Arquivo da categoria: GEETA E PRASHANT S. IYENGAR

A INVOCAÇÃO A PATAÑJALI

A invocação começa com aum. Aum é o primeiro som primordial, um adi nada, um som melodioso, sonoro e sublime. As três sílabas – A, U, M – representam toda a gama de sons e de criação. Eles representam sonhar acordado e os estados de consciência do sono. O crescente simboliza o estado transcendental. Aum é pranava, que significa o exaltado, insuperável louvor ao princípio Supremo, à divindade. De acordo com Patañjali, ele simboliza Ísvara, a divindade tasya vacakah pranavah.

Sendo a fonte de todas as energias,aum é proferido como um começo auspicioso. Nenhuma atividade sagrada será completa, profunda e perfeita sem que se efetive a graça Suprema e aum é a principal invocação para buscar essa graça.

Como a música é uma das melhores mídias para expressar sentimentos, amor e devoção, a mídiase inicia com aum. A invocação que primeiro cantamos é:

Yogenacittasyapadena vacam

Malam sarirasyacavaidyakena

Yopakarottamprvarammuninam

Patanjalimpranjaliranato’smi

Significado: saúdo ao mais nobre dos sábios, Patañjali, que nos deu o yoga para a serenidade da mente, a gramática para a pureza do discurso e a medicina para a perfeição do corpo.

A segunda parte descreve a estátua de Patañjali:

Abahupurusakaram

Sankhacakrasidharinam

Sahasrasirasamsvetam

PranamamiPatanjalim

Significado: saúdo a Patañjali, cuja parte superior do corpo tem forma humana, cujos braços seguram uma concha, um disco e uma espada, e que é coroado por uma cobra de mil cabeças. Oh!,encarnação de Adisesa, minhas humildes saudações a ti.

Os autores desta invocação são desconhecidos. Não era costume naquele tempo mencionar o nome de alguém como autor ou escritor. No entanto, alguns livros tradicionais mencionam que abahu purusakaramfoi escrito pelo rei Bhojadeva em 1.100 D.C., autor de Rajamartanda Vrtti, um comentário sobre os Yoga Sutras.

Cada aspecto da estátua de Patañjali carrega um significado, como os sutrassão intrincadamente redigidos.Quando se contempla a estátua do sábio Patañjali, vê-se três e meia espiraisabaixo do umbigo. As três espirais indicam o pranava aum, um símbolo místico que transmite o conceito de Deus como criador, organizador e destruidor. Ele o represeta como onipresente, onipotente e onisciente. Aum é composto de três sílabas, A, U e M com um crescente e um ponto na parte superior.

As três espirais completas simbolizam as sílabas e a meia espiral, o crescente. Elas também representam os trêsgunas de prakrti, denominados sattva, rajasetamas, e a aspiração por alcançar o estado de trigunatita, que é um estado transcendente. O sábio Patañjali convida a nossa atenção para os três tipos de aflições, denominadasadhyatmika, adhibhautika e adhidaivika, que devem ser conquistadaspor meio do caminho do yoga. As três espirais indicam que ele é um mestre doyoga, gramática e ayurveda. Ameia espiral indica o atingimento do estado de kaivalya.

A concha na mão esquerda significa o estado de alerta, atenção e prontidão para encararos obstáculos que são inevitáveis na prática do yoga. Antigamente, a concha explodiu como um aviso para a prepararação para enfrentar catástrofes ou calamidades, como é feito hoje em dia com as sirenes. É também um símbolo de jnana.

O disco na mão direita significa o esforço supremo para a destruição da ignorância e é um símbolo de proteção. A espada, escondida na cintura, indica a eliminação do ego, do orgulho ou do sentimento do “Eu”, que é o principal obstáculo que cobreo ser puro. É uma espada de jnana para derrotar ajnana. Estas três armas também indicam a contenção das flutuações mentais, a remoção de obstáculos e a erradicação de aflições através da prática de yoga.

O capuz acima da cabeça é uma garantia da proteção de Adisesa, rei das serpentes. Esta proteção permanece para o praticante sempre, desde que ele se renda ao Senhor, que é representado pelo atmanjali mudra, as mãos postas em namaskara. O Bhagavatam narra a história do nascimento do senhor Krsna. Uma vez que Vasudeva foi alertada pelos Deuses celestes que seu oitavo filho, Krsna, será morto por Kamsa, ele o conduz de Mathura a Gokul para protegê-lo do demônio Kamsa. O rio Yamuna se inunda porque chovia cântaros. Nesse momento oportuno, Adisesa protegeu Vasudeva e o infante Krsna segurando o capuz acima deles como um guarda-chuva e fez surgir um caminho, bem no meio do rio, para que Vasudeva pudesse cruzá-lo facilmente.

