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Prática de Yoga durante a menstruação – Sinopse

Prática de Yoga durante a menstruação – Sinopse

Geeta S. Iyengar

Os estudantes sempre perguntam aos professores sobre os āsana-s a serem executados durante a menstruação. As mulheres são orientadas a descontinuar sua prática regular durante a menstruação, mesmo que não experimentem desconfortos. Este artigo fornece um relance sobre vários āsana-s, as modificações das posturas básicas e o que deve ou não ser feito pelas mulheres com problemas menstruais.

Esse artigo destina-se a guiar o praticante regular de yoga. Para detalhes sobre as posturas, aconselha-se que o leitor consulte as obras Luz sobre o Yoga, de B. K. S. Iyengar e Yoga, a Gem for Women, der Geeta Iyengar.

Āsana-s em pé I

  • Uttānāsana
  • Adho Muka Śvānāsana
  • Pāda Hastāsana
  • Pārśvottānāsana
  • Prasārita Padottanāsana

Nota: Em Uttānāsana, Adho Muka Śvānāsana e Prasārita Padottanāsana pode-se apoiar a cabeça em um banco, uma cadeira ou um bloco.

Efeitos dos āsana-s em pé

  • O cérebro se relaxa mais rapidamente; a extensão posterior da coluna rejuvenesce os rins. O esforço cardíaco diminui, porque o coração descansa abaixo do topo da coluna.
  • Aumentam a circulação sanguínea na região baixa do abdômen, melhorando a função dos ovários.

Beneficia especialmente aquelas com:

  • Hipomenorreia ou oligomenorreia
  • Poli menorreia
  • Pressão alta
  • Tensão no corpo
  • Dores na parte baixa das costas
  • Peso na cabeça

Não faça estes āsana-s se tiver dor de cabeça.

Āsana-s em pé II

  • Utthita Trikoṇāsana
  • Utthita Pārśva Koṇāsana
  • Vīrabhadrāsana II
  • Ardha Candrāsana

Nota: Em uma classe geral, normalmente as mulheres são impedidas de fazer as posturas em pé. Você pode tender a permanecer na postura por mais tempo, portanto podendo extenuar-se. Então, estas posturas devem ser tentadas somente se você não sentir-se fatigada durante a menstruação. Todas as posturas em pé devem ser feitas com o uso do suporte da parede.

Em Ardha Candrāsana, coloque a mão no bloco, em vez de colocar no chão.

Efeitos das posturas em pé:
  • Os órgãos pélvicos se estendem, aliviando as cólicas.
  • As virilhas livram-se da tensão.

Ardha Candrāsana estende todo o corpo.

Não faça estes āsana-s se:

  • Sentir-se exausta ou
  • Se estiver sangrando excessivamente.

Faça Ardha Candrāsana, especialmente, se:

  • Se tiver sangramento excessivo, já que a postura causa ressecamento, se for realizada repetidamente contra parede. Assegure-se de não permanecer muito tempo na postura a cada
  • Tiver cólicas abdominais ou tensão.
  • Tiver as virilhas ou a pelve rígidos.
  • Tiver fibrose, cisto ou endometriose.

 Āsana-s sentados I

  • Vīrāsana
  • Swastikāsana
  • Padmāsana
  • Badha Koṇāsana

Modificações dos āsana-s acima:

  • Todas as posturas podem ser feitas inicialmente da maneira clássica, com as mãos posicionadas em cima das pernas ou ao lado dos
  • Urdhva Hasta Vīrāsana, Swastikāsana, Padmāsana, Badha Koṇāsana: as posturas podem ser repetidas entrelaçando os dedos e estendendo os braços acima da cabeça. Certifique-se de que está estendendo o corpo desde as quinas laterais externas da
  • Uttanāsana, Vīrāsana, Swastikāsana, Badha Koṇāsana, você pode inclinar-se à frente e apoiar a testa numa cadeira ou
  • Pārśva – Vīrāsana, Swasticāsana, Padmāsana, Baddha Koṇāsana: erga a coluna e então, com uma expiração, gire a coluna para o lado esquerdo. Fique nesta posição por alguns segundos e então repita a postura para o lado
  • ParivrittaVīrāsana, Swastikāsana, Padmāsana, Koṇāsana: faça Pārśva Vīrāsana e então se estenda para frente. Apoie a cabeça em um cobertor ou na

Nota: se você não pode permanecer na postura por um tempo mais longo, pode sair da postura e então voltar a repeti-la.

Efeitos dos āsana-s sentados:

  • Removem a rigidez nas virilhas, joelhos e
  • Uttana, isto é, o āsana de extensão à frente, reduz as cólicas menstruais, as dores nas costas, a fadiga e tranquiliza o cérebro.
  • Pārśva, isto é, as posturas com torção lateral, reduzem as dores no abdômen, na área pélvica, na cintura e nas
  • Parivritta, isto é, as posturas em que se gira para um lado e inclina- se à frente, diminuem as náuseas e a depressão.

 Āsana-s supinados:

  • Supta Baddha Konāsana
  • Supta Vīrāsana
  • Matsyāsana
  • Setu Bandha Sarvāngāsana
  • Supta Swastikāsana
  • Supta Pādānguṣṭāsana II

Nota: não tencione o abdômen nestas posturas. Comece a sua prática com estas posturas se tiver fibrose, cistos ou anomalias da posição do útero[1].

Efeitos dos āsana-s supinados:
  • Reduzem o cansaço, a insônia e a letargia
  • Diminuem o inchaço no
  • Reduzem a inflamação nos órgãos

São especialmente benéficas para aquelas com:

  • Dismenorreia
  • Pressão baixa
  • Anemia
  • Diarreia

 Āsana-s de extensão para frente

  • Janu Śirṣāsana
  • Trianga Mukhaikapada Paschimottānāsana
  • Ardha Baddha Padma Paschimottānāsana
  • Marichyāsana
  • Paschimottānāsana

Nota: Apoie a testa no cobertor em todas estas posturas. Você pode descansar a cabeça numa cadeira, se for muito rígida. Permaneça na postura de forma relaxada e mude a posição apenas quando sentir o corpo se pesado ou os ísquio tibiais tornarem-se pesados.

As posturas podem ser praticadas várias vezes. Tente aumentar gradualmente a duração da permanência em cada postura.

