Arquivo da categoria: B.K.S. IYENGAR

A INVOCAÇÃO A PATAÑJALI

A invocação começa com aum. Aum é o primeiro som primordial, um adi nada, um som melodioso, sonoro e sublime. As três sílabas – A, U, M – representam toda a gama de sons e de criação. Eles representam sonhar acordado e os estados de consciência do sono. O crescente simboliza o estado transcendental. Aum é pranava, que significa o exaltado, insuperável louvor ao princípio Supremo, à divindade. De acordo com Patañjali, ele simboliza Ísvara, a divindade tasya vacakah pranavah.

Sendo a fonte de todas as energias,aum é proferido como um começo auspicioso. Nenhuma atividade sagrada será completa, profunda e perfeita sem que se efetive a graça Suprema e aum é a principal invocação para buscar essa graça.

Como a música é uma das melhores mídias para expressar sentimentos, amor e devoção, a mídiase inicia com aum. A invocação que primeiro cantamos é:

Yogenacittasyapadena vacam

Malam sarirasyacavaidyakena

Yopakarottamprvarammuninam

Patanjalimpranjaliranato’smi

Significado: saúdo ao mais nobre dos sábios, Patañjali, que nos deu o yoga para a serenidade da mente, a gramática para a pureza do discurso e a medicina para a perfeição do corpo.

A segunda parte descreve a estátua de Patañjali:

Abahupurusakaram

Sankhacakrasidharinam

Sahasrasirasamsvetam

PranamamiPatanjalim

Significado: saúdo a Patañjali, cuja parte superior do corpo tem forma humana, cujos braços seguram uma concha, um disco e uma espada, e que é coroado por uma cobra de mil cabeças. Oh!,encarnação de Adisesa, minhas humildes saudações a ti.

Os autores desta invocação são desconhecidos. Não era costume naquele tempo mencionar o nome de alguém como autor ou escritor. No entanto, alguns livros tradicionais mencionam que abahu purusakaramfoi escrito pelo rei Bhojadeva em 1.100 D.C., autor de Rajamartanda Vrtti, um comentário sobre os Yoga Sutras.

Cada aspecto da estátua de Patañjali carrega um significado, como os sutrassão intrincadamente redigidos.Quando se contempla a estátua do sábio Patañjali, vê-se três e meia espiraisabaixo do umbigo. As três espirais indicam o pranava aum, um símbolo místico que transmite o conceito de Deus como criador, organizador e destruidor. Ele o represeta como onipresente, onipotente e onisciente. Aum é composto de três sílabas, A, U e M com um crescente e um ponto na parte superior.

As três espirais completas simbolizam as sílabas e a meia espiral, o crescente. Elas também representam os trêsgunas de prakrti, denominados sattva, rajasetamas, e a aspiração por alcançar o estado de trigunatita, que é um estado transcendente. O sábio Patañjali convida a nossa atenção para os três tipos de aflições, denominadasadhyatmika, adhibhautika e adhidaivika, que devem ser conquistadaspor meio do caminho do yoga. As três espirais indicam que ele é um mestre doyoga, gramática e ayurveda. Ameia espiral indica o atingimento do estado de kaivalya.

A concha na mão esquerda significa o estado de alerta, atenção e prontidão para encararos obstáculos que são inevitáveis na prática do yoga. Antigamente, a concha explodiu como um aviso para a prepararação para enfrentar catástrofes ou calamidades, como é feito hoje em dia com as sirenes. É também um símbolo de jnana.

O disco na mão direita significa o esforço supremo para a destruição da ignorância e é um símbolo de proteção. A espada, escondida na cintura, indica a eliminação do ego, do orgulho ou do sentimento do “Eu”, que é o principal obstáculo que cobreo ser puro. É uma espada de jnana para derrotar ajnana. Estas três armas também indicam a contenção das flutuações mentais, a remoção de obstáculos e a erradicação de aflições através da prática de yoga.

