tipo de nova luz é lançada por sua própria experiência sobre a postura enquanto a realiza?

Além dessa total honestidade, você precisa ter uma tremenda fé, coragem, determinação, consciência e absorção. Com essas qualidades em sua mente, em seu corpo e em seu coração, você fará bem a pose. O asana deve consagrar com esplendor e beleza todo o ser daquele que o executa. Esta é uma prática espiritual em forma física.”[4]

O asana conduz o sadhaka para a límpida luz da própria imperfeição — sua humanidade, se preferir. No que se refere a tentar o asana, invariavelmente revela o caráter do praticante e as suas próprias falhas.

Mathew Fox comenta que qualquer prática baseada em perfeição é inerentemente imperfeita e está fadada a falhar, pois é muito rígida.[5] O yoga é tudo, menos baseado na perfeição, estando intimamente envolvido com a imperfeição do indivíduo. Quando pratico, observo minhas falhas, fraquezas, hábitos e traços de caráter. Praticar é viver de muitas maneiras no pleno conhecimento de quem realmente somos, em vez de quem gostaríamos de ser. Nós nos estudamos. Nós estudamos nossa consciência.

Novamente diz Iyengar: “Estude cada aspecto de um asana. Pode ser triangular, redondo, em forma de arco-íris ou oval, em linha reta ou diagonal. Observe todos estes pontos, estude e haja dentro desse campo, de modo que o corpo possa representar o asana em sua pura glória. Como o diamante bem lapidado, a joia do corpo com suas articulações, ossos e assim por diante, deve ser lapidada para caber na fina moldura do asana. O corpo inteiro está envolvido neste processo com os sentidos, a mente, a inteligência, a consciência e o si-mesmo. Não se deve ajustar o asana para se encaixar na estrutura do corpo, mas moldar o corpo do modo requerido pelo o asana. Então o asana terá relevância física, fisiológica, psicológica, intelectual e espiritual.

Patañjali diz que quando um asana é executado corretamente, as dualidades entre o corpo e a mente, a mente e a alma, desaparecem. Isso é conhecido como reposicionamento, reflexão na ação. Quando os asanas são realizados desta forma, as células do corpo, que têm suas próprias memórias e inteligência, se mantém saudáveis. Quando a saúde das células é mantida através da prática precisa dos asanas, o corpo fisiológico se torna saudável e a mente é trazida para perto da alma. Este é o efeito dos asanas. Eles devem ser executados de forma a conduzir a mente da sua fixação no corpo em direção à luz da alma, assim o praticante pode residir na morada da alma.”[6]

 

Artigo publicado em Iyengar Yoga Resources, October 2001/Versão online: www.iyengar-yoga.com

 

[1] Gostaríamos de agradecer a Alan Goode por enviar seu artigo para a Iyengar Yoga Resources. Alan é um professor de Iyengar Yoga,  vive e ensina em Blue Mountain, Austrália. Ele pode ser contatado pelo email: goode@pnc.com.au. Copyright © 2001 Alan Goode. Nenhuma parte desta publicação pode ser de qualquer forma reproduzida sem o consentimento prévio e expresso dos editores.

[2] Foto do arquivo de Roadtobliss.

[3] BKS Iyengar, A Árvore do Yoga, pág. 55.

[4] BKS Iyengar, A Árvore do Yoga, p. 55.

[5] Matthew Fox, Original Blessings

[6] BKS Iyengar, A Árvore do Yoga, p. 55.

Yoga e o complexo corpo-mente – sobre os efeitos psicofísicos da prática do yoga

YOGA E O COMPLEXO CORPO-MENTE

Artigo de Eyal Shifroni

Tradução: Marcia Neves Pinto

(Artigo originalmente publicado em 18 de janeiro de 2016, no blog do autor: http://eyalshifroni.com/yoga-and-the-mind-body-complex-on-the-psychophysical-effects-of-yoga-practice/, que antecede o lançamento de seu novo livro: http://eyalshifroni.com/the-psychophysical-lab-book-preview/)

 

Yoga e menstruação

Geeta S. Iyengar responde a perguntas sobre

Yoga e menstruação

Tradução Geisa França – Revisão: Marcia Neves Pinto

 

Quais asanas e pranayamas podem ser praticados de maneira segura durante a menstruação?