Efeitos
  • Relaxa os órgãos abdominais
  • Reduz a retenção de líquidos e o inchaço corporal
  • Regulariza o nível de açúcar no sangue

São especialmente benéficos para aquelas com:

  • Oligomenorreia

Não faça Trianga Mukhaikapada Paschimottānāsana e Ardha Baddha Padma Paschimottānāsana se você sofre de:

  • Dismenorreia
  • Menorragia

 Āsana-s sentados II

  • Upavistha Koṇāsana
  • Uttana Upavistha Koṇāsana
  • Pārśva Upavistha Koṇāsana

Nota: estas posturas podem ser feitas pegando um suporte que você possa segurar avante, algumas caixas ou a grade à sua frente, de forma que você possa elevar a coluna e os órgãos abdominais.

Efeitos:
  • Alargam e relaxam a pélvis
  • Ampliam a vagina e reduzem qualquer obstrução ao fluxo menstrual
  • Tornam a região sacral côncava, reduzindo o peso no abdômen
  • Reduzem a irritação e as sensações de queimação em torno da área dos órgãos genitais

São especialmente benéficas para aquelas com:

  • Endometriose
  • Bloqueio nas trompas de Falópio
  • Inflamação pélvica

 Āsana-s de extensão para trás

  • Vipārita Daṇdāsana
  • Setu Bandha Sarvāngāsana

Não se extenue nestas posturas. Faça estas posturas com a ajuda de um suporte. Vipārita Dandāsana deve ser realizada na cadeira. Setu Bandha Sarvangāsana deve ser feita com suporte do bloco ou da cadeira.

Efeitos
  • Rejuvenescem os órgãos pélvicos
  • Aumentam a estabilidade emocional e a autoconfiança
  • Eliminam a depressão
  • Aliviam a insônia

 Prāṇāyāma

  • Śavāsana
  • Ujjayi I (inspiração normal – expiração profunda )
  • Ujjayi II (inspiração profunda – expiração normal)
  • Ujjayi III (inspiração profunda – expiração profunda)
  • Viloma I (inspiração com pausas)
  • Viloma II (expiração com pausas)

Nota: todos estes prāṇāyāmas devem ser tentados em Sāvāsana ou Supta Baddha Koṇāsana

Efeitos do prāṇāyāma

  • Aumenta a sensibilidade dos pulmões
  • Relaxa o cérebro e os nervos
  • Induz ao sono

Āsana-s que devem ser realizados ao término da menstruação

  • Śīrṣāsana
  • Pārśvaika Pada Śīrṣāsana
  • Upavistha Koṇāsana em Śīrṣāsana
  • Baddha Koṇāsana em Śīrṣāsana
  • Sarvāngāsana
  • Pārśvaika Pada Sarvāngāsana
  • Upavistha Koṇāsana em Sarvāngāsana
  • Supta Koṇāsana
Efeitos
  • Melhora a circulação para os órgãos abdominais
  • Restaura as funções das glândulas endócrinas
  • Ajuda o sistema nervoso a recobrar-se da fadiga e da tensão
  • Cria um estado de equilíbrio mental

São especialmente benéficos para aquelas com:

  • Amenorreia
  • Leucorreia

Āsana-s para o período pré-menstrual (TPM)

  • Meio Halāsana
  • Janu Śīrṣāsana
  • Viparīta Karani

Nota: a tensão pré-menstrual caracteriza-se por tensão, cansaço, irritabilidade e depressão, e ocorre cerca de dez dias antes de começar a menstruação.

Efeitos dos āsana-s feitas para tensão pré-menstrual
  • Estas posturas ajudam a relaxar

 

(Este artigo foi compilado do vídeo cassete de Mrs. Geeta Iyengar, “Yoga em ação- menstruação”) e foi publicado originalmente em inglês: Yoga practice during menstruation: a synopsis, Yoga Rahasya – Compilation of articles pertaining to Yoga Therapy published from 1994 to 2009, YOG, Mumbai, Índia, págs. 150/157.

Tradução: Paula Torres

Revisão: Marcia Neves Pinto

[1] N. R.: Tipos de anomalias de posição do útero:

Embora a localização do útero seja variável, normalmente encontra-se no centro da pequena bacia, com o fundo mais perto da púbis do que da coluna vertebral e virado para a frente, já que o seu eixo forma um ângulo quase recto com o eixo da vagina, enquanto que o corpo do útero apresenta uma ligeira curvatura para diante em relação ao colo uterino. Embora as ligeiras variações não alterem a fertilidade nem provoquem qualquer incómodo, os desvios ou deslocações significativas podem provocar problemas e, consequentemente, originar graves alterações. É possível distinguir vários tipos de anomalias, cada uma delas com o seu nome específico.

Entre as anomalias de posição, destacam-se a anteposição e a retroposição, quando o útero se encontra respectivamente mais à frente e mais atrás do que o habitual, e a sinistroposição e dextroposição, quando está deslocado para a esquerda ou para a direita.

Existem igualmente as várias anomalias da inclinação do útero, em que as mais evidentes são a anteversão e a retroversão, quando o eixo do útero se encontra deslocado para a frente ou para trás em relação ao eixo da vagina.

Entre as anomalias da flexão do útero, as mais significativas são a anteflexão e a retroflexão, quando o corpo do útero se encontra curvado para a frente e para trás respectivamente em relação ao colo uterino. (https://www.medipedia.pt/home/home.php?module=artigoEnc&id=682)

 

Yoga e menstruação

Geeta S. Iyengar responde a perguntas sobre

Yoga e menstruação

Tradução Geisa França – Revisão: Marcia Neves Pinto

 

Quais asanas e pranayamas podem ser praticados de maneira segura durante a menstruação?

A partir do primeiro dia até o final da menstruação, deve ater-se à prática dos asanas que ajudam as mulheres a manterem-se saudáveis e que não criam obstrução ao fluxo menstrual. Estes asanas têm de ser selecionados para que não a deixem sem energia ou causem qualquer distúrbio hormonal.

As extensões de pé para a frente (uttistha paschima pratana sthiti), como Uttanasana, Adho Mukha Svanasana, Prasarita Padottanasana e Parsvottanasana — de preferência com a cabeça apoiada — são de auxílio durante a menstruação. Com a finalidade de suavizar o abdômen, deve-se, primeiro, fazer com as costas côncavas, antes de ir para a postura final. Mas aquelas que sofrem de dores no corpo, dores lombares , queda no nível  de energia ou quedas súbitas do nível de açúcar no sangue, devem evitar estas posturas.

Ardha Chandrasana e Utthita Hasta Padangusthasana II ajudam a regular o sangramento excessivo, dores nas costas e cólicas abdominais. Aquelas que sofrem com dores ciáticas ou de deslocamentos discais, devem incluir estes dois asanas em sua lista.