O senhor Patañjali indica com seu capuz que é nosso protetor, desde que destruamoscom aespada do yogaos malefíciosocultos dentro de nós, purificando-nos por meio do sadhana do yoga.

A cobra de mil cabeças, sahasra sirasam svetam, indica que Patañjali nos guia de mil maneiras, mostrando-nos vários métodos de prática e a abordagem para encontrar a Alma dentro de nós mesmos.

A imagem de Patañjali mostra-o como metade homem e metade-serpente. A forma humana indica a individualidade do homem, uma vez que ele é dotado de inteligência para usar seus próprios esforços para atingir a meta. A forma da serpente sugere o movimento e a continuidade de sadhana, que não pode terminar até que o objetivo seja alcançado.

Patañjali nos indica mover-nos como uma serpente, intensa, silenciosa e rapidamente no caminho doyoga e ser um tivrasamvegin, o tipo finalde aluno.

Se você tiver entendido o significado, ofereça suas preces com mente suplicante, de modo que você saiba o que o sábio Patañjali quer dizer comtajjapah tadarthabhavanam, que significa recitar as orações, consciente, devotada e repetidamente.

Falemos agora de algumas das qualidades de Patañjali, de acordo com suas obras. Patañjali é uma personalidade imortal, versátil, um mestre de conhecimentos diversos com qualidades divinas. Ele é um dharmin, virtuoso e piedoso em suas ações, um tapasvin, bhaktin, sannyasin e devoto praticante. É um artista, hábil dançarino, cientista, matemático, astrônomo, erudito, físico, psicólogo, biólogo, neurologista, cirurgião, médico qualificado e um educador por excelência. É uma encarnação das gloriosas qualidades desraddha, virya e vairagya. É um especialista no tempo cronológico e psicológico, bem como na ciência da gravidade. Ele transcende purusarthas, ou seja, dharma, artha, kama e moksa, bem como prkriti. Tem memória insuperável e é bem versado na natureza e suas funções. E ainda assim, permanece um ser puro, um perfeito siddhan, uma Alma realizada. Todas essas qualidades impregnam a vida de Patañjali.

Isto não é um exagero. Os siddhis mencionados no Vibhuti Pada dizem respeito a vários aspectos da existência, do cosmos, do corpo, da mente e carregam a marca de sua autêntica e profunda experiência. Deixe-me concluir esta viagem imortal, queridos sadhakas, com um anjali, uma oferta sublime. A fé em nós mesmos deveria crescer com a compreensão. Quando o ego começa a dissolver-se, os olhos começam a ver a grandeza dos ensinamentos inspirados por um dos pensadores mais originais que já existiu. Nós somos mortais e Patañjali é imortal.

Assim como um rio não retém sua individualidadequando se une com o mar, que por meio de nossas práticas nos unamos ao rio de luz do yoga, que nos foi transmitido por Sri Patañjali.

Hari om tatsat

*Agradecimento especial ao BKS Iyengar Yoga Institute Amsterdam. Artigo re-postado em 4/2/2018 em https://plus.google.com/+bksiyengaryogashala/posts/ZYYQNc9fdkf

 

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 “Caminhem na estrada da virtude.”

 “Caminhem na estrada da virtude.”

O tema para o ano do centenário do nascimento do Guruji é o sūtra 2.28 dos Yoga Sūtras de Patañjali:

योगाङ्गाऽनुष्ठानादशुद्धिक्षये ज्ञानदीप्तिराविवेकख्यातेः I

yogāṅgānuṣthānāt aśuddhikṣaye jñanadīptiḥ āvivekakhyāteḥ

Por meio da prática dedicada (ānuṣthānāt) dos vários aspectos do yoga (yogāṅga) são destruídas (kṣaye) as impurezas (aśuddhi) e a coroa da sabedoria irradia (jñanadīptiḥ) em sua glória (āviveka-khyāteḥ).

🕉 Amita Bhagat gentilmente compartilhou trechos da palestra ministrada por Geetaji durante a abertura das comemorações do centenário:

“Guruji questionava por quê razão, durante a prática de āsanas não pensamos na integralidade do ser – físico, pisquê, mente e espírito. Como a mente vai para a postura e se sente presente em todas as partes do āsana. Guruji fazia com que a totalidade de prakṛiti se movesse.”

“A nova geração deveria receber a mensagem de Guruji de maneira apropriada. O conhecimento deve ser passado adiante corretamente compreendido. Não façam seja lá o que querem fazer. Ele era criativo, mas sua criatividade não era tola – havia prova de inteligência por trás de sua criatividade.”