A partir do primeiro dia até o final da menstruação, deve ater-se à prática dos asanas que ajudam as mulheres a manterem-se saudáveis e que não criam obstrução ao fluxo menstrual. Estes asanas têm de ser selecionados para que não a deixem sem energia ou causem qualquer distúrbio hormonal.

As extensões de pé para a frente (uttistha paschima pratana sthiti), como Uttanasana, Adho Mukha Svanasana, Prasarita Padottanasana e Parsvottanasana — de preferência com a cabeça apoiada — são de auxílio durante a menstruação. Com a finalidade de suavizar o abdômen, deve-se, primeiro, fazer com as costas côncavas, antes de ir para a postura final. Mas aquelas que sofrem de dores no corpo, dores lombares , queda no nível  de energia ou quedas súbitas do nível de açúcar no sangue, devem evitar estas posturas.

Ardha Chandrasana e Utthita Hasta Padangusthasana II ajudam a regular o sangramento excessivo, dores nas costas e cólicas abdominais. Aquelas que sofrem com dores ciáticas ou de deslocamentos discais, devem incluir estes dois asanas em sua lista.

Os asanas supinados (supta sthiti) — como Supta Virasana, Supta Baddhakonasana, Supta Svastikasana, Matseyasana e Supta Pagangushtasana II, (feitos com suporte de cintos, almofadões e mantas), relaxam os músculos e nervos que estão em constante estresse, tensão e irritação. Estes asanas ajudam a relaxar e a acalmar o latejamento constante.

Aquelas que sofrem de falta de ar, peso no peito, retenção de líquidos, sangramento intenso, cólicas abdominais, irritação e impulsão mentais, acham estes asanas muito eficazes para reduzir e eliminar estes problemas.

As extensões simples para frente (pashima pratana shitti) — como Adho Mukha Virasana, Adho Mukha Svastikasana, Janu Sirsasana, Triang Mukhaikapada em Paschimottatanasana, Ardha Baddha Padma em Paschimottanasana, Marichyasana, Parsva Upavisthakonasana e Adho Mukha Upavisthakonasana — executadas de modo restaurativo, regulam o excesso de sangramento, aliviam o abdômen e fazem com que as palpitantes células do cérebro repousem. Estes asanas auxiliam àquelas que sofrem de dores de cabeça, dores nas costas, fluxo menstrual intenso, cólicas abdominais e fadiga.

Os asanas sentados (upavistha sthitti) — como Svastikasana, Virasana, Padmasana, Baddhakonasana, Upavisthakonasana, Gomukasana, Mulabandhasana etc. — ajudam a remover a tensão e o estresse. É também o momento em que se pode  lidar com os joelhos, isquiotibiais, virilhas, tornozelos e dedos dos pés, a fim de lubrificá-los, estendê-los e flexioná-loss, de modo que as articulações relaxem e sejam eliminados o inchaço e a dor.

Durante a menstruação, é o momento para as mulheres que têm dores causadas por artrite, trabalharem os  ombros, cotovelos e punhos praticando Parsva Baddha Hastasana, Paschima Namaskarasana  e Gomukasana (posição dos braços), e a série de Cordas 1 para os ombros, etc. Então, aquelas que sofrem de dores de artrite e reumatismo, e edema nas articulações  , podem dedicar tempo suficiente para trabalhar estas áreas, lenta e gradualmente soltando e aliviando estas articulações sem agressividade.

Aquelas que não puderem fazer Virasana e Padmasana podem colocar energia (sem agressividade) para trabalhar sobre os joelhos, na medida em que haverá tempo suficiente, pois não estará apressada para terminar a rotina prática diária.

A fim de ter um bom repouso orgânico e nervoso, deve ser feito Viparita Dandasana e Setubandha Sarvangasana (purva pratana sthitti), que ajudam a energizar e estimular o cérebro, o peito, os pulmões e o coração e a manter o equilíbrio hormonal no sistema glandular.