O capuz acima da cabeça é uma garantia da proteção de Adisesa, rei das serpentes. Esta proteção permanece para o praticante sempre, desde que ele se renda ao Senhor, que é representado pelo atmanjali mudra, as mãos postas em namaskara. O Bhagavatam narra a história do nascimento do senhor Krsna. Uma vez que Vasudeva foi alertada pelos Deuses celestes que seu oitavo filho, Krsna, será morto por Kamsa, ele o conduz de Mathura a Gokul para protegê-lo do demônio Kamsa. O rio Yamuna se inunda porque chovia cântaros. Nesse momento oportuno, Adisesa protegeu Vasudeva e o infante Krsna segurando o capuz acima deles como um guarda-chuva e fez surgir um caminho, bem no meio do rio, para que Vasudeva pudesse cruzá-lo facilmente.

O senhor Patañjali indica com seu capuz que é nosso protetor, desde que destruamoscom aespada do yogaos malefíciosocultos dentro de nós, purificando-nos por meio do sadhana do yoga.

A cobra de mil cabeças, sahasra sirasam svetam, indica que Patañjali nos guia de mil maneiras, mostrando-nos vários métodos de prática e a abordagem para encontrar a Alma dentro de nós mesmos.

A imagem de Patañjali mostra-o como metade homem e metade-serpente. A forma humana indica a individualidade do homem, uma vez que ele é dotado de inteligência para usar seus próprios esforços para atingir a meta. A forma da serpente sugere o movimento e a continuidade de sadhana, que não pode terminar até que o objetivo seja alcançado.

Patañjali nos indica mover-nos como uma serpente, intensa, silenciosa e rapidamente no caminho doyoga e ser um tivrasamvegin, o tipo finalde aluno.

Se você tiver entendido o significado, ofereça suas preces com mente suplicante, de modo que você saiba o que o sábio Patañjali quer dizer comtajjapah tadarthabhavanam, que significa recitar as orações, consciente, devotada e repetidamente.

Falemos agora de algumas das qualidades de Patañjali, de acordo com suas obras. Patañjali é uma personalidade imortal, versátil, um mestre de conhecimentos diversos com qualidades divinas. Ele é um dharmin, virtuoso e piedoso em suas ações, um tapasvin, bhaktin, sannyasin e devoto praticante. É um artista, hábil dançarino, cientista, matemático, astrônomo, erudito, físico, psicólogo, biólogo, neurologista, cirurgião, médico qualificado e um educador por excelência. É uma encarnação das gloriosas qualidades desraddha, virya e vairagya. É um especialista no tempo cronológico e psicológico, bem como na ciência da gravidade. Ele transcende purusarthas, ou seja, dharma, artha, kama e moksa, bem como prkriti. Tem memória insuperável e é bem versado na natureza e suas funções. E ainda assim, permanece um ser puro, um perfeito siddhan, uma Alma realizada. Todas essas qualidades impregnam a vida de Patañjali.

Isto não é um exagero. Os siddhis mencionados no Vibhuti Pada dizem respeito a vários aspectos da existência, do cosmos, do corpo, da mente e carregam a marca de sua autêntica e profunda experiência. Deixe-me concluir esta viagem imortal, queridos sadhakas, com um anjali, uma oferta sublime. A fé em nós mesmos deveria crescer com a compreensão. Quando o ego começa a dissolver-se, os olhos começam a ver a grandeza dos ensinamentos inspirados por um dos pensadores mais originais que já existiu. Nós somos mortais e Patañjali é imortal.

Assim como um rio não retém sua individualidadequando se une com o mar, que por meio de nossas práticas nos unamos ao rio de luz do yoga, que nos foi transmitido por Sri Patañjali.

Hari om tatsat

*Agradecimento especial ao BKS Iyengar Yoga Institute Amsterdam. Artigo re-postado em 4/2/2018 em https://plus.google.com/+bksiyengaryogashala/posts/ZYYQNc9fdkf

 

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REVISTA YOGA RAHASYA: ASSINE EM 2018!