Os asanas supinados (supta sthiti) — como Supta Virasana, Supta Baddhakonasana, Supta Svastikasana, Matseyasana e Supta Pagangushtasana II, (feitos com suporte de cintos, almofadões e mantas), relaxam os músculos e nervos que estão em constante estresse, tensão e irritação. Estes asanas ajudam a relaxar e a acalmar o latejamento constante.

Aquelas que sofrem de falta de ar, peso no peito, retenção de líquidos, sangramento intenso, cólicas abdominais, irritação e impulsão mentais, acham estes asanas muito eficazes para reduzir e eliminar estes problemas.

As extensões simples para frente (pashima pratana shitti) — como Adho Mukha Virasana, Adho Mukha Svastikasana, Janu Sirsasana, Triang Mukhaikapada em Paschimottatanasana, Ardha Baddha Padma em Paschimottanasana, Marichyasana, Parsva Upavisthakonasana e Adho Mukha Upavisthakonasana — executadas de modo restaurativo, regulam o excesso de sangramento, aliviam o abdômen e fazem com que as palpitantes células do cérebro repousem. Estes asanas auxiliam àquelas que sofrem de dores de cabeça, dores nas costas, fluxo menstrual intenso, cólicas abdominais e fadiga.

Os asanas sentados (upavistha sthitti) — como Svastikasana, Virasana, Padmasana, Baddhakonasana, Upavisthakonasana, Gomukasana, Mulabandhasana etc. — ajudam a remover a tensão e o estresse. É também o momento em que se pode  lidar com os joelhos, isquiotibiais, virilhas, tornozelos e dedos dos pés, a fim de lubrificá-los, estendê-los e flexioná-loss, de modo que as articulações relaxem e sejam eliminados o inchaço e a dor.

Durante a menstruação, é o momento para as mulheres que têm dores causadas por artrite, trabalharem os  ombros, cotovelos e punhos praticando Parsva Baddha Hastasana, Paschima Namaskarasana  e Gomukasana (posição dos braços), e a série de Cordas 1 para os ombros, etc. Então, aquelas que sofrem de dores de artrite e reumatismo, e edema nas articulações  , podem dedicar tempo suficiente para trabalhar estas áreas, lenta e gradualmente soltando e aliviando estas articulações sem agressividade.

Aquelas que não puderem fazer Virasana e Padmasana podem colocar energia (sem agressividade) para trabalhar sobre os joelhos, na medida em que haverá tempo suficiente, pois não estará apressada para terminar a rotina prática diária.

A fim de ter um bom repouso orgânico e nervoso, deve ser feito Viparita Dandasana e Setubandha Sarvangasana (purva pratana sthitti), que ajudam a energizar e estimular o cérebro, o peito, os pulmões e o coração e a manter o equilíbrio hormonal no sistema glandular.

Podem ser feitos Savasana, Ujjayi e Viloma pranayama em Savasana. Se a menstruação é normal, sem provocar nenhuma dor, dores de cabeça, irritação, ansiedade, sufocamento ou depressão, podem ser feitos os pranayamas  Ujjayi e Viloma em uma postura sentada.

Dentre todos estes asanas, apenas para manter a saúde durante a menstruação, de rotina deve-se praticar os asanas supinados, extensões para frente, Viparita Dandasana, Setubandha Sarvangasana e pranayama em Savasana, como um curto programa, embora  leve normalmente 1:h30 a 2:00h.

Quais asanas e pranayamas devem ser evitados?

Devem ser evitadas posturas invertidas (viparita sthitti) como Adho Mukha Vriksasana; de equilíbrio sobre os braços como Bakasana (bhujatalan sthitti; extensões para trás (purva pratana sthitti) como Urdhva Dhanurasana e Kapotasana; que causem obstruções no corpo (grantha sthitti) como Yoganidrasana, Eka Pada Sirsasana, e contração abdominal (udara akunchana sthitti) como Navasana e Jathara Parivatasana.

Devem evitar-se os pranayamas em asanas sentados. Se forem feitos mesmo assim, não o devem ser por mais de quinze minutos. Evite Antara e Bahaya Kumbhakas, Uddiyana e Mula Bandhas, Bhastrika, Kapalabhati e Mahamudra.

Por que não devemos praticar invertidas (viparita sthitti) durante a menstruação?

Se fizermos inversões durante a menstruação, o fluxo sanguíneo se interromperá. Aquelas que tentarem fazer, por entusiasmo ou indiferença, perceberão que o fluxo cessa abruptamente. Isso certamente não é bom para a saúde, pois pode acarretar no aparecimento de miomas, cistos, endometriose e câncer, danificando o sistema.

De acordo com a ayurveda, o que deve ser excretado deve ser expelido, e não retido ou mantido. Você não pode reter urina, fezes, catarro, muco, etc, dentro de si, porquanto são substâncias que devem ser descartadas. Chamam-se mala —- os resíduos que precisam ser excretados. Se eles são mantidos dentro de si, convidam todas as doenças.

Durante a menstruação, é preciso diminuir o esforço físico, incluindo caminhar, dançar ou fazer trabalho doméstico pesado. O corpo exige descanso e relaxamento, e é preciso fornecer isso.

As invertidas têm suas próprias características. Essa categoria de asanas interrompe o fluxo menstrual e, quando realizada durante a gravidez, mantém o feto seguro e saudável. Para aquelas que sofrem com abortos espontâneos frequentes, estes asanas são benéficos. É permitido iniciar a prática de invertidas após doze dias de fluxo, se tiver período prolongado por mais de quinze dias. As invertidas estancarão o sangramento. Obviamente, é preciso conhecer a causa por trás de tais fluxos prolongados e intensos, e tratar da doença com outros asanas durante o período não menstrual. No entanto, que o fluxo pode ser regulado, é um fato. Se uma mulher fica menstruada durante a ovulação, as invertidas são administradas como remédio.

Após o ciclo menstrual inicie a prática de asanas com as inversões, na medida em que são altamente curativas, no que diz respeito ao sistema reprodutivo. Elas rapidamente provocam o equilíbrio hormonal.

Neste contexto, até onde os efeitos das invertidas são conhecidos, não se deve duvidar de omití-las durante a menstruação. Ainda assim, se devido à obstinação e rigidez, alguém se forçar a fazê-las, pode ter que pagar muito caro mais tarde, se não, imediatamente. O fluxo deve parar completamente antes que se possa retomar a prática de invertidas. A questão não é de três ou quatro dias. Assim que o fluxo parar, comece com a prática de invertidas. Não vá de repente para as posturas em pé, flexões para trás, equilíbrio, etc. Lembre-se de que você acabou de dar à luz a um bebê não nascido, já que a menstruação é chamada de funeral do bebê não nascido.