Podem ser feitos Savasana, Ujjayi e Viloma pranayama em Savasana. Se a menstruação é normal, sem provocar nenhuma dor, dores de cabeça, irritação, ansiedade, sufocamento ou depressão, podem ser feitos os pranayamas  Ujjayi e Viloma em uma postura sentada.

Dentre todos estes asanas, apenas para manter a saúde durante a menstruação, de rotina deve-se praticar os asanas supinados, extensões para frente, Viparita Dandasana, Setubandha Sarvangasana e pranayama em Savasana, como um curto programa, embora  leve normalmente 1:h30 a 2:00h.

Quais asanas e pranayamas devem ser evitados?

Devem ser evitadas posturas invertidas (viparita sthitti) como Adho Mukha Vriksasana; de equilíbrio sobre os braços como Bakasana (bhujatalan sthitti; extensões para trás (purva pratana sthitti) como Urdhva Dhanurasana e Kapotasana; que causem obstruções no corpo (grantha sthitti) como Yoganidrasana, Eka Pada Sirsasana, e contração abdominal (udara akunchana sthitti) como Navasana e Jathara Parivatasana.

Devem evitar-se os pranayamas em asanas sentados. Se forem feitos mesmo assim, não o devem ser por mais de quinze minutos. Evite Antara e Bahaya Kumbhakas, Uddiyana e Mula Bandhas, Bhastrika, Kapalabhati e Mahamudra.

Por que não devemos praticar invertidas (viparita sthitti) durante a menstruação?

Se fizermos inversões durante a menstruação, o fluxo sanguíneo se interromperá. Aquelas que tentarem fazer, por entusiasmo ou indiferença, perceberão que o fluxo cessa abruptamente. Isso certamente não é bom para a saúde, pois pode acarretar no aparecimento de miomas, cistos, endometriose e câncer, danificando o sistema.

De acordo com a ayurveda, o que deve ser excretado deve ser expelido, e não retido ou mantido. Você não pode reter urina, fezes, catarro, muco, etc, dentro de si, porquanto são substâncias que devem ser descartadas. Chamam-se mala —- os resíduos que precisam ser excretados. Se eles são mantidos dentro de si, convidam todas as doenças.

Durante a menstruação, é preciso diminuir o esforço físico, incluindo caminhar, dançar ou fazer trabalho doméstico pesado. O corpo exige descanso e relaxamento, e é preciso fornecer isso.

As invertidas têm suas próprias características. Essa categoria de asanas interrompe o fluxo menstrual e, quando realizada durante a gravidez, mantém o feto seguro e saudável. Para aquelas que sofrem com abortos espontâneos frequentes, estes asanas são benéficos. É permitido iniciar a prática de invertidas após doze dias de fluxo, se tiver período prolongado por mais de quinze dias. As invertidas estancarão o sangramento. Obviamente, é preciso conhecer a causa por trás de tais fluxos prolongados e intensos, e tratar da doença com outros asanas durante o período não menstrual. No entanto, que o fluxo pode ser regulado, é um fato. Se uma mulher fica menstruada durante a ovulação, as invertidas são administradas como remédio.

Após o ciclo menstrual inicie a prática de asanas com as inversões, na medida em que são altamente curativas, no que diz respeito ao sistema reprodutivo. Elas rapidamente provocam o equilíbrio hormonal.

Neste contexto, até onde os efeitos das invertidas são conhecidos, não se deve duvidar de omití-las durante a menstruação. Ainda assim, se devido à obstinação e rigidez, alguém se forçar a fazê-las, pode ter que pagar muito caro mais tarde, se não, imediatamente. O fluxo deve parar completamente antes que se possa retomar a prática de invertidas. A questão não é de três ou quatro dias. Assim que o fluxo parar, comece com a prática de invertidas. Não vá de repente para as posturas em pé, flexões para trás, equilíbrio, etc. Lembre-se de que você acabou de dar à luz a um bebê não nascido, já que a menstruação é chamada de funeral do bebê não nascido.

Geeta S. Iyengar

Pune, fevereiro de 2003.