REVISTA YOGA RAHASYA: ASSINE EM 2018!

Yoga Rahasya é uma publicação trimestral em inglês do Ramamani Iyengar Memorial Yoga Institute (RIMYI) em Pune e do Light on Yoga Research Trust (LOYRT) em Mumbai, Índia, sob a direção do Dr. Rajvi H. Metha. A publicação tem quatro edições anuais, geralmente fevereiro, maio, agosto e novembro, corresponentes às datas comemorativas do aniversário de RIMYI, Hanuman Jayanti, Guru Purnima e Patanjali Jayanti, enviados aos assinantes diretamente por Pune (http://bksiyengar.com/modules/Referen/YR/yr2017.html).

O objetivo da Yoga Rahasya é compartilhar a essência dos ensinamentos do Yogacharya BKS Iyengar e contém artigos originais e transcrições de palestras ministradas por Guruji Iyengar, Geeta e Prashant Iyengar sobre filosofia, psicologia, a vida, a ciência e a arte do yoga. Contém também artigos de seus alunos sobre suas próprias experiências, detalhes sobre a prática de āsanas e o tratamentos de condições crônicas através do yoga.

A partir de 2018 a ABIY voltará a realizar a intermediação das assinaturas entre Pune e seus associados. Em breve enviaremos e-mail para cadastramento dos associados interessados com instruções para o pagamento da assinatura.

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http://www.iyengar.com.br

 

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yogāṅgānuṣthānāt aśuddhikṣaye jñanadīptiḥ āvivekakhyāteḥ

योगाङ्गाऽनुष्ठानादशुद्धिक्षये ज्ञानदीप्तिराविवेकख्यातेः I
yogāṅgānuṣthānāt aśuddhikṣaye jñanadīptiḥ āvivekakhyāteḥ

Na abertura das comemorações do centenário de nascimento de Guruji, Abhijata centrou-se no sūtra II.28 dos Yogas Sūtras de Patañjali:

योगाङ्गाऽनुष्ठानादशुद्धिक्षये ज्ञानदीप्तिराविवेकख्यातेः I

yogāṅgānuṣthānāt aśuddhikṣaye jñanadīptiḥ āvivekakhyāteḥ

Este sūtra ensina que por meio da prática dedicada (ānuṣthānāt) dos vários aspectos do yoga (yogāṅga) são destruídas (kṣaye) as impurezas (aśuddhi) e a coroa da sabedoria irradia (jñanadīptiḥ) em sua glória (āviveka-khyāteḥ).

Guruji, em seu comentário a este sutra, diz que a prática dedicada e devotada dos oito aspectos do yoga não somente diminuem, mas destroem as impurezas do corpo, do discurso e da mente (trikaraṇa śuddhi) e fazem irradiar a glória resplandecente da sabedoria (Patañajala Yoga Sūtras Paricaya), assim sintetizando os efeitos da prática do yoga. Patañjali aqui afirma que o praticante inocente e livre de orgulho por meio desta prática tem removidas as causas de aflição. Neste sutra, em vez da palavra abhyāsa empregada no sūtra I.12 (prática repetida), é usada a palavra ānuṣthānāt, implicando que a prática não é somente repetida, mas é também dedicada, impregnada de importância espiritual.

Guruji (Light on the Yoga Sūtras of Patañjali) esclarece a diferença, lecionando que a primeira (abhyāsa) traz estabilidade, mas a segunda (ānuṣthānāt) desenvolve inteligência madura. E conclue: “Yoga pode curar ou minorar nossos sofrimentos físicos, mentais, morais e espirituais. Mas a perfeição e o sucesso são certos somente se a prática dedicada é feita com amor e com todo o coração.”

Jay, Guruji!

Texto: Marcia Neves Pinto

 “Caminhem na estrada da virtude.”

 “Caminhem na estrada da virtude.”