Geeta S. Iyengar

Pune, fevereiro de 2003.

 

 

SIGNIFICADO DO PUJA E DAS PRECES A GANESHA

SIGNIFICADO DO PUJA E DAS PRECES A GANESHA

Geeta lyengar na Convenção de Sydney, 2003 – puja antecedente ao começo das aulas

Tradução Marcia Neves Pinto

Agora vou fazer o puja. Sempre que começamos um trabalho auspicioso, todos nós, devotos do yoga, devemos rogar a Deus. É nosso dever oferecer preces às deidades que nos mostram o auspicioso caminho a trilhar. Sem a benção do Supremo, nenhum trabalho deve ser feito. Sem a graça do Senhor nada frutificará. Tanto o sucesso quanto o fracasso são presentes do Senhor.

Antes das preces, gostaria de fazer uma introdução ao que estamos fazendo. Normalmente, quando temos que cultuar as divindades, nossas mentes se dirigem à religião, e a palavra “religião” nos faz dar um passo para trás. Porém, como estudantes de yoga, olhemos para isto de uma maneira mais inteligente, fazendo a inteligência penetrar de modo que a sabedoria possa surgir e guiar, descobrindo o que, exatamente, estamos fazendo. Quando descobrimos que algo está na escuridão e não pode ser visto, sabemos perfeitamente que precisamos de luz para vê-lo. Se o caminho está escuro, podemos usar uma tocha ou uma vela, mas a luz será necessária para que a escuridão se torne iluminada. Esta luz nos guia e remove a escuridão, conduzindo-nos adiante.

Puja significa cultuar. As divindades que estamos cultuando são significantes. De fato, é um ritual pequeno, mas bastante significante. Para receber graça, temos que ofertar. Mesmo que a oferenda se dê em forma de lembrança e recordação, a graça estará presente. Estamos cultuando os Senhores Ganesha, Vishnu, Hanuman, Patañjali e Guru. O Senhor é tão compassivo que mesmo que não saibamos o significado, se lembrarmos seu nome, ele abençoará. Mas quando oramos para Ele conhecendo o significado, nossa devoção aumenta e, obviamente, seu amor cresce. Deste modo, saibamos o significado das preces.

Assim, as preces ao Senhor Ganesha são as primeiras ofertadas.

Gana significa a tropa dos seres humanos. Também significa as classes de seres animados e inanimados, mas uma palavra mais acurada seria civis. Todos pertencemos a um lugar em particular. Eu posso vir de Pune, vocês estão em Sydney, outra pessoa pode ser de outro país, mas somos todos pertencentes à população civil daquele país, àquela área em especial, ao planeta Terra. Em outras palavras, isto fala de nós como civis, como seres humanos que estão se tornando ligeiramente polidos para estar em áreas urbanas. Este foi o modo como o mundo progrediu até o estado atual, conosco, agora, nos autodenominando completamente organizados. O Senhor Ganesha é chamado como o Senhor dos Civis, a cabeça da tropa existente na Terra. E “isha” é Deus: por isto ele é chamado Ganesha. Ele também é denominado Ganapati, aquele que governa todo o universo. Por isto as preces são dirigidas primeiramente a Ganesha, Ganapati. Ganapati é muladhara, o suporte básico de nossa existência.

O significado das preces que vamos entoar deve ser conhecido. Vakratunda-mahākāya. Essas duas palavras indicam como o Senhor se afigura. Assim como quando dizemos que somos seres humanos, com um par de olhos e de pernas, uma cabeça, um tronco, em síntese, é como nos denominamos como seres humanos. Aqui, Ganesha é projetado com estas duas palavras: vakratunda – com uma longa tromba curvada, e mahākāya, que significa enorme, até onde se refere ao corpo. Estas duas palavras indicam como é o Senhor Ganesha.

Aqueles que visitaram a Índia devem ter visto que o Senhor Ganesha tem a cabeça de elefante e é sempre projetado com uma enorme barriga: isto é como o Senhor Ganesha aparenta ser. O deus elefante com a cabeça de elefante indica o progresso do cérebro, até onde podemos nos referir aos seres humanos, dotados de um cérebro grande. Todos conhecemos a capacidade do cérebro humano, no que diz respeito à evolução, e isto é indicado pela cabeça de Ganesha: para mostrar a grandeza do elefante, que tem uma tremenda energia, uma tremenda força. Mahākāya – corpo enorme, indicando que ele é aquele que purifica e limpa os seres humanos, levando seus pecados e fazendo seu caminho muito claro.

Sūryakoti samaprabha. Vemos o sol no céu: conhecemos sua energia solar, sua luminosidade, etc, e aqui o Senhor Ganesha é comparado a milhões de sóis. Vemos o sol e conhecemos sua força e potência e, por causa deste deus solar, também temos equilíbrio nesta Terra, relativamente à ecologia e meio-ambiente. Considera-se o Senhor Ganesha como aquele que possui a luminosidade destes milhões de sóis: ele é tão luminoso quanto se mantivéssemos milhões de sóis. Sūryakoti samaprabha é a sua luz.

Nirvighnam kurume deva. Vighnam significa obstáculos. Nirvighnam significa remover os obstáculos. Deste modo, estamos saudando o Senhor desta maneira, como eu disse, vakratunda mahākāya sūryakoti. O deus se assemelha a isto – cabeça enorme, cérebro enorme e com toda aquela luminosidade. Tornando nosso caminho claro por meio da remoção de todos os obstáculos – nirvighnam. Que não existam obstáculos em nosso caminho. De que modo? Śubhakāryesu sarvadā. Śubha significa auspicioso. Karya se refere à ação. Sempre que estivermos executando ações auspiciosas, ou kārmas promissores, Ganapati removerá os obstáculos. Ele não removerá os obstáculos se estivermos indo no caminho errado ou executando ações incorretas. Por isso rogamos, sempre que executamos um trabalho auspicioso: para que torne nosso caminho claro. Uma vez que todos viemos aqui para praticar yoga, desde que estamos em um caminho auspicioso, estamos rogando para que este Senhor torne nosso caminho claro, removendo todos os obstáculos. Este é o motivo pelo qual nossa primeira prece se dirija à Ganapati, Senhor de todos os seres.

Tradução Marcia Neves Pinto, em dedicação a todos os companheiros de caminhada no caminho do yoga, sob a orientação de Rosana Seligmann: que todos tenhamos Ganesha iluminando nossos caminhos e conquistas na senda do yoga.