 

 

SOBRE O LOGO DO CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE BKS IYENGAR

SOBRE O LOGO DO CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE BKS IYENGAR

Tradução: Marcia Neves Pinto

“Yoga é para todos”, foi a premissa que conduziu B.K.S. Iyengar no compromisso com a jornada do yoga para si mesmo, e tornou o yoga accessível a qualquer pessoa que o tenha procurado. Guruji B. K. S. Iyengar manteve-se graciosamente como um farol para todos aqueles que se encaminharam para o yoga. O ano de 2018 testemunhará o centenário de nascimento deste grande ser humano.

Maharshi Patañjali postula que ashuddhikshaya (destruição das impurezas) e vivekakhyati (senso de discriminação) são obtidos por meio de anushthana (prática devotada) de yoga.

Juntamente com estas duas, Guruji irradiava mais dois aspectos: (1) o  amor incondicional pela criação e tudo contido nela, e (2) gratidão a tudo o que lhe era ofertado. Neste sentido, Guruji teceu, sem esforço, a gratidão como efeito do yoga.

Ao longo de toda a sua vida, Guruji teceu uma dupla abordagem de sadhana – aceitar a exuberante criação como parte de si-mesmo e, simultaneamente, render-se à criação. Ele deu muito mais do que recebeu – esta era a sua natureza.

As palmas das mãos de Guruji unidas em namaskar denotam seu carinho por seus semelhantes e sua gratidão pela vida, em si mesma.

Os zeros da centena aparecem na forma do infinito, sugerindo que nos movemos da figura finita do “100” para o infinito. Os ensinamentos eternamente contemporâneos de Guruji nos incitam nesta direção.

SÉRIE PARA EQUILÍBRIO DO SISTEMA NERVOSO

SÉRIE PARA EQUILÍBRIO DO SISTEMA NERVOSO

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Marcia Neves Pinto, baseada nos ensinamentos de Garth McLean

(http://yogarth.com/garths-practice-guide-for-ms/)

Ao acordar, pratique pranayama antes mesmo do café da manhã, por 30 minutos.

Pratique meditação por 15 minutos.

Tome seu café da manhã 15 minutos depois da meditação: pranayama e meditação são praticados de intestinos, bexiga e estômago vazios.

Após 2h de um café da manhã leve, pratique, diariamente, a seguinte série:

  • Supta Baddha Konāsana com suporte de bolster e mantas, 2 cintos – 5 minutos
  • Supta Virasāna com suporte de bolster e mantas – 5 minutos
  • Supta Padangustasana I com um pé na parede e outro com cinto no calcanhar frontal apontando o teto – 30 segundos cada perna
  • Supta Padangustasana lateral com um pé na parede e outro com cinto no calcanhar frontal apontando o ombro – 30 segundos cada perna
  • Urdhva Prasarita Padasana 90º com cinto nos calcanhares frontais apontando o teto – 1 minuto
  • Dwi Pada Pavana Muktasana – 1 minuto
  • Adho Mukha Svanasana com mãos na parede, bloco entre os joelhos e suporte da testa (bloco ou bolster) – 30 segundos
  • Tadasana com bloco vertical entre as coxas, tocando o períneo – 1 minuto
  • Prasarita Padottanasana com os ísquios e calcanhares contra a parede, cadeira na frente, mãos sobre o assento da cadeira = coluna reta e paralela ao chão – 30 segundos
  • Bharadvajasana na cadeira com bloco entre os joelhos – 30 segundos cada lado
  • Setu Bandha Sarvaṅgāsana com suporte de bolsters– 5 minutos
  • Salamba Sarvangasana na cadeira – 5 minutos
  • Viparita Karani na cadeira – 2 minutos
  • Ardha Halasana na cadeira – 2 minutos
  • Savāsana – 5 minutos

Se você não é um praticante regular de Iyengar Yoga, não é aconselhável fazer esta prática sozinho: faça a si mesmo um favor e busque um professor certificado no site da ABIY (www.iyengar.com.br).

Namaskar!

 

 

MENOPAUSA: AULA COM BOBBY CLENNELL

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Notas de Marcia Neves Pinto[1]

A experiência de um workshop com a prof. Senior do Centro de Iyengar Yoga de Nova Iorque é de uma riqueza difícil de traduzir em palavras. Entretanto, a tentação de compartilhar com aqueles que não puderam estar presentes é tanta, que é tentador não arriscar.