O tema para o ano do centenário do nascimento do Guruji é o sūtra 2.28 dos Yoga Sūtras de Patañjali:

योगाङ्गाऽनुष्ठानादशुद्धिक्षये ज्ञानदीप्तिराविवेकख्यातेः I

yogāṅgānuṣthānāt aśuddhikṣaye jñanadīptiḥ āvivekakhyāteḥ

Por meio da prática dedicada (ānuṣthānāt) dos vários aspectos do yoga (yogāṅga) são destruídas (kṣaye) as impurezas (aśuddhi) e a coroa da sabedoria irradia (jñanadīptiḥ) em sua glória (āviveka-khyāteḥ).

🕉 Amita Bhagat gentilmente compartilhou trechos da palestra ministrada por Geetaji durante a abertura das comemorações do centenário:

“Guruji questionava por quê razão, durante a prática de āsanas não pensamos na integralidade do ser – físico, pisquê, mente e espírito. Como a mente vai para a postura e se sente presente em todas as partes do āsana. Guruji fazia com que a totalidade de prakṛiti se movesse.”

“A nova geração deveria receber a mensagem de Guruji de maneira apropriada. O conhecimento deve ser passado adiante corretamente compreendido. Não façam seja lá o que querem fazer. Ele era criativo, mas sua criatividade não era tola – havia prova de inteligência por trás de sua criatividade.”

“Para trazer religiosidade para a prática e ser honesto ao enfoque do Guru, Guruji seguiu seu Guru embora somente tenha estado com ele por dois anos. Pelo tão só fato dele ter criado seu método, não significa que nós podemos criar qualquer coisa que queiramos. Temos que seguir o que ele nos ensinou. É nossa responsabilidade preservar o que ele nos deu.”

“Se você pensa que Iyengar Yoga se refere apenas ao nível físico, está errado. Sua abordagem visava nos informar sobre a importância de cada área do corpo, cada aspecto da mente, da presença integral em cada área da existência.”

“A questão é como usamos nossa inteligência. Não é sobre o prop (acessório). É sobre a inteligência do corpo, a inteligência da mente, a inteligência da percepção e a inteligência da consciência. Como transmitir este conhecimento. De outro modo, o trabalho dele será perdido.”

“Caminhem na estrada da virtude.”

 

Postagem de Amita Bhagat (@ BKS Iyengar Yogashala Pune) traduzida por Marcia Neves Pinto

Guruji B. K. S. Iyengar

Guruji B. K. S. Iyengar

[1]

artigo de Marcia Neves Pinto, professora certificada

Guruji = Guru, aquele que conduz o discípulo da escuridão da ignorância para a luz do conhecimento + ji = aquele que é muito amado.

Este é o tratamento dado por milhares de praticantes de Hatha Yoga de acordo com os ensinamentos de Bellur Krishnamachar Sundararaja (B. K. S.) Iyengar a seu mestre, um homem nascido em uma família simples na cidade de Bellur, Índia, em 14 de dezembro de 1918, que conduziu milhares de praticantes em todo mundo no caminho do conhecimento através da prática do yoga da ação (karma yoga) até o 20 de agosto de 2014, dia em que sua luz migrou para o firmamento, e tornou-se uma estrela guia para os seus cerca de 6 mil professores certificados ao redor do mundo (dados de 2002), sendo 114 no Brasil (dados de 2017).

Em 14 de dezembro passado foi iniciado o ano de comemorações pelo centenário do nascimento de Guruji, período no qual todas as associações de Iyengar Yoga do mundo estarão promovendo eventos de celebração da data (14 de dezembro de 2018), a começar por Yogaanusasanam Prashantiji, em Pune, de 17 a 22 de dezembro de  2017, para praticantes com mais de 10 anos de Iyengar Yoga.

Em colaboração com Pune, a ABIY também está organizando a ida em grupo de praticantes iniciantes (mínimo de 1 ano de prática) em meados de 2018, para fazerem aulas especiais em RIMYI, com tradução para o português.

Ainda na esteira das comemorações, a ABIY vai realizar em maio de 2018 sua 2ª Convenção (a primeira foi em 2016), com o especialíssimo professor de RIMYI, Raya Uma Data, celebrando o centenário de Guruji.