“Para trazer religiosidade para a prática e ser honesto ao enfoque do Guru, Guruji seguiu seu Guru embora somente tenha estado com ele por dois anos. Pelo tão só fato dele ter criado seu método, não significa que nós podemos criar qualquer coisa que queiramos. Temos que seguir o que ele nos ensinou. É nossa responsabilidade preservar o que ele nos deu.”

“Se você pensa que Iyengar Yoga se refere apenas ao nível físico, está errado. Sua abordagem visava nos informar sobre a importância de cada área do corpo, cada aspecto da mente, da presença integral em cada área da existência.”

“A questão é como usamos nossa inteligência. Não é sobre o prop (acessório). É sobre a inteligência do corpo, a inteligência da mente, a inteligência da percepção e a inteligência da consciência. Como transmitir este conhecimento. De outro modo, o trabalho dele será perdido.”

“Caminhem na estrada da virtude.”

 

Postagem de Amita Bhagat (@ BKS Iyengar Yogashala Pune) traduzida por Marcia Neves Pinto

APROFUNDANDO A PRÁTICA DO YOGA

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(por Marcia Neves Pinto)

A reflexão do primeiro dia do intensivo para professores de Eyal Schifroni foi uma continuação da proposta da indagação diária de nossas motivações para a prática de yoga. O Prof. Eyal comenta que as técnicas de yoga são muito importantes, especialmente no método proposto por B. K. S. Iyengar, mas que temos que contextuá-las em todo esse arcabouço que forma a ciência, a arte e a filosofia do yoga.

Quando iniciamos a prática de yoga, é só mais uma forma de exercício, uma ginástica – exótica, mas é… Mas na medida em que progredimos, yoga vai se revelando muito mais do que práticas de posturas e respiração, vai se tornando uma forma de pensar, de agir, de viver. A maioria de nós começa estudando o corpo mas, em algum momento, passa a estudar a mente. Yoga, na verdade, é o estudo da mente, suas capacidades e limitações. O texto que lhe dá embasamento – os Yoga Sutras de Patañjali – é conhecido como um verdadeiro tratado de psicologia.

Há muita profundidade na prática dos yamas, niyamas, asanas e pranayama, se fazemos dela um laboratório de pesquisas de nós mesmos. A permanência nos asanas nos permite observar o corpo, a respiração, a mente e a relação entre eles.

Em Árvore da Vida, Guruji diz: “O corpo não pode ser separado da mente, nem a mente pode ser separada da alma.” E prossegue: “Se você, como principiante, observar o esforço envolvido na realização da postura e continuar observando-o à medida que progride, verá que esse esforço diminui a cada dia, embora o nível de realização do asana esteja melhorando. (…). Conforme vai trabalhando, você pode sentir desconforto por causa da imprecisão de sua postura. Para que isso não ocorra, você precisa aprendê-la e assimilá-la. Tem de fazer um esforço de entendimento e de observação. (…). O ioga requer análise durante a ação.”

“A mente age como uma ponte entre o movimento muscular e a ação dos órgãos de percepção, introduzindo o intelecto e ligando-o a todas as partes do corpo – fibras, tecidos e células (…), surgindo uma nova percepção. Observamos com atenção e lembramos a sensação da ação. Discriminamos com a mente. A mente discriminativa observa e analisa a sensação das diversas partes do corpo. “Finalmente, quando existe uma sensação total da ação sem quaisquer flutuações do alongamento, então a ação cognitiva, a ação mental e a ação reflexiva se reúnem todas para compor a conscientização plena (…). Essa é a prática espiritual do ioga.”

Quando a postura se torna contemplativa, atingimos o estado mais elevado de contemplação no asana, o que envolve a integração do corpo, da respiração, dos sentidos, da mente, da inteligência (ou do conhecimento) e do Eu com a totalidade da existência. Patañjali diz que, quando um asana é realizado corretamente, as dualidades entre corpo e mente, mente e alma, desaparecem. Isso é conhecido como repouso na permanência, reflexão durante a ação.

Diz Guruji: “Há dois tipos de prática de ioga. Quando você está totalmente envolvido, sem o reflexo de impressões passadas, ajustando-se e agindo passo a passo rumo à perfeição e à precisão, ele se torna espiritual. Se você estiver oscilando, se sua mente estiver divagando ou existir uma diferença entre você, seu corpo, sua mente e seus pensamentos, então esse ioga é sensual, embora o esteja praticando sob a designação de espiritual.