Estas são minhas anotações da aula sobre menopausa: muito curta para abordar tema tão largo, mas aqueles que têm o hábito de frequentar os workshops de Iyengar Yoga sabem que nossos professores fazem o melhor possível para nos passar o mais número de informações e prática em tempos exíguos. Deste modo, se houver interesse em aprofundar o tema, aconselho a aquisição dos livros de Bobby Clennell ou de Geetaji ou de outro professor certificado de Iyengar Yoga de sua preferência.

Iniciamos a aula sentados em swastikasana com suporte de manta (s) para entoar a invocação a Patañjali. Bobby Clennell iniciou nos fazendo observar que quando fazemos swastikasana sem mantas sentimos melhor os ísquios e colocamo-nos mais em contato com o esqueleto: a desvantagem é que, na maioria das pessoas, a pelve fica comprimida e em algumas pessoas os joelhos ficam mais altos que os quadris.

Como o tema da aula é menopausa e não é incomum que as mulheres na pós menopausa desenvolvam problemas nos quadris, sentamos sobre mantas porque isto abre mais espaço na articulação dos quadris e também encaixa melhor a cabeça do fêmur no acetábulo. A elevação dos quadris nas mantas também cria mais espaço entre as coxas e as cristas ilíacas, dando maior espaço aos órgãos do ventre, o que é muito importante para a saúde da mulher.

A partir dos 40 anos o ciclo menstrual sofre mudanças. A menopausa pode abarcar o período entre 52 e 75 anos, e é um período forte na vida das mulheres, com muitas mudanças de humor e sintomas erráticos. Mas quando a fase termina, a mulher se sente mais segura de si mesma, mais livre e criativa.

Bobby nos diz que a menopausa não é um evento discreto: é um acontecimento com vários sintomas. A menopausa costuma ocorrer no período entre os 45 e 52 anos de idade e em geral deixa as mulheres ansiosas. Passados mais de 2 anos do ingresso na menopausa, a tranquilidade volta a imperar.

Bobby também observa que depois dos 50 anos é mais comum termos que começar a prática com posturas restaurativas a fim de recarregarmos a energia para a prática das demais posturas.

Durante a perimenopausa pode acontecer tudo o que ocorre na fase menstrual: hemorragia, aumento de peso, períodos muito próximos ou muito distantes, etc. E assim como na menstruação, a prática deve conter basicamente posturas que acalmem o sistema nervoso, que eliminem a fadiga e a irritação: supta baddha konasana suportado, ardha chandrasana suportado, etc. Sobretudo devemos praticar posturas que facilitem a transição.

Segundo Bobby, a perimenopausa pode durar 10 anos e durante esta fase ocorrem muitas flutuações emocionais e sintomas. Nesta fase voltamos a ser iniciantes: melhor esperar cessar completamente os fluxos menstruais para retomar a sua prática anterior à perimenopausa ou assumir uma prática pesada como a do curso de formação e preparação para certificações.

A menopausa começa 1 ou 2 anos antes após ter cessado completamente o fluxo menstrual.

A pós menopausa é um período muito mais interessante em termos de yoga. Mas Bobby adverte que termos que manter em mente que o corpo já não é mais o mesmo e não fará tudo o que fazia antes… Entretanto, ganhamos foco e maior capacidade de meditação. Podemos praticar yoga de modo muito mais conectado conosco mesmas e ter mais facilidade para meditar.

Observe que nas mulheres mais velhas os ligamentos já não seguram bem os músculos e ossos, podendo ocorrer lassidão ligamentar ou hiper extensão dos ligamentos. Cuidado para não se alongar demais! A prática de yoga deve se adaptar para acompanhar o ciclo de vida, não pode ser tão rígida que tenha de ser abandonada porque não se consegue mais fazê-la.