Guruji foi iniciado na prática de yoga na idade de 16 anos, na cidade de Mysore, pelo grande yogi Tirumalai Krishnamacharya, seu cunhado, pelo caminho da prática da pétala dos asanas objetivando melhorar sua saúde, uma vez estar sofrendo de tuberculose.

Após dois anos com seu Guru, Guruji foi enviado para lecionar o que lhe era ensinado na cidade de Pune onde, em 19 de janeiro de 10975, inaugurou o Ramamani Iyengar Memorial Yoga Institute (RIMYI), dedicado à memória de sua esposa. Estudantes e professores de tudo mundo ombreiam lado a lado nas aulas do instituto, a fim de aprenderem a essência do yoga e seus valores para colocarem em prática nas suas vidas.

O desenho único do prédio do instituto espelha a integralidade dos ensinamentos de Guruji, sendo composto de três andares que representam o corpo, a mente e o a energia divina em cada um de nós. Suas oito colunas representam as oito pétalas do yoga que seus alunos são instados a praticar: yama, niyama, asana, pranayama, pratyahara, dharana, dhyana e samadhi.

Guruji deixou um legado precioso em seus diversos livros[2] , traduzidos e publicados no mundo inteiro, generosamente compartilhando com a humanidade sua prática e aprendizado de yoga, que se tornou lendária. Para ele:

Asana é Deus, cuja representação é AUM:

A é assumir o asana,

U representa a reflexão sobre o uso, o propósito e o significado do asana executado,

M é bhavana, a experimentação do sentimento correto na forma de alegria e bem-aventurança.”

A prática devotada e desprendida dos oito estágios de Ashtanga Yoga eram o que ele recomendava a todos os seus alunos, dizendo:

“As oito pétalas do yoga estão interligadas e entrelaçadas. Se uma pétala está explícita, as outras estão implícitas e é assim que funciona o yoga.

“Se você se equilibrar no presente, você está vivendo na eternidade. Yoga ensina a viver no presente.”

O método de ensino de asanas proposto por ele se baseia no tripé (1) precisão, (2) permanência e (3) sequenciamento das posturas, que não estão submetidos a um regramento rígido, mas de um modo de combinação que dependerá da conjugação de vários aspectos, tais como: objetivo, condição, idade, hora do dia, estado mental, tempo disponível, condições ambientais, etc. Guruji usou seu próprio corpo como laboratório durante anos de experimentação e observação precisa, inclusive dos efeitos das mais diversas combinações sobre o corpo e a mente.

“Quando um asana é executado corretamente, os movimentos do corpo são suaves, há leveza no corpo e liberdade na mente.”

“Quando estou em um asana, vou além das amarras cronológicas e psicológicas do tempo.”

“Yoga é para todos. Projetei acessórios para que todos pudesssem se beneficiar dele”.

A fim de preservar a integralidade e uniformidade de seus ensinamentos, em 2004 Guruji estabeleceu uma série de parâmetros a serem seguidos tanto pelos professores certificados no método, quanto pelos estudantes, contidos no documento denominado Pune Constitution (https://iynaus.org/sites/iynaus_files/pages/2009-08_Revised_Pune_Constitution.pdf), que deve ser seguido por todas as associações e institutos de Iyengar Yoga em todos os locais do mundo, determinando que nos lugares onde houvesse uma comunidade de praticantes e professores do método.

Namaskar!

[1] Foto de Jake Clennell, baixada com autorização do site http://sadhakafilm.net/portuguese/

 

[2] DE AUTORIA DE B.K.S. IYENGAR:

  1. Light on Yoga, Schocken, 1966.

Versão em Espanhol: Luz sobre el Yoga, Kairós, 1994.

Tradução para o português: Luz sobre o Yoga, Pensamento, 2016.

  1. Light on Prāṇāyāma, Schocken, 1981.

Versão em Espanhol: Luz sobre el Prāṇāyāma, Kairós, 1997.