A INVOCAÇÃO A PATAÑJALI

Geeta Iyengar
Tradução de Marcia Neves Pinto
Agora vou falar-lhes sobre a invocação a Patañjali, seu significado e simbolismo. A invocação começa com aum. Aum é o primeiro som primordial, um adi nada, um som melodioso, sonoro sublime. As três sílabas A, U, M representam toda a gama de sons e de criação. Eles representam sonhar acordado e os estados de consciência do sono. O crescente simboliza estado transcendental. Aum é pranava, que significa o exaltado, insuperável louvor ao princípio Supremo, à divindade. De acordo com Patañjali, ele simboliza Ísvara, a divindade tasya vacakah pranavah.
Sendo a fonte de todas as energias, aum é proferido como um começo auspicioso. Nenhuma atividade sagrada será completa, profunda e perfeita sem que se efetive a graça Suprema e aum é a principal invocação para buscar essa graça.
Como a música é uma das melhores mídias para expressar sentimentos, amor e devoção, mídia se inicia com aum. A invocação que primeiro cantamos é:
Yogenacittasyapadena vacam
Malam sarirasyacavaidyakena
Yopakarottamprvarammuninam
Patanjalimpranjaliranato’smi
Significado: saúdo ao mais nobre dos sábios, Patañjali, que nos deu o yoga para a serenidade da mente, a gramática para a pureza do discurso e a medicina para a perfeição do corpo.
A segunda parte descreve a estátua de Patañjali:
Abahupurusakaram
Sankhacakrasidharinam
Sahasrasirasamsvetam
PranamamiPatanjalim
Significado: saúdo a Patañjali, cuja parte superior do corpo tem forma humana, cujos braços seguram uma concha, um disco e uma espada, e que é coroado por uma cobra de mil cabeças. Oh!,encarnação de Adisesa, minhas humildes saudações a ti.
Os autores desta invocação são desconhecidos. Não era costume naquele tempo mencionar nome de alguém como autor ou escritor. No entanto, alguns livros tradicionais mencionam que abahu purusakaram foi escrito pelo rei Bhojadeva em 1.100 D.C., autor de Rajamartanda Vrttium comentário sobre os Yoga Sutras.
Cada aspecto da estátua de Patañjali carrega um significado, como os sutras são intrincadamente redigidos. Quando se contempla a estátua do sábio Patañjali, vêem-se três espirais e meia abaixo do umbigo. As três espirais indicam o pranava aum, um símbolo místico que transmite o conceito de Deus como criador, organizador e destruidor. Ele o representa como onipresente, onipotente onisciente. Aum é composto de três sílabas, A, U e M com um crescente e um ponto na parte superior.
As três espirais completas simbolizam as sílabas e a meia espiral, o crescente. Elas também representam os três gunas de prakrti, denominados sattva, rajas e tamas, e a aspiração por alcançar o estado de trigunatita, que é um estado transcendente. O sábio Patañjali convida nossa atenção para os três tipos de aflições, denominadas adhyatmika, adhibhautika adhidaivika, que devem ser conquistadas por meio do caminho do yoga. As três espirais indicam que ele é um mestre do yoga, gramática e ayurveda. A meia espiral indica o atingimento do estado de kaivalya.
A concha na mão esquerda significa o estado de alerta, atenção e prontidão para encarar os obstáculos que são inevitáveis na prática do yoga. Antigamente, a concha explodiu como um aviso para a preparação para enfrentar catástrofes ou calamidades, como é feito hoje em dia com as sirenes. É também um símbolo de jñana.
O disco na mão direita significa o esforço supremo para a destruição da ignorância e é um símbolo de proteção. A espada, escondida na cintura, indica a eliminação do ego, do orgulho ou do sentimento do “Eu”, que é o principal obstáculo que cobre o ser puro. É uma espada de jñana para derrotar ajñana. Estas três armas também indicam a contenção das flutuações mentais, remoção de obstáculos e a erradicação de aflições através da prática de yoga.
O capuz acima da cabeça é uma garantia da proteção de Adisesa, rei das serpentes. Esta proteção permanece para o praticante sempre, desde que ele se renda ao Senhor, que é representado pelo atmanjali mudra, as mãos postas em namaskara. O Bhagavatam narra a história do nascimento do senhor Krsna. Uma vez que Vasudeva foi alertada pelos Deuses celestes que seu oitavo filho, Krsna, será morto por Kamsa, ele o conduz de Mathura a Gokul para protegê-lo do demônio Kamsa. O rio Yamuna se inunda porque chovia cântaros. Nesse momento oportuno, Adisesa protegeu Vasudeva e o infante Krsna segurando o capuz acima deles como um guarda-chuva e
fez surgir um caminho, bem no meio do rio, para que Vasudeva pudesse cruzá-lo facilmente.
O senhor Patañjali indica com seu capuz que é nosso protetor, desde que destruamos com a espada do yoga os malefícios ocultos dentro de nós, purificando-nos por meio do sadhana do yoga.
A cobra de mil cabeças, sahasra sirasam svetam, indica que Patañjali nos guia de mil maneiras, mostrando-nos vários métodos de prática e a abordagem para encontrar a Alma dentro de nós mesmos.
A imagem de Patañjali mostra-o como metade homem e metade-serpente. A forma humana indica a individualidade do homem, uma vez que ele é dotado de inteligência para usar seus próprios esforços para atingir a meta. A forma da serpente sugere o movimento e a continuidade de sadhana, que não pode terminar até que o objetivo seja alcançado.
Patañjali nos indica mover-nos como uma serpente, intensa, silenciosa e rapidamente no caminho do yoga e ser um tivrasamvegin, o tipo final de aluno.
Se você tiver entendido o significado, ofereça suas preces com mente suplicante, de modo que você saiba o que o sábio Patañjali quer dizer com tajjapah tadarthabhavanam, que significa recitar as orações, consciente, devotada e repetidamente.
Falemos agora de algumas das qualidades de Patañjali, de acordo com suas obras. Patañjali é uma personalidade imortal, versátil, um mestre de conhecimentos diversos com qualidades divinas. Ele é um dharmin, virtuoso e piedoso em suas ações, um tapasvin, bhaktin, sannyasin e
devoto praticante. É um artista, hábil dançarino, cientista, matemático, astrônomo, erudito, físico,
psicólogo, biólogo, neurologista, cirurgião, médico qualificado e um educador por excelência. É uma encarnação das gloriosas qualidades desraddha, virya e vairagya. É um especialista no tempo cronológico e psicológico, bem como na ciência da gravidade. Ele transcende
purusarthas, ou seja, dharma, artha, kama e moksa, bem como prakriti. Tem memória insuperável e é bem versado na natureza e suas funções. E ainda assim, permanece um ser puro, um perfeito siddhan, uma Alma realizada. Todas essas qualidades impregnam a vida de Patañjali.
Isto não é um exagero. Os siddhis mencionados no Vibhuti Pada dizem respeito a vários aspectos da existência, do cosmos, do corpo, da mente e carregam a marca de sua autêntica e profunda experiência. Deixe-me concluir esta viagem imortal, queridos sadhakas, com um anjali, uma oferta sublime. A em nós mesmos deveria crescer com a compreensão. Quando o ego começa a dissolver-se, os olhos começam a ver a grandeza dos ensinamentos inspirados por um dos
pensadores mais originais que existiu. Nós somos mortais e Patañjali é imortal.
Assim como um rio não retém sua individualidade quando se une com o mar, que por meio de nossas práticas nos unamos ao rio de luz do yoga, que nos foi transmitido por Sri Patañjali.
Hari om tatsat
*Agradecimento especial ao BKS Iyengar Yoga Institute Amsterdam. Artigo re-postado em 4/2/2018 em https://plus.google.com/+bksiyengaryogashala/posts/ZYYQNc9fdkf