Voltamos, então, à segunda proposta de indagação pessoal diária, que se traduz na análise do modo como estabelecemos nossa prática de yoga, cabendo examinar o seguinte tripé para poder responder a esta questão: (1) intenção, (2) atitude e (3) aplicação. A intenção tem a ver com as razões pelas quais praticamos, com o que queremos obter por meio da prática, aferindo se estas intenções guardam sintonia com a meta do yoga, yoga citta vrtti nirodhah (I.2). Isto é, nossa prática está na direção da estabilização da nossa mente, na pacificação da torrente incessante de pensamentos que nos assomam? Ou nossa prática tem outros motivos ocultos, tais como poder, beleza, fonte de sustento, flexibilidade? É importante manter uma intenção correta e pura no caminho do yoga.

A atitude guarda relação com a forma como nos aproximamos da prática. É preciso notar que há uma diferença entre praticarmos em um grupo e praticarmos sozinhos: em grupo, além da interação com outros, abre-se espaço para a comparação, competição, vaidade, orgulho, e podemos observar nossa tendência à necessidade de aprovação, de impressionar os outros e até mesmo de nos sentirmos inferiorizados em relação aos outros (ou o contrário…). Por outro lado, quando praticamos sós, nossas tendências emocionais vêm à tona: indisciplina, impaciência, agressividade, preguiça, acomodação. É um outro terreno de observação: como nossa mente opera quando ninguém está olhando. E em yoga temos que aprender a nos desidentificarmos com a mente para observar a mente como objeto.

“Asana quer dizer postura, que é a arte de posicionar o corpo todo com uma certa atitude física, mental e espiritual. As posturas têm dois aspectos: a permanência e o repouso. A permanência implica ação (…). Repousar significa refletir sobre a postura. A postura é repensada e reajustada, para que os vários membros e segmentos corporais sejam posicionados em seus devidos lugares na ordem certa, e a sensação seja de descanso e apaziguamento, enquanto a mente experimenta a tranquilidade e a calma dos ossos, das articulações, dos músculos, das fibras, das células. (…)

Quando essa sensibilidade está igualmente em contato com o corpo, a mente e a alma, entramos em estado de contemplação ou meditação, conhecido como asana. As dualidades entre corpo e mente, mente e alma, são vencidas ou destruídas.”

Mas a atitude tem ainda relação com outras indagações:

  • Praticamos por praticar ou para aprender? Prashant Iyengar costuma dizer que não saímos da prática do fazer, quando deveríamos adotar a cultura de praticar para aprender.
  • Praticamos com a mente aberta ou dogmaticamente? Geeta Iyengar diz que a maturidade em yoga é saber que também há outros sistemas, valorá-los, assim como à sabedoria existente neles.” Há muitas maneiras corretas (evidente que há também as incorretas). O estudo é, justamente, a exploração, a investigação, o uso da sensibilidade, contraposto à possibilidade da prática mecânica, automática.

Por fim, a aplicação se refere a como aplicamos o conhecimento obtido com a prática de yoga por meio da técnica, do exame da intenção e da atitude. Significa dizer, aferir de conseguimos tornar esse conhecimento em habilidade de praticar de maneira correta. Se sabemos como praticar quando temos uma lesão, como deveria ser a prática pela manhã e pela noite, ou se estamos cansados, deprimidos ou agitados. Enfim, se nosso conhecimento nos permite estabelecer uma prática correta diária contínua, não importa sob que circunstância nos encontremos em nossas vidas naquele dado momento.

Explica Guruji em Árvore no Ioga: “Se meu cérebro está cansado, faço halasana e recupero minha energia; se é meu corpo que está cansado, faço meio halasana e revigoro as células. Talvez vocês, mesmo cansados, façam posturas em pé. Já estão cansados e ainda se excedem no alongamento das posturas; naturalmente, ficarão ainda mais cansados. Vocês devem usar o bom senso: o que fazer, quanto fazer, quando fazer.”

A prática pessoal é muito importante porque é o momento em que nos encontramos conosco mesmos. A prática deve culminar, segundo Patañjali, no vislumbre da alma. Ao atingir esse estado, você desenvolve uma consciência madura conhecida como inteligência experiente ou madura, que não se abala, e você se torna um só com a essência do seu ser.

Diz Guruji, no mesmo livro: “Quando o corpo, a mente e os sentidos são limpos por tapas (zelo e autodisciplina baseados no desejo ardente), e quando o entendimento do eu foi atingido por meio de svadhyaya (autoexame), só então é que o indivíduo está apto para Isvara-pranidhana (entregar-se a Deus). Ele já anulou seu orgulho e desenvolveu humildade, e somente essa alma humilde é condizente com bhakti-marga, o caminho da devoção. Dessa maneira, percebemos que Patanjali não se esqueceu nem de karma-marga, o caminho da ação, nem de jñana-marga, o caminho do conhecimento, nem de bhakti-marga, o caminho da devoção.”