  1. Light on the Yoga Sūtras of Patañjali, Aquarian, 1993.

Versão em Espanhol: Luz sobre Los Yoga Sūtras de Patañjali, Kairós, 2003.

  1. The Tree of Yoga, Shambhala, 1989.

Tradução para o português:: A Árvore do Yoga, Globo, 2001 (esgotada).

  1. The Art of Yoga, George Allen and Unwin, 1985.
  2. Yogapushpanjali (artigos coletados, 1975-1988), Light on Yoga Research Trust, 1998.
  3. Light on Aṣṭāṅga Yoga, YOG, 1999.
  4. Aṣṭadaḷa Yogamālā, Allied, vol. 1, 2000; vol. 2, 2001; vol. 3, 2002; vol. 4, 2004; vol.5, 2005; vol.6, 2006; vo1.7 2008; vol. 8, 2008.
  5. Versão em Espanhol: La Esencia del Yoga, Kairós, vol. 1, 2007; vol. 2, 2008; vol. 3, 2009; vol. 4, 2010; vol. 5, 2011.
  6. Yoga, the Path to Holistic Health, Dorling Kindersley, 2001.

Tradução para o português: (condensada): Posturas Principais, Cores e Letras, 2006.

  1. Light on Life, Rodale Books, 2005.

Tradução para o português:: Luz na Vida, Summus, 2007.

  1. Yoga Wisdom & Practice, DK, 2009.

Tradução para o português: A Sabedoria e a Prática da Ioga, Publifolha, 2010.

  1. Yaugika Manas – know and realise the yogic mind, YOG, 2010.
  2. Patañjala Yoga Sūtra Paricaya – Introduction of Patañjala Yoga Sutras, Mojarji Desai National Institute of Yoga, 2011.
  3. Core of the Yoga Sūtras – the definitive guide to the philosophy of yoga, foreward by his Holiness, the Dalai Lama, Harper Thorsons, 2013.
  4. Yoga for Sports, Westland-Tata, 2016.

 

APROFUNDANDO A PRÁTICA DO YOGA

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(por Marcia Neves Pinto)

A reflexão do primeiro dia do intensivo para professores de Eyal Schifroni foi uma continuação da proposta da indagação diária de nossas motivações para a prática de yoga. O Prof. Eyal comenta que as técnicas de yoga são muito importantes, especialmente no método proposto por B. K. S. Iyengar, mas que temos que contextuá-las em todo esse arcabouço que forma a ciência, a arte e a filosofia do yoga.

Quando iniciamos a prática de yoga, é só mais uma forma de exercício, uma ginástica – exótica, mas é… Mas na medida em que progredimos, yoga vai se revelando muito mais do que práticas de posturas e respiração, vai se tornando uma forma de pensar, de agir, de viver. A maioria de nós começa estudando o corpo mas, em algum momento, passa a estudar a mente. Yoga, na verdade, é o estudo da mente, suas capacidades e limitações. O texto que lhe dá embasamento – os Yoga Sutras de Patañjali – é conhecido como um verdadeiro tratado de psicologia.

Há muita profundidade na prática dos yamas, niyamas, asanas e pranayama, se fazemos dela um laboratório de pesquisas de nós mesmos. A permanência nos asanas nos permite observar o corpo, a respiração, a mente e a relação entre eles.

Em Árvore da Vida, Guruji diz: “O corpo não pode ser separado da mente, nem a mente pode ser separada da alma.” E prossegue: “Se você, como principiante, observar o esforço envolvido na realização da postura e continuar observando-o à medida que progride, verá que esse esforço diminui a cada dia, embora o nível de realização do asana esteja melhorando. (…). Conforme vai trabalhando, você pode sentir desconforto por causa da imprecisão de sua postura. Para que isso não ocorra, você precisa aprendê-la e assimilá-la. Tem de fazer um esforço de entendimento e de observação. (…). O ioga requer análise durante a ação.”