A INVOCAÇÃO A PATAÑJALI

A invocação começa com aum. Aum é o primeiro som primordial, um adi nada, um som melodioso, sonoro e sublime. As três sílabas – A, U, M – representam toda a gama de sons e de criação. Eles representam sonhar acordado e os estados de consciência do sono. O crescente simboliza o estado transcendental. Aum é pranava, que significa o exaltado, insuperável louvor ao princípio Supremo, à divindade. De acordo com Patañjali, ele simboliza Ísvara, a divindade tasya vacakah pranavah.

Sendo a fonte de todas as energias,aum é proferido como um começo auspicioso. Nenhuma atividade sagrada será completa, profunda e perfeita sem que se efetive a graça Suprema e aum é a principal invocação para buscar essa graça.

Como a música é uma das melhores mídias para expressar sentimentos, amor e devoção, a mídiase inicia com aum. A invocação que primeiro cantamos é:

Yogenacittasyapadena vacam

Malam sarirasyacavaidyakena

Yopakarottamprvarammuninam

Patanjalimpranjaliranato’smi

Significado: saúdo ao mais nobre dos sábios, Patañjali, que nos deu o yoga para a serenidade da mente, a gramática para a pureza do discurso e a medicina para a perfeição do corpo.

A segunda parte descreve a estátua de Patañjali:

Abahupurusakaram

Sankhacakrasidharinam

Sahasrasirasamsvetam

PranamamiPatanjalim

Significado: saúdo a Patañjali, cuja parte superior do corpo tem forma humana, cujos braços seguram uma concha, um disco e uma espada, e que é coroado por uma cobra de mil cabeças. Oh!,encarnação de Adisesa, minhas humildes saudações a ti.

Os autores desta invocação são desconhecidos. Não era costume naquele tempo mencionar o nome de alguém como autor ou escritor. No entanto, alguns livros tradicionais mencionam que abahu purusakaramfoi escrito pelo rei Bhojadeva em 1.100 D.C., autor de Rajamartanda Vrtti, um comentário sobre os Yoga Sutras.

Cada aspecto da estátua de Patañjali carrega um significado, como os sutrassão intrincadamente redigidos.Quando se contempla a estátua do sábio Patañjali, vê-se três e meia espiraisabaixo do umbigo. As três espirais indicam o pranava aum, um símbolo místico que transmite o conceito de Deus como criador, organizador e destruidor. Ele o represeta como onipresente, onipotente e onisciente. Aum é composto de três sílabas, A, U e M com um crescente e um ponto na parte superior.

As três espirais completas simbolizam as sílabas e a meia espiral, o crescente. Elas também representam os trêsgunas de prakrti, denominados sattva, rajasetamas, e a aspiração por alcançar o estado de trigunatita, que é um estado transcendente. O sábio Patañjali convida a nossa atenção para os três tipos de aflições, denominadasadhyatmika, adhibhautika e adhidaivika, que devem ser conquistadaspor meio do caminho do yoga. As três espirais indicam que ele é um mestre doyoga, gramática e ayurveda. Ameia espiral indica o atingimento do estado de kaivalya.

A concha na mão esquerda significa o estado de alerta, atenção e prontidão para encararos obstáculos que são inevitáveis na prática do yoga. Antigamente, a concha explodiu como um aviso para a prepararação para enfrentar catástrofes ou calamidades, como é feito hoje em dia com as sirenes. É também um símbolo de jnana.

O disco na mão direita significa o esforço supremo para a destruição da ignorância e é um símbolo de proteção. A espada, escondida na cintura, indica a eliminação do ego, do orgulho ou do sentimento do “Eu”, que é o principal obstáculo que cobreo ser puro. É uma espada de jnana para derrotar ajnana. Estas três armas também indicam a contenção das flutuações mentais, a remoção de obstáculos e a erradicação de aflições através da prática de yoga.

O capuz acima da cabeça é uma garantia da proteção de Adisesa, rei das serpentes. Esta proteção permanece para o praticante sempre, desde que ele se renda ao Senhor, que é representado pelo atmanjali mudra, as mãos postas em namaskara. O Bhagavatam narra a história do nascimento do senhor Krsna. Uma vez que Vasudeva foi alertada pelos Deuses celestes que seu oitavo filho, Krsna, será morto por Kamsa, ele o conduz de Mathura a Gokul para protegê-lo do demônio Kamsa. O rio Yamuna se inunda porque chovia cântaros. Nesse momento oportuno, Adisesa protegeu Vasudeva e o infante Krsna segurando o capuz acima deles como um guarda-chuva e fez surgir um caminho, bem no meio do rio, para que Vasudeva pudesse cruzá-lo facilmente.

O senhor Patañjali indica com seu capuz que é nosso protetor, desde que destruamoscom aespada do yogaos malefíciosocultos dentro de nós, purificando-nos por meio do sadhana do yoga.

A cobra de mil cabeças, sahasra sirasam svetam, indica que Patañjali nos guia de mil maneiras, mostrando-nos vários métodos de prática e a abordagem para encontrar a Alma dentro de nós mesmos.

A imagem de Patañjali mostra-o como metade homem e metade-serpente. A forma humana indica a individualidade do homem, uma vez que ele é dotado de inteligência para usar seus próprios esforços para atingir a meta. A forma da serpente sugere o movimento e a continuidade de sadhana, que não pode terminar até que o objetivo seja alcançado.