COMO RECONHECER A PERFEIÇÃO EM UM ASANA?

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(por Marcia Neves Pinto)

Hoje a aula do Prof. Senior Eyal Schifroni teve como fio condutor (sūtra) a estabilidade em um asana. 

No livro Mobility in Stability, Geeta S. Iyengar[1], diz que Patañjali nos deu a metodologia para alcançar a estabilidade e que a metodologia se encontra no sūtra I.12:

“abhyāsa vairāgyābhyāṁ tannirodhaḥ”

No sūtra seguinte Patañjali define que tipo de mobilidade se faz necessária:

“I.13 – tatra sthitau yatnaḥ abhyāsaḥ”

Esforço contínuo (yatha) e estável (sthitau) na prática dos oito aspectos do yoga até que se atinja o estado nirvṛttika

E o sūtra I.14 esclarece de que tipo de esforço se está falando: sa tu dīrghakāla nairantarya satkārāsevitaḥ dṛḍhabhūmiḥ, isto é, o processo contínuo e estável. Donde a prática (abhyāsa) precisa ser feita por um longo tempo, sem interrupções, com humildade e dedicação. Como praticantes de yoga temos que nos lembrar destas linhas em todos os momentos de nossas práticas, inclusive na prática dos āsanas: o āsana deve ser estável.

Estabilidade em um āsana não significa simplesmente congelarmos as ações físicas. Patañjali alude à estabilidade em um āsana no sūtra II.46, dizendo: sthira sukham āsanam, isto é, āsana é a perfeita firmeza do corpo, estabilidade da inteligência e benevolência do espírito. Assim, independentemente de qual āsana estamos praticando, ele deve ser feito com firmeza, estabilidade e empenho físico; boa vontade da inteligência mental; consciência e satisfação da inteligência do coração. Isto é como um āsana deveria ser entendido, praticado e experimentado. A prática de um āsana deveria nos nutrir e iluminar.

E, finalmente, nos perguntou o mestre:  como reconhecer a perfeição em um āsana? Ela é definida por Patañjali no sūtra II.47 como prayatnasaithilyānantasamāpattibhyām, isto é, a perfeição é obtida em um āsana quando o esforço para praticá-lo deixa de existir, isto é, quando a perseverança no esforço não é mais necessária, e o ser infinito é alcançado. A perseguição esforçada da perfeição não é mais necessária quando chegamos ao platô da estabilidade, a dizer, a mobilidade cessa porque alcançada a estabilidade na postura. Quando isso ocorre é porque o praticante atingiu um estado de equilíbrio, atenção, extensão, difusão e relaxamento simultâneos no corpo e na inteligência e estes se fundiram à alma, isto é, atingiu yoga.

 

[1] 1st Published 2012 by YOG, Mumbai, Índia.

THE ASANA SUTRAS AND AN UPDATE ON POST PUNE PRACTICE

The Asana Sutras and an Update on Post Pune Practice

http://teachingphilosophyandyoga.blogspot.com.br/2014/09/the-asana-sutras-and-update-on-post.html

2.46 sthira-sukham āsanam
Asana is perfect firmness of body, steadiness of intelligence and benevolence of spirit. (I)

Asana should be steady and comfortable. (B)

2.47 prayatna-śaithilyānanta-samāpattibhyām
Perfection in an asana is achieved when the effort to perform it becomes effortless and the infinite being within is reached.

[Such posture  should be be attained] by the relaxation of effort and by absorption in the infinite (B).

2.48 tato dvandvānabhighātaḥ
From then on, the sadhaka is undisturbed by dualities. (I)

From this, one is not afflicted by the dualities of the opposites. (B)

I realize  I’ve not been blogging as much lately and that  I have  been going through padas  I and II quickly. Mostly, I have been posting chunks that are related to each other topic wise and not saying much about them.  Once I  get to Pada III  again, I’ll slow down because  I will have to start adding in the diacritical marks myself rather than copying and pasting from the work Jeff has done.  I was working a lot with Pada  III  before going to Pune, but took a break  from that while I was there.   It will be good to get back to that work of  learning new sutras.   Pada IV  I’ve worked with  not much at all.

Also, I have not felt all that inspired about writing about yoga philosophy lately.  Obviously, not having the daily dose of Prashant puts me in a different context,  but I’ve also been writing more  “regular”  philosophy.