São sintomas da menopausa: calores e irritabilidade, suores noturnos, pensamento confuso, depressão e melancolia, perda de libido ou super excitação, lapsos de memória, auto questionamento (principalmente em quem sofria de insegurança na juventade), aceleração cardíaca, insônia e cansaço (devido à má qualidade de sono – este sintoma nesta fase costuma ser mais forte que na TPM), seios inchados e doloridos, mudanças de humor (é um processo), incontinência, aumento de peso (alguns estudos dizem que as mulheres muito magras sofrem mais na menopausa, desde que as que ganhem peso não fiquem obcecadas com isto), perda de cabelo, mudanças no metabolismo, osteoporose, exacerbação das fragilidades que já existiam no organismo (este é o sintoma mais perigoso). Muitas dessas fragilidades pré-existentes virão à tona durante a prática de yoga.

Escreva um diário, deixe-se chorar, permita-se passar por esta fase, aconselha Bobby, do alto dos seus 73 anos.

NA MENOPAUSA A PRÁTICA DEVE OBJETIVAR REMOVER A FADIGA E CALORÕES = POSTURAS RESTAURATIVAS. Evite as posturas que elevam a temperatura do corpo.

Esta foi a série que fizemos:

Purvottanasana – suportado com 4 cadeiras, 1 bolster e 5 mantas ou, se este material não for possível, faça

Purvottanasana sobre bolsters cruzados, cinto no 1º terço das coxas (topo das coxas) ou, ainda,

dwi pada viparita dandasana na “baleia”;

Supta virasana – com suporte de 1 bolster para o tronco e 1 manta para apoio da cabeça. Pode ser preciso elevar ainda mais o torso com mais mantas: a postura deve ser confortável, à exceção de eventual dor do alongamento dos quadríceps. Tenha paciência para montar a sua postura e a sua estação. Esta é uma postura cuja prática diária é importantíssima: ela conserva a nossa energia.

Adho mukha virasana – supta virasana e adho mukha virasana são essenciais para corrigir problemas nos joelhos. Eleve-se para

Adho mukha svanasana – para devolver a circulação sanguinea à articulação dos joelhos após a compressão sofrida nas posturas anteriores = cura os joelhos. Para acalmar a mente e remover a fadiga, coloque 1 bloco de EVA sob a testa (linha do cabelo) ou 1 de madeira coberto com manta. Se o bloco for muito baixo para você, em vez de adho mukha svanasana faça

Uttanasana com pés afastados na largura do tapete, suportando o topo da cabeça em 1 ou 2 blocos empilhados = para minorar os calorões e a fadiga.

Sirsasana com suporte para elevar do chão o topo da cabeça, se necessário: permite permanecer na postura mais tempo e evita os problemas de cervical.

DEPOIS DA MENOPAUSA DESCOBRIMOS QUE TEMOS ARTICULAÇÕES!

Ainda em Sirsasana, entenda a relação entre os pés, as coxas e os quadris: gire os dedos dos pés para fora e volte a girar os dedos dos pés para frente para observar o movimento da articulação do quadril quando giramos os pés. E como o giro dos pés insere mais a cabeça dos fêmures no acetábulo. Flexione as pernas e una as solas dos pés em

Baddha Konasana em Sirsasana para trabalhar os quadris. Agora afaste os pés mantendo as pernas em 90º para abrir ainda mais os quadris.

Tadasana – pés afastados na largura do quadril.

PARA PRATICAR AS POSTURAS EM PÉ SEM ELEVAR A TEMPERATURA CORPORAL EM FUNÇÃO DOS CALORÕES, NÃO PERMANEÇA NAS POSTURAS, FAÇA FLUXO.

Prasarita Padottanasana – gira os pés e entre em Uthita Trikonasana – gira os pés para frente e leva o tronco para centro – gira os pés e entre em Uthita Trikonasana para o outro lado – gira os pés para frente, leva o tronco para centro – Prasarita Padottanasana – gira os pés e entre em Uthita Parsva Konasana – gira os pés para frente, leva o tronco para centro, gira os pés e entre em Uthita Parsva Konasana para o outro lado – gira os pés para frente, leva o tronco para centro – Prasarita Padottanasana – gira os pés e entre em Ardha Chandrasana – gira os pés para frente, leva o tronco para centro, gira os pés e entra em Ardha Chandrasana para o outro lado – gira os pés para frente, leva o tronco para centro – Prasarita Padottanasana.