Patañjali nos indica mover-nos como uma serpente, intensa, silenciosa e rapidamente no caminho doyoga e ser um tivrasamvegin, o tipo finalde aluno.

Se você tiver entendido o significado, ofereça suas preces com mente suplicante, de modo que você saiba o que o sábio Patañjali quer dizer comtajjapah tadarthabhavanam, que significa recitar as orações, consciente, devotada e repetidamente.

Falemos agora de algumas das qualidades de Patañjali, de acordo com suas obras. Patañjali é uma personalidade imortal, versátil, um mestre de conhecimentos diversos com qualidades divinas. Ele é um dharmin, virtuoso e piedoso em suas ações, um tapasvin, bhaktin, sannyasin e devoto praticante. É um artista, hábil dançarino, cientista, matemático, astrônomo, erudito, físico, psicólogo, biólogo, neurologista, cirurgião, médico qualificado e um educador por excelência. É uma encarnação das gloriosas qualidades desraddha, virya e vairagya. É um especialista no tempo cronológico e psicológico, bem como na ciência da gravidade. Ele transcende purusarthas, ou seja, dharma, artha, kama e moksa, bem como prkriti. Tem memória insuperável e é bem versado na natureza e suas funções. E ainda assim, permanece um ser puro, um perfeito siddhan, uma Alma realizada. Todas essas qualidades impregnam a vida de Patañjali.

Isto não é um exagero. Os siddhis mencionados no Vibhuti Pada dizem respeito a vários aspectos da existência, do cosmos, do corpo, da mente e carregam a marca de sua autêntica e profunda experiência. Deixe-me concluir esta viagem imortal, queridos sadhakas, com um anjali, uma oferta sublime. A fé em nós mesmos deveria crescer com a compreensão. Quando o ego começa a dissolver-se, os olhos começam a ver a grandeza dos ensinamentos inspirados por um dos pensadores mais originais que já existiu. Nós somos mortais e Patañjali é imortal.

Assim como um rio não retém sua individualidadequando se une com o mar, que por meio de nossas práticas nos unamos ao rio de luz do yoga, que nos foi transmitido por Sri Patañjali.

Hari om tatsat

*Agradecimento especial ao BKS Iyengar Yoga Institute Amsterdam. Artigo re-postado em 4/2/2018 em https://plus.google.com/+bksiyengaryogashala/posts/ZYYQNc9fdkf

 

 “Caminhem na estrada da virtude.”

 “Caminhem na estrada da virtude.”

O tema para o ano do centenário do nascimento do Guruji é o sūtra 2.28 dos Yoga Sūtras de Patañjali:

योगाङ्गाऽनुष्ठानादशुद्धिक्षये ज्ञानदीप्तिराविवेकख्यातेः I

yogāṅgānuṣthānāt aśuddhikṣaye jñanadīptiḥ āvivekakhyāteḥ

Por meio da prática dedicada (ānuṣthānāt) dos vários aspectos do yoga (yogāṅga) são destruídas (kṣaye) as impurezas (aśuddhi) e a coroa da sabedoria irradia (jñanadīptiḥ) em sua glória (āviveka-khyāteḥ).

🕉 Amita Bhagat gentilmente compartilhou trechos da palestra ministrada por Geetaji durante a abertura das comemorações do centenário:

“Guruji questionava por quê razão, durante a prática de āsanas não pensamos na integralidade do ser – físico, pisquê, mente e espírito. Como a mente vai para a postura e se sente presente em todas as partes do āsana. Guruji fazia com que a totalidade de prakṛiti se movesse.”

“A nova geração deveria receber a mensagem de Guruji de maneira apropriada. O conhecimento deve ser passado adiante corretamente compreendido. Não façam seja lá o que querem fazer. Ele era criativo, mas sua criatividade não era tola – havia prova de inteligência por trás de sua criatividade.”

“Para trazer religiosidade para a prática e ser honesto ao enfoque do Guru, Guruji seguiu seu Guru embora somente tenha estado com ele por dois anos. Pelo tão só fato dele ter criado seu método, não significa que nós podemos criar qualquer coisa que queiramos. Temos que seguir o que ele nos ensinou. É nossa responsabilidade preservar o que ele nos deu.”

“Se você pensa que Iyengar Yoga se refere apenas ao nível físico, está errado. Sua abordagem visava nos informar sobre a importância de cada área do corpo, cada aspecto da mente, da presença integral em cada área da existência.”

“A questão é como usamos nossa inteligência. Não é sobre o prop (acessório). É sobre a inteligência do corpo, a inteligência da mente, a inteligência da percepção e a inteligência da consciência. Como transmitir este conhecimento. De outro modo, o trabalho dele será perdido.”

“Caminhem na estrada da virtude.”

 

Postagem de Amita Bhagat (@ BKS Iyengar Yogashala Pune) traduzida por Marcia Neves Pinto

APROFUNDANDO A PRÁTICA DO YOGA

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(por Marcia Neves Pinto)

A reflexão do primeiro dia do intensivo para professores de Eyal Schifroni foi uma continuação da proposta da indagação diária de nossas motivações para a prática de yoga. O Prof. Eyal comenta que as técnicas de yoga são muito importantes, especialmente no método proposto por B. K. S. Iyengar, mas que temos que contextuá-las em todo esse arcabouço que forma a ciência, a arte e a filosofia do yoga.

Quando iniciamos a prática de yoga, é só mais uma forma de exercício, uma ginástica – exótica, mas é… Mas na medida em que progredimos, yoga vai se revelando muito mais do que práticas de posturas e respiração, vai se tornando uma forma de pensar, de agir, de viver. A maioria de nós começa estudando o corpo mas, em algum momento, passa a estudar a mente. Yoga, na verdade, é o estudo da mente, suas capacidades e limitações. O texto que lhe dá embasamento – os Yoga Sutras de Patañjali – é conhecido como um verdadeiro tratado de psicologia.

Há muita profundidade na prática dos yamas, niyamas, asanas e pranayama, se fazemos dela um laboratório de pesquisas de nós mesmos. A permanência nos asanas nos permite observar o corpo, a respiração, a mente e a relação entre eles.

Em Árvore da Vida, Guruji diz: “O corpo não pode ser separado da mente, nem a mente pode ser separada da alma.” E prossegue: “Se você, como principiante, observar o esforço envolvido na realização da postura e continuar observando-o à medida que progride, verá que esse esforço diminui a cada dia, embora o nível de realização do asana esteja melhorando. (…). Conforme vai trabalhando, você pode sentir desconforto por causa da imprecisão de sua postura. Para que isso não ocorra, você precisa aprendê-la e assimilá-la. Tem de fazer um esforço de entendimento e de observação. (…). O ioga requer análise durante a ação.”