(As an aside,  even though feeling inspired to write,  having a burning desire to say something, to express ideas that come to mind,  is  wonderful,  in the larger context,   I don’t think it really matters if one feels inspired to write or  study. One should still do it and that doing it is a large part of making the inspiration happen.  The muse has to know where to show up each day, so to speak)

Anyway,  I have however,  been doing a good bit of  asana  lately, so   here are some comments on  Asana  two months after two months in Pune.   I definitely have more  ease is some poses that have been ongoingly difficult for  me.  Twists,  particularly on the left side are  coming much better,  Padmasana is more accessible  and my backbends  are  quite a bit stronger.  All the groin work I’ve been doing has led me to the realization of how important the leg actions are in  backward bending and once I’ve been getting my legs (hamstrings,  buttock tailbone)  more involved  paired with more open front groins  that’s been taking a lot of the effort out of my wrists and shoulders.     Also, I’m more “interested” in practice.   it is  still  a challenge to do  as much yoga as I was  doing there,  but  I am managing  between 2 and 3 hours  plus morning pranayama and whatever I do teaching wise.

I feel like my life has been on a more  even keel  since  I came back from  Pune.  A bit more steadiness in practice,  a bit more   effortless effort  does seem to be leading to being  less  affected by duality. I also think I had a great deal of anxiety about the trip itself,  leaving for that long, the logistics of  travel  etc  and  that’s simply not there anymore  and happily some new  anxiety has not emerged in its place.

Yesterday in  Devon’s class  we did a lot of malasana at the  beginning of  class  some  AMS, AMVrk and  a long time in Sirsasana   (Parsva Sirsasana, and Parsvaikapada variations)  and a lot of versions of  B1  followed by M1  and  my M1  was about the best I’ve ever done.   I’ve been having a lot of  experiences of  “wow, that’s the best I’ve done that pose”  lately.   Of course other poses,  like the right side of Ardha Matysendrasana seems  still  awful, even though I got the most solid grip on my toe on the left side that I’ve ever gotten.   Sarvangasana felt  truly transcendent after all those  twists.

Another benefit of more focus on asana  is that I do find myself inspired about sequencing.  Sequences come to my mind.   I want to explore different relationships of poses and ways to work them and I’m eager to share those explorations with my students.

Posted by Anne-Marie Schultz at 6:09 AM

Labels: Life post Pune 2014, practice remains., Sutra study

PRASHANT ON TRUE BEING

Prashant on True Being

http://teachingphilosophyandyoga.blogspot.com.br/2014/07/prashant-on-true-being.html

“What if, in your sleep, you went to heaven and there plucked a strange and beautiful flower? And what if, when you awoke, you had the flower in your hand? Ah, what then?”

~Samuel Taylor Coleridge

My old friend and former yoga student from Waco, Marie Martin, posted this as her Facebook Status today. Marie and her best friend, Pam, (another good friend and former yoga student), picked me up from Dallas on my return from India in 2007. (The sisterly pod had recently separated and Christina went onto Atlanta to meet up with Kelly and Mom and Dad who were still in Lavonia) and I waited for Marie and Pam to arrive. I was really alone for the first time in a month. An hour or so later, Marie and Pam swooped in from the outlet malls. I managed to stay awake long enough to crawl into the back of Pam’s Land Rover and fell sound asleep. 2.5 hours later I was in my house in Waco. They were both good friends to me at a very different and difficult time in my life.

Anyway, that seems like another lifetime ago. Almost another person ago.  Another I ago.  I hadn’t moved to Austin yet, hadn’t met Jeff, was still a cat person (3 – now I have 0) wasn’t a dog person, didn’t have Milo. Hadn’t finished my book. Wasn’t full professor, wasn’t director of BIC. Mom and Dad hadn’t moved to Texas. All these things about who I am have changed and yet there’s another level of me than has not, and still another beyond that that has nothing to do with all I call me at all. That’s the level of being Prashant evoked today. Being beyond being the I that we know and love so well.

Back in the world of the ego, (As Prashant talked about the ego, I got the impression that it is sort of like a very pesky and persistent fly that you can’t quite kill and just won’t leave well enough alone.) This time, I’ve travelled here with my beloved husband, Jeff.  I am so grateful that we shared this experience together. We will be returning to Austin, a city I love living in. No cats to worry about. Though occasionally I think I want one.  Ron is keeping Milo, and Mom and Dad will pick us up because they live in Austin and the flight gets in at a more or less reasonable time. Maybe we’ll at least be able to stay awake until we get to the house. Though with Austin rush hour traffic that might be harder than it sounds.