Ardha Halasana com cadeira e mantas.

Savasana

 Se você não é um praticante regular de Iyengar Yoga, não é aconselhável fazer esta prática sozinho: faça a si mesmo um favor e busque um professor certificado no site da ABIY (www.iyengar.com.br).

Namaskar!

[1] Qualquer incorreção encontrada nas anotações é de  minha inteira responsabilidade, não dos ensinamentos da prof. Senior Bobby Clennell.

BOBBY CLENNELL E O LIVRO DO YOGA PARA MULHER

 

BOBBY CLENNELL E O LIVRO DO YOGA PARA MULHER

Woman Book

Marcia Neves Pinto

 

Bobby Clennel descobriu o caminho do yoga em 1973, indo a aulas de Iyengar yoga por sugestão de um amigo. Em 1975 Booby, seu marido e seus dois filhos visitaram Pune, onde ela e seu marido, Lindsey Clennell, estudaram com a família Iyengar. Aquela foi uma experiência marcante na vida deles. O impacto dos ensinamentos de B. K.S. Iyengar foi profundo e duradouro.

Bobby relata que nunca tinha encontrado um professor que cobrasse – e recebesse – tanta atenção. Quando ele ensinava, seus olhos estavam em todos os lugares. Em suas aulas, era necessário estar completamente presente e participar integralmente. É parte integrante dos ensinamentos de Iyengar Yoga estar plenamente desperto e focado, tanto em sala de aula quanto na vida, e ter o maior respeito pela prática. Desde esta viagem a Pune, muitas se seguiram para estudar e praticar com os Iyengar.

Bobby e Lindsey Clennell compartilham o completo compromisso com o método Iyengar Yoga. Ambos foram certificados no método em 1977 e ensinam desde então.

Em 2007 Bobby Clennell escreveu o livro The Woman’s Book: Asana and Pranayama for All Phases of the Menstrual Cycle, baseado no trabalho de seu professor, B. K. S. Iyengar e também inspirado no trabalho inovador e dedicado de Geeta Iyengar no campo do yoga e as mulheres.

No prefácio assinado por Geeta Iyengar, ela sustenta que o yoga tem um grande potencial para auxiliar na saúde física e mental, o que é essencial para as mulheres, embora as mulheres também não devam esquecer da profundidade espiritual do yoga. A dinastia ancestral de mulheres no yoga prova que, além da saúde física, ela também lutou pela saúde espiritual para enriquecer suas vidas. Mas sua busca não as fez virar as costas para suas responsabilidades familiares e mundanas. Esse equilíbrio tem que ser atingido também pelas mulheres da atualidade, quando o estilo da vida moderna as faz esquecer sua condição feminina. Geeta conta que, ensinando yoga desde os anos 1960, pode observar a ligação entre o ciclo menstrual, as mudanças hormonais e os problemas típicos das mulheres, sejam eles físicos, fisiológicos ou emocionais, podendo igualmente observar como seu método de ensino auxiliou suas alunas. Pesquisas comprovaram essa conexão, motivo pelo qual sugere que as mulheres respeitem sua condição feminina e pratiquem yoga de acordo com ela.

Neste seu livro, Bobby Clennel concentra-se na prática de yoga durante as diferentes fases da menstruação, desde a menarca até a menopausa, dando um passo a passo de como praticar yoga para equilibrar, regular e honrar o ciclo menstrual, seja você aluna iniciante ou avançada. Em suas páginas, as mulheres – e seus professores – vão encontrar respostas para muitas questões que enfrentarão durante a vida. Cada capítulo explica os benefícios da prática de um asana, ao mesmo tempo em que alerta sobre o que se deve ou não fazer, com ilustrações que demonstram exatamente o que fazer.

O mérito do livro (somente em inglês) é abordar questões que são pouco tratadas na prática de yoga e mesmo no conjunto da obra de B. K. S. Iyengar, de uma maneira mais detalhada, acessível e prática, ainda que se considere o livro de Geeta Iyengar, Yoga a Gem for Women. As ilustrações de Bobby Clennell são de grande auxílio e muito elucidativas. É um livro indispensável na biblioteca de todo praticante ou professor de yoga.