“A mente age como uma ponte entre o movimento muscular e a ação dos órgãos de percepção, introduzindo o intelecto e ligando-o a todas as partes do corpo – fibras, tecidos e células (…), surgindo uma nova percepção. Observamos com atenção e lembramos a sensação da ação. Discriminamos com a mente. A mente discriminativa observa e analisa a sensação das diversas partes do corpo. “Finalmente, quando existe uma sensação total da ação sem quaisquer flutuações do alongamento, então a ação cognitiva, a ação mental e a ação reflexiva se reúnem todas para compor a conscientização plena (…). Essa é a prática espiritual do ioga.”

Quando a postura se torna contemplativa, atingimos o estado mais elevado de contemplação no asana, o que envolve a integração do corpo, da respiração, dos sentidos, da mente, da inteligência (ou do conhecimento) e do Eu com a totalidade da existência. Patañjali diz que, quando um asana é realizado corretamente, as dualidades entre corpo e mente, mente e alma, desaparecem. Isso é conhecido como repouso na permanência, reflexão durante a ação.

Diz Guruji: “Há dois tipos de prática de ioga. Quando você está totalmente envolvido, sem o reflexo de impressões passadas, ajustando-se e agindo passo a passo rumo à perfeição e à precisão, ele se torna espiritual. Se você estiver oscilando, se sua mente estiver divagando ou existir uma diferença entre você, seu corpo, sua mente e seus pensamentos, então esse ioga é sensual, embora o esteja praticando sob a designação de espiritual.

Voltamos, então, à segunda proposta de indagação pessoal diária, que se traduz na análise do modo como estabelecemos nossa prática de yoga, cabendo examinar o seguinte tripé para poder responder a esta questão: (1) intenção, (2) atitude e (3) aplicação. A intenção tem a ver com as razões pelas quais praticamos, com o que queremos obter por meio da prática, aferindo se estas intenções guardam sintonia com a meta do yoga, yoga citta vrtti nirodhah (I.2). Isto é, nossa prática está na direção da estabilização da nossa mente, na pacificação da torrente incessante de pensamentos que nos assomam? Ou nossa prática tem outros motivos ocultos, tais como poder, beleza, fonte de sustento, flexibilidade? É importante manter uma intenção correta e pura no caminho do yoga.

A atitude guarda relação com a forma como nos aproximamos da prática. É preciso notar que há uma diferença entre praticarmos em um grupo e praticarmos sozinhos: em grupo, além da interação com outros, abre-se espaço para a comparação, competição, vaidade, orgulho, e podemos observar nossa tendência à necessidade de aprovação, de impressionar os outros e até mesmo de nos sentirmos inferiorizados em relação aos outros (ou o contrário…). Por outro lado, quando praticamos sós, nossas tendências emocionais vêm à tona: indisciplina, impaciência, agressividade, preguiça, acomodação. É um outro terreno de observação: como nossa mente opera quando ninguém está olhando. E em yoga temos que aprender a nos desidentificarmos com a mente para observar a mente como objeto.

“Asana quer dizer postura, que é a arte de posicionar o corpo todo com uma certa atitude física, mental e espiritual. As posturas têm dois aspectos: a permanência e o repouso. A permanência implica ação (…). Repousar significa refletir sobre a postura. A postura é repensada e reajustada, para que os vários membros e segmentos corporais sejam posicionados em seus devidos lugares na ordem certa, e a sensação seja de descanso e apaziguamento, enquanto a mente experimenta a tranquilidade e a calma dos ossos, das articulações, dos músculos, das fibras, das células. (…)

Quando essa sensibilidade está igualmente em contato com o corpo, a mente e a alma, entramos em estado de contemplação ou meditação, conhecido como asana. As dualidades entre corpo e mente, mente e alma, são vencidas ou destruídas.”

Mas a atitude tem ainda relação com outras indagações:

  • Praticamos por praticar ou para aprender? Prashant Iyengar costuma dizer que não saímos da prática do fazer, quando deveríamos adotar a cultura de praticar para aprender.
  • Praticamos com a mente aberta ou dogmaticamente? Geeta Iyengar diz que a maturidade em yoga é saber que também há outros sistemas, valorá-los, assim como à sabedoria existente neles.” Há muitas maneiras corretas (evidente que há também as incorretas). O estudo é, justamente, a exploração, a investigação, o uso da sensibilidade, contraposto à possibilidade da prática mecânica, automática.

Por fim, a aplicação se refere a como aplicamos o conhecimento obtido com a prática de yoga por meio da técnica, do exame da intenção e da atitude. Significa dizer, aferir de conseguimos tornar esse conhecimento em habilidade de praticar de maneira correta. Se sabemos como praticar quando temos uma lesão, como deveria ser a prática pela manhã e pela noite, ou se estamos cansados, deprimidos ou agitados. Enfim, se nosso conhecimento nos permite estabelecer uma prática correta diária contínua, não importa sob que circunstância nos encontremos em nossas vidas naquele dado momento.

Explica Guruji em Árvore no Ioga: “Se meu cérebro está cansado, faço halasana e recupero minha energia; se é meu corpo que está cansado, faço meio halasana e revigoro as células. Talvez vocês, mesmo cansados, façam posturas em pé. Já estão cansados e ainda se excedem no alongamento das posturas; naturalmente, ficarão ainda mais cansados. Vocês devem usar o bom senso: o que fazer, quanto fazer, quando fazer.”

A prática pessoal é muito importante porque é o momento em que nos encontramos conosco mesmos. A prática deve culminar, segundo Patañjali, no vislumbre da alma. Ao atingir esse estado, você desenvolve uma consciência madura conhecida como inteligência experiente ou madura, que não se abala, e você se torna um só com a essência do seu ser.

Diz Guruji, no mesmo livro: “Quando o corpo, a mente e os sentidos são limpos por tapas (zelo e autodisciplina baseados no desejo ardente), e quando o entendimento do eu foi atingido por meio de svadhyaya (autoexame), só então é que o indivíduo está apto para Isvara-pranidhana (entregar-se a Deus). Ele já anulou seu orgulho e desenvolveu humildade, e somente essa alma humilde é condizente com bhakti-marga, o caminho da devoção. Dessa maneira, percebemos que Patanjali não se esqueceu nem de karma-marga, o caminho da ação, nem de jñana-marga, o caminho do conhecimento, nem de bhakti-marga, o caminho da devoção.”