Anyway, Coleridge. Coleridge definitely had some insight into ultimate reality, probably not from the means of deep meditation, backbends or contemplating collective dynamics, but he was a pretty amazing poet with a pretty amazing drug habit. Both those aspects of his ego level of being enabled him to see to another level of reality, of being beyond the being of the I. I think he saw quite deeply into that reality of true being and struggled a lot with how to express the insights one gleams from that realm and how to express them in the language of this world. Anyway, I like that Marie posted the quote today on the eve of my return back to Pune. It has a nice temporal symmetry and it gets at the dynamic between the true essence of being and our attempts to grasp it which I took to be one of the major points of Prashant’s amazing class.

As we listened to his ending discourse on true being and the ego’s relentless attempt to make true being its own experience, Scott from Australia turned to me and said, “You are here for class tomorrow right?” I nodded. He said, “That would have been an amazing note to end on.” So true.

We started off in AMVrk. Prashant led us through some pretty intense backbends and we ended with another AMVrk (before doing a long Sarvangasana). He asked us to reflect on the difference in our experience of the first AMVrk and the last one.

Simply put, the level of ease and integration was palpable. It really did feel like the pose was being done to me or that I was the pose or that the pose was me or maybe collectively all of those ways of looking at it, where as the first AMVrk was very much an activity of I am doing the pose. I even think I’m doing the pose reasonable well and with integration and collective awareness particularly for 7:00 AM first pose post prayers. But I was very much doing it. I was my ego.

I was reminded of  Nietzsche’s formulation of this dynamic,

“‘the doer’ is merely a fiction added to the deed – the deed is everything.”

To edit Nietzsche slightly,  the doing is everything.

After Sarvangasana, he had us come closer and asked us if he had ever anywhere along the way given any instruction at all about how to do AMVrk more effectively. He then elaborated on all the numerous detailed things that an Iyengar Yoga teacher might say about how to improve AMVrk and said, did I do any of that. No. So how did that transformation take place? What brought about that change in our relationship in the doing and the being of and in the pose?

1 hour and 45 minutes of preparation. He said it can take that long if you only have two hours to practice to get 15 minutes of real yog.

Prashant then talked about the relationship between the ego and the true being. We are true being in those moments of integration, those moments of divine insight, those moments of deep sleep. Part of the trap of the ego, part of the trap of language also (two different traps) is to say or to think, “I had that experience.” It is not the I that feels cleansed and purified by such experiences of let’s call them moments of  transcendence for lack of a better term, plus I think Prashant actually used it.

He said, sure the ego can get cleansed to some degree,  but think of it like cleaning the toilet. Is the toilet, even when really clean like the cleanliness of the space of the meditation room? He elaborated on that metaphor for a while. It was reasonably hilarious. It also got me thinking about the value of humor in getting us to see beyond ourselves. He’s quite gifted at that as well. Nietzsche and Kierkegaard were masters of this use of humor as well.

In some of the Geeta interviews I’ve been reading, she talks about that nourishment of good sleep. It is where we touch the true self. I remember Rajiv Chanchani talking once about what feels so go to us about a good pranayama practice or a good savasana is that we get a break from the ego. We get a break from being who we inexorably are qua being who we are in ego-land. What is  it like, then, to come back with Coleridge’s flower?  Is that experience of true being the flower we come back with?

As wonderful as  Prashant’s metaphor of the toilet was, the most powerful part of the last part of his discourse today was what he said about the soul that experiences god. We do not experience God qua Hindu, qua Muslim, qua Jew, qua Christian. The soul does not partake in those distinctions. I think that’s what Paul is getting at in the saying “In Christ there is no male or female, Jew or Greek, slave or free.” But this takes it one step further said; in God there is no specific religiosity. Prashant suggested that this is what even the most devout and tradition faithful of us truly want this experience of the true soul. Even the Pope, he said wants this.

For a variety of reasons, I am a close observer of the evangelical Christian world. Though I think Prashant is right,  I do wonder if this is in fact true for the felt experience of the average devout Christian. Maybe in the sense that it is what the Christian truly wants even if they are not aware of wanting it, but I think the average Evangelical or  any devout worshipper of God through the prism of a particular tradition get very attached to a particular vision of faith and sees the essence of the soul in those specific hues or tones that the prism reflects of the divine. Even as much as we might recognize along with Augustine, that we see through a glass darkly and never face to face, I suspect that a Christian expects to see a Christian face on the other side of that dark glass.

Be that as it may, Prashant is making clear that the yogic vision offers us a level of insight into the nature of God, the nature of the soul, the nature of the affinity between God and soul that is much deeper and more essential than those particular inflections of particular faith traditions.

A beautiful vision, the vision of yog.