“A mente age como uma ponte entre o movimento muscular e a ação dos órgãos de percepção, introduzindo o intelecto e ligando-o a todas as partes do corpo – fibras, tecidos e células (…), surgindo uma nova percepção. Observamos com atenção e lembramos a sensação da ação. Discriminamos com a mente. A mente discriminativa observa e analisa a sensação das diversas partes do corpo. “Finalmente, quando existe uma sensação total da ação sem quaisquer flutuações do alongamento, então a ação cognitiva, a ação mental e a ação reflexiva se reúnem todas para compor a conscientização plena (…). Essa é a prática espiritual do ioga.”

Quando a postura se torna contemplativa, atingimos o estado mais elevado de contemplação no asana, o que envolve a integração do corpo, da respiração, dos sentidos, da mente, da inteligência (ou do conhecimento) e do Eu com a totalidade da existência. Patañjali diz que, quando um asana é realizado corretamente, as dualidades entre corpo e mente, mente e alma, desaparecem. Isso é conhecido como repouso na permanência, reflexão durante a ação.

Diz Guruji: “Há dois tipos de prática de ioga. Quando você está totalmente envolvido, sem o reflexo de impressões passadas, ajustando-se e agindo passo a passo rumo à perfeição e à precisão, ele se torna espiritual. Se você estiver oscilando, se sua mente estiver divagando ou existir uma diferença entre você, seu corpo, sua mente e seus pensamentos, então esse ioga é sensual, embora o esteja praticando sob a designação de espiritual.

Voltamos, então, à segunda proposta de indagação pessoal diária, que se traduz na análise do modo como estabelecemos nossa prática de yoga, cabendo examinar o seguinte tripé para poder responder a esta questão: (1) intenção, (2) atitude e (3) aplicação. A intenção tem a ver com as razões pelas quais praticamos, com o que queremos obter por meio da prática, aferindo se estas intenções guardam sintonia com a meta do yoga, yoga citta vrtti nirodhah (I.2). Isto é, nossa prática está na direção da estabilização da nossa mente, na pacificação da torrente incessante de pensamentos que nos assomam? Ou nossa prática tem outros motivos ocultos, tais como poder, beleza, fonte de sustento, flexibilidade? É importante manter uma intenção correta e pura no caminho do yoga.

A atitude guarda relação com a forma como nos aproximamos da prática. É preciso notar que há uma diferença entre praticarmos em um grupo e praticarmos sozinhos: em grupo, além da interação com outros, abre-se espaço para a comparação, competição, vaidade, orgulho, e podemos observar nossa tendência à necessidade de aprovação, de impressionar os outros e até mesmo de nos sentirmos inferiorizados em relação aos outros (ou o contrário…). Por outro lado, quando praticamos sós, nossas tendências emocionais vêm à tona: indisciplina, impaciência, agressividade, preguiça, acomodação. É um outro terreno de observação: como nossa mente opera quando ninguém está olhando. E em yoga temos que aprender a nos desidentificarmos com a mente para observar a mente como objeto.

“Asana quer dizer postura, que é a arte de posicionar o corpo todo com uma certa atitude física, mental e espiritual. As posturas têm dois aspectos: a permanência e o repouso. A permanência implica ação (…). Repousar significa refletir sobre a postura. A postura é repensada e reajustada, para que os vários membros e segmentos corporais sejam posicionados em seus devidos lugares na ordem certa, e a sensação seja de descanso e apaziguamento, enquanto a mente experimenta a tranquilidade e a calma dos ossos, das articulações, dos músculos, das fibras, das células. (…)

Quando essa sensibilidade está igualmente em contato com o corpo, a mente e a alma, entramos em estado de contemplação ou meditação, conhecido como asana. As dualidades entre corpo e mente, mente e alma, são vencidas ou destruídas.”