A menopausa é o término natural do ciclo menstrual e dos anos reprodutivos da mulher. Embora a menopausa tenha início antes dos 40 anos em 10% das mulheres nos Estados Unidos, usualmente ela ocorre por volta dos 51 anos de idade. A transição completa dura aproximadamente de seis a treze anos. Isto inclui a fase pós menopausa, quando as mulheres frequentemente experimentam sintomas que refletem uma acomodação das mudanças hormonais.

Durante a menopausa, o ciclo menstrual sofre mudanças radicais. As mulheres têm um número limitados de óvulos estocados nos ovários e, na medida em que alcançam os 40 anos, ocasionalmente têm períodos em que a ovulação não ocorre. Consequentemente, na medida em que os níveis de estrogênio e progesterona se tornam mais erráticos, o mesmo acontece com seus períodos. Um a três anos antes de se estabelecer a cessação permanente dos ciclos, as mulheres frequentemente deixam de ter um ou mais períodos. Elas podem achar que quando a menstruação ocorre, ela é mais frequente. Mulheres na perimenopausa podem experimentar meses de baixo estrogênio, quando sentem os calorões, junto com um período escasso ou leve. A isso pode se seguir um mês de alto estrogênio, quando os calorões desaparecem e elas experimentam dor no peito e sangramento pesado.

As mulheres na pós menopausa frequentemente estão muito mais sintonizadas com seu poder interno e seus sentimentos intuitivos do que eram em sua vida mais jovem. Não mais à mercê dos ciclos hormonais constantes, elas frequentemente descobrem que têm energia extra para dirigir para as áreas espiritual, criativa e social de suas vidas. Na medida em que as mulheres continuam a elevar conhecimento acerca do papel das mulheres mais velhas na sociedade, começa a ficar mais evidente que nunca que precisamos da contribuição dessas mulheres mais experientes e maduras em todas as áreas de nossa cultura global.

Se você está na pré menopausa (perimenopausa) e sente as mudanças de humor, irritabilidade e tensão típicas da fase, vai encontrar uma prática para auxiliar a amenizar estes sintomas no capítulo 15 do livro que, embora trate da TPM (tensão pré menstrual), pode muito bem aplicar-se para aliviar os mesmos sintomas na perimenopausa.

Bobby Clennel sugere que sua prática sempre leve em consideração seu estado mental, seu nível de energia e a fase de seu ciclo. Sem yoga, a oportunidade de transformar caos em significado pode ser jogada fora.

A sequência a seguir ajuda a manter as alterações de humor sob controle. As posturas da seção I, supta baddha konasana I e supta virasana, expandem o peito e elevam o coração. Também aliviam o cansaço. A prática das posturas da seção II, onde a cabeça está apoiada, aquietam o cérebro e preparam para as invertidas da seção III, salamba sirsasana é opcional. Quem pratica esta postura regularmente retém uma perspectiva espiritual na vida. Entretanto, se a pose é um esforço para você, pode irritar os nervos nesta ocasião. Salamba sarvangasana I é uma inversão com suporte que alivia a ansiedade e dissipa a irritação. Se você sofre de pressão alta, pratique adho mukha virasana por 3 minutos antes e depois de salamba sarvangasana I. Ardha halasana tem a capacidade miraculosa de eliminar a reatividade emocional, incluindo irritação e raiva.

Por meio da prática de flexões para frente sentadas da seção IV, a agitação se tornará tranquilidade. Os redemoinhos mentais e emocionais darão espaço à paz. Janu sirsasana também ajuda a normalizar os níveis de açúcar no sangue e o controle de desejo por comida.

As posturas da seção V, viparita karani e setu bandha sarvangasana II, ajudam a estabilizar as emoções, proveem repouso profundo, promove paz e clareza mental.

Se você está se sentindo cansada, inicie a prática com a seção I. Se você não está cansada, mas a tensão está fazendo a pressão arterial subir ou você está com dificuldade de coletar seus pensamentos ou de concentrar-se, em vez disso comece com a seção II.

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