I did manage to work up the courage to talk with Prashant after class. I asked him some questions I had about the body and reincarnation. My homework: ReadDiscourses on Yog.

Posted by Anne-Marie Schultz at 4:14 AM

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OUR LAST CLASS WITH PRASHANT SUMMER 2014

Our Last Class with Prashant Summer 2014

http://teachingphilosophyandyoga.blogspot.com.br/2014/07/our-last-class-with-prashant-summer-2014.html

Well, I’ve been avoiding sitting down to write the last post from Pune about Prashant’s class. But after the good bye lunch at Ambience and a couple hours of packing, and a bit of a rest, now’s the time.

I’m actually a bit more emotional about leaving than I expected to be. I almost cried leaving the practice hall. It was funny for the first 45 minutes or so, I actually forgot it was the last practice in the hall and was just practicing.

We decided not to stay all the way to the 31st for a variety of reasons but now I’m kind of wishing we decided to stay another 9 days. But that would have ended up being almost 10 weeks away from home with the travel days on either end and it was seeming like a lot of time to be away. And I’d just be feeling this way 9 days later.

On the plus side, we will get home in time for the Arun workshop in Austin and I love studying with him. I’m excited about seeing Mom and Dad and how they are doing and there’s Milo, the glorious golden retriever awaiting us as well. I started to get worried that he would not remember me and Jeff said, “Well, it really doesn’t matter. Think how happy he is seeing a random stranger who is willing to pet his belly.”

Anyway, enough about my state of mind and its various experiences of raga and dvesa.

2.07 sukha anusayi ragah
Pleasure leads to desire and emotional attachment. (I)

Attachment stems from [experiences] of happiness. (B)

2.08 duhkha anusayi dvesah
Unhappiness leads to hatred. (I)

Attachment stems from [experiences] of happiness. (B)

By the way, I can’t remember if I mentioned what the (I) and the (B) stand for. The I is Iyengar’s translation of the Sutras. The B is Edwin Bryant’s. I got the original transliteration without diacritical marks and the Iyengar translation from Leanne, a former BKS Dallas yoga person. She got it from a student of Mary and Eddy’s. I’ve been adding in the Edwin translations and slowing working on adding the diacritical marks and also the Sanskrit but am not making huge progress on those.

Anyway, here’s a bit about Prashant.

In many ways, I still feel like yesterday was the real last class in terms of the grand vision of the soul that Prashant articulated so beautifully.

We twisted and worked with the breath for most of Prashant’s class today. He didn’t talk as much about the grand vision of yog but more technically about how to use breath with the actions of poses. We worked with altering action before and after and during exhalation and before and after and during inhalation.

In the last part of class, we worked more with Violma actions. He had a funny metaphor for Viloma. We interrupt the breath to increase our overall capacity. He said you can’t eat a bag of cashews or chips all in one sitting, but with various interruptions over the course of the day, the cashews or chips will disappear.

I really have been struck by how much he uses food and drink metaphors. Today, he talked a lot about various Indian food delicacies that we Westerns don’t really have the experience of. Come to think of it he actually talked more in Marathi than he usually does today, so there was time to just take in what I wasn’t understanding and wait for some understanding to come. Which was actually one of his major philosophical points for the day. That learning happens. We don’t make learning happen.

Prashant aimed at getting us to observe the effects of the action more than focusing so much on the doing of the action. I think that’s one of the reasons he uses metaphors from every day life so much. We are in a sense experts at tasting food and knowing the effect and knowing preference and we don’t often reflect necessarily on the process of knowing around those everyday sorts of knowing and doing and receiving the effects.

What would it be like to know our practice, its actions and its effects, as intimately as we take in the foods that we eat?

Even though yesterday’s class was more inspiring, today’s was a more practical take home message. The power to learn is within you. You already have it. Learn to observe beyond the realm of doing. Learn, observe, relearn. Cultivate the literacy of your own practice.

As always, there’s more to say.

Practice was great. Jenn and I worked on the hips, Jeff did a really nice Hanuman IV. Lunch was also really nice. Got to talk with Jose and Andrea and Chris Briney a bit. Hakka Noodles are quite tasty at Ambience, by the way. Also, though I did not have it today, the tandoor cauliflower is fabulous!

We had great timing getting home before the rains. We packed and showered.

Jory stopped by to pick up some laundry detergent and I gave him the umbrella that Lisa left for me.

Jenn, Jeff and I were just having a conversation about learning and suffering and access to teaching and being willing to share more of what it like to be here.

Now, we are all off to Gulnaz’s class.

Posted by Anne-Marie Schultz at 4:46 AM

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