COMO RECONHECER A PERFEIÇÃO EM UM ASANA?

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(por Marcia Neves Pinto)

Hoje a aula do Prof. Senior Eyal Schifroni teve como fio condutor (sūtra) a estabilidade em um asana. 

No livro Mobility in Stability, Geeta S. Iyengar[1], diz que Patañjali nos deu a metodologia para alcançar a estabilidade e que a metodologia se encontra no sūtra I.12:

“abhyāsa vairāgyābhyāṁ tannirodhaḥ”

No sūtra seguinte Patañjali define que tipo de mobilidade se faz necessária:

“I.13 – tatra sthitau yatnaḥ abhyāsaḥ”

Esforço contínuo (yatha) e estável (sthitau) na prática dos oito aspectos do yoga até que se atinja o estado nirvṛttika

E o sūtra I.14 esclarece de que tipo de esforço se está falando: sa tu dīrghakāla nairantarya satkārāsevitaḥ dṛḍhabhūmiḥ, isto é, o processo contínuo e estável. Donde a prática (abhyāsa) precisa ser feita por um longo tempo, sem interrupções, com humildade e dedicação. Como praticantes de yoga temos que nos lembrar destas linhas em todos os momentos de nossas práticas, inclusive na prática dos āsanas: o āsana deve ser estável.

Estabilidade em um āsana não significa simplesmente congelarmos as ações físicas. Patañjali alude à estabilidade em um āsana no sūtra II.46, dizendo: sthira sukham āsanam, isto é, āsana é a perfeita firmeza do corpo, estabilidade da inteligência e benevolência do espírito. Assim, independentemente de qual āsana estamos praticando, ele deve ser feito com firmeza, estabilidade e empenho físico; boa vontade da inteligência mental; consciência e satisfação da inteligência do coração. Isto é como um āsana deveria ser entendido, praticado e experimentado. A prática de um āsana deveria nos nutrir e iluminar.

E, finalmente, nos perguntou o mestre:  como reconhecer a perfeição em um āsana? Ela é definida por Patañjali no sūtra II.47 como prayatnasaithilyānantasamāpattibhyām, isto é, a perfeição é obtida em um āsana quando o esforço para praticá-lo deixa de existir, isto é, quando a perseverança no esforço não é mais necessária, e o ser infinito é alcançado. A perseguição esforçada da perfeição não é mais necessária quando chegamos ao platô da estabilidade, a dizer, a mobilidade cessa porque alcançada a estabilidade na postura. Quando isso ocorre é porque o praticante atingiu um estado de equilíbrio, atenção, extensão, difusão e relaxamento simultâneos no corpo e na inteligência e estes se fundiram à alma, isto é, atingiu yoga.

 

[1] 1st Published 2012 by YOG, Mumbai, Índia.

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