Mas a atitude tem ainda relação com outras indagações:

  • Praticamos por praticar ou para aprender? Prashant Iyengar costuma dizer que não saímos da prática do fazer, quando deveríamos adotar a cultura de praticar para aprender.
  • Praticamos com a mente aberta ou dogmaticamente? Geeta Iyengar diz que a maturidade em yoga é saber que também há outros sistemas, valorá-los, assim como à sabedoria existente neles.” Há muitas maneiras corretas (evidente que há também as incorretas). O estudo é, justamente, a exploração, a investigação, o uso da sensibilidade, contraposto à possibilidade da prática mecânica, automática.

Por fim, a aplicação se refere a como aplicamos o conhecimento obtido com a prática de yoga por meio da técnica, do exame da intenção e da atitude. Significa dizer, aferir de conseguimos tornar esse conhecimento em habilidade de praticar de maneira correta. Se sabemos como praticar quando temos uma lesão, como deveria ser a prática pela manhã e pela noite, ou se estamos cansados, deprimidos ou agitados. Enfim, se nosso conhecimento nos permite estabelecer uma prática correta diária contínua, não importa sob que circunstância nos encontremos em nossas vidas naquele dado momento.

Explica Guruji em Árvore no Ioga: “Se meu cérebro está cansado, faço halasana e recupero minha energia; se é meu corpo que está cansado, faço meio halasana e revigoro as células. Talvez vocês, mesmo cansados, façam posturas em pé. Já estão cansados e ainda se excedem no alongamento das posturas; naturalmente, ficarão ainda mais cansados. Vocês devem usar o bom senso: o que fazer, quanto fazer, quando fazer.”

A prática pessoal é muito importante porque é o momento em que nos encontramos conosco mesmos. A prática deve culminar, segundo Patañjali, no vislumbre da alma. Ao atingir esse estado, você desenvolve uma consciência madura conhecida como inteligência experiente ou madura, que não se abala, e você se torna um só com a essência do seu ser.

Diz Guruji, no mesmo livro: “Quando o corpo, a mente e os sentidos são limpos por tapas (zelo e autodisciplina baseados no desejo ardente), e quando o entendimento do eu foi atingido por meio de svadhyaya (autoexame), só então é que o indivíduo está apto para Isvara-pranidhana (entregar-se a Deus). Ele já anulou seu orgulho e desenvolveu humildade, e somente essa alma humilde é condizente com bhakti-marga, o caminho da devoção. Dessa maneira, percebemos que Patanjali não se esqueceu nem de karma-marga, o caminho da ação, nem de jñana-marga, o caminho do conhecimento, nem de bhakti-marga, o caminho da devoção.”

LUZ SOBRE O YOGA

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Tivemos o lançamento da tradução do livro Light on Yoga para o português no dia 17/04 último, durante a Primeira Convenção Nacional de Iyengar Yoga no Brasil.  Levamos um ano no processo da Editora Pensamento aceitar nosso projeto, adquirir os direitos autorais para a tradução para a língua portuguesa no Brasil e examinar as duas tradutoras/revisoras que não compõem seus quadros, mas são professoras certificadas do método, o que acarreta no diferencial de ter tradutores que praticam os ensinamentos contidos no texto.

Depois, levamos 3 anos no processo de traduzir e revisar a tradução, que também contou com autorizações do Guruji para pequenas alterações que purificaram o texto da obra em inglês, assim como autorização para uniformizar as transliterações do sânscrito, o que tornou a tradução e revisão em um processo hercúleo.

Finalmente, a editora levou um ano para editar a obra: mas o resultado final mostra o capricho com que foi realizada a edição brasileira. Se você quiser adquirir a obra, clique http://www.pensamento-cultrix.com.br/luzsobreoyoga,product,978-85-315-1924-6,230.aspx.

A Editora Pensamento informou que até o final do mês o livro poderá ser encontrado nas livrarias, também.

Já de antemão aponto que, como tradutora, não recebo nenhuma participação nas vendas, estou apenas indicando o caminho para aquisição, uma vez perguntada “n” vezes.

Desejo que a leitura do livro  ilumine a todos em suas jornadas.

Namaskar!

Marcia Neves Pinto