Arquivo do mês: maio 2014

ENCONTROS COM PATAÑJALI YOGA SŪTRAS: KLEŚAS

ARVORE dos kleshas

KLEŚAS

 Marcia Neves Pinto

 

Como já tivemos ocasião de ver, a questão central do yoga é tornar a mente, naturalmente inquieta, em estável, por meio das oito práticas indicadas no sūtra II.29 – yama niyama āsana prāāyāma pratyāhāra dhāranā dhyāna samādhayaḥ aṣṭau añgani. Estas práticas devem ser executadas na forma do que dita o sūtra II.1 – tapaḥ svādhyāya Īśvarapraṇidhānāni kriyāyoga, cuja consequência será (II.2) samādhi bhāvanārthaḥ kleśa tanūkaraṇārthaśca, isto é, a prática do yoga reduzirá as aflições (kleśas) a um mínimo, conduzindo à profunda meditação, que é precursora de samādhi.

Mas o que é kleśa? Kleśa deriva da raiz kliś, que significa tormento, problema, causa de sofrimento, aflição, frequentemente traduzida por obstáculos, uma vez que os kleśas obstruem a mente quanto à compreensão da verdadeira natureza do indivíduo. Como yoga foi definido em termos de supressão dos vṛttis (flutuações da mente), aqui kriyā-yoga é definida em termos de despertar (tanūkaraṇa).

A palavra kleśa é frequentemente usada como sinônimo de duḥkha (sofrimento) e, de fato, com a existência do ciclo de saṃsāra (renascimento e morte), que se perpetua como resultado dos kleśas, que aumentam a influência dos guṇas e produzem karma, a lei de causa e efeito.

São nossas ações baseadas nos kleśas que nos levam à prisão. Deste modo, somente as nossas ações podem nos conduzir à liberdade. Corolário disso é que apenas por meio das nossas ações (kriyā) podemos alcançar yoga que, por sua vez, é “citta vṛtti nirodhaḥ”, isto é, a cessação/controle das oscilações da mente. Por isso é importante nos perguntarmos se a ação que praticamos nos conduz à prisão ou à liberdade.

Os kleśas são o gatilho desencadeador dos vṛttis. Através da kriyā-yoga os kleśas se tornam como sementes queimadas pela tocha da discriminação, incapazes, portanto, de gerar os frutos das experiências repetidas de sasāra. Simultaneamente, na medida em que os kleśas são enfraquecidos, sattva (sabedoria) é fortalecida e, quando isso acontece, a discriminação entre a alma (puruṣa) e a matéria (prakṛti) pode surgir.

Como já dito acima, por definição, kleśa é tudo aquilo que possa trazer tristeza, sofrimento ou dor no presente ou no futuro. Os kleśas são a raiz da infelicidade, são em número de cinco e se denominam avidhyā (ignorância espiritual), asmitā (ego), rāga (apego), dveṣa (aversão) e abhiniveśaḥ (apego à vida), que estudaremos mais profundamente.

Os kleśas são cinco categorias de viparyaya = conhecimento falso ou incorreto que se toma por correto. O falso conhecimento engloba todas as ilusões e confusões. Os kleśas dão origem aos pensamentos (vṛttis) e impressões latentes (saṁskāras), ao conhecimento (falso conhecimento) que se opõe à liberdade última.

Kliṣṭa vṛttis é da natureza humana, desde que a vida é desejo e, consequentemente, apego ou aversão, conforme a experiência seja de prazer ou desprazer (II.15). Os ciclos desejo→prazer→apego ou desejo→desprazer→aversão reforçam os guṇas, com isso conduzindo à prisão (BG, cap. 18).

Temos que construir pensamentos corretos (akliṣṭa vṛttis) e de refletir sobre as consequências de nossos pensamentos de satisfação dos desejos (pratipakṣa bhāvanā) a fim de por fim aos kliṣṭa vṛttis. Para isso, como vimos, Patañjali prega vitarkabādhane pratipkṣabhāvanam (II.33):

  • vitarka = pensamentos negativos ou perversos que, neste contexto significam:
  • bādhane = perturbado,
  • pratipakṣa = pensamentos opostos. Pratipakṣa se aplica a outros membros do yoga, tais como āsana, prāṇāyāma e a toda a kriyā-yoga  a fim de evitar ser indulgente com o prazer em vez de praticar tapas, manter conversar inúteis e perder tempo em vez de praticar svādhyāya, etc. causar sofrimento causar sofrimento,
  • bhāvanam = cultivar.

Isto é, quando surgirem pensamentos negativos ou não construtivos, cultive pensamentos que lhes são opostos (positivos), buscando-os na memória.

O estabelecimento firme nos ditames dos yamas e niyamas está relacionado com a perda da força dos kleśas (obstáculos) e suas sementes (bīja).

Todos os kleśas podem se apresentar de 4 formas: dormente (prasupta), atenuado (tanu), interrompido (vicchinna) ou ativo (udārāṇām).

Dormente significa que existe em forma de semente, em potencial, dependendo de uma situação que o suporte para que se manifeste. Para que essa semente seja queimada e não possa mais brotar é preciso que se alcance o estado de viveka khyati, isto é, o estado em que aquele que vê não mais se identifica mais com aquilo que é visto. Este estado se aplica somente ao yogi.

Atenuado significa que, através da prática de kriyā yoga combinada com pratipaksa bhāvanā os kleśas podem ser atenuados.

O kleśa que não se vê está em estado dormente ou atenuado. O kleśa se torna dormente apenas após ser atenuado pela prática de kriyā-yoga combinada com pratipaksa bhāvanā, isto é, somente para os praticantes de yoga. Para todos os demais, os kleśas estarão interrompidos ou ativos.

O kleśa se diz interrompido quando um desejo substitui outro, parecendo que desapareceu. Entretanto, ele permanece lá, apenas interrompido por um novo objeto e surgirá novamente. Ativo está o kleśa quando o pensamento está em está manifesto na mente.

Finalmente, a semente dos kleśas deve ser queimada, o que somente ocorrerá para os yogis. O yoga fornece a metodologia para enfraquecer e dar nova roupagem aos kleśas.

Namaskār!

 

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Iyengar Yoga Convention in Harrogate

Iyengar Yoga Convention in Harrogate

(http://guybrickleyingb.blogspot.com.br)

Over the bank holiday weekend I had the privilege of attending the annual Iyengar Yoga convention in Harrogate, Yorkshire. The convention was taught by Abhijata Iyengar, who tirelessly took pains to pass on a little of the knowledge and wisdom that she has learnt from her grandfather and our guru B.K.S. Iyengar. Having never been to Pune or in the presence of Mr Iyengar, I was interested to experience this opportunity to be close to the source of this fascinating subject.

Along with some fellow yoga students from London, I arrived on Friday evening in Harrogate and checked into my hotel. We went out for a meal together that evening, and saw many of the Iyengar yoga community who had begun to congregate for the event. It’s quite difficult to explain what it is that brings so many people to Iyengar yoga and keeps them so involved and committed to this one man and his art. I can only encourage people to try a class with an Iyengar yoga teacher and see for themselves.
The queue outside the convention centre the following morning was already quite lengthy when I arrived to sign in at 9.00am. The excitement was tangible as more and more people turned up and in the queue I spoke to practitioners from France, Columbia, Israel and a couple from Sheffield all of whom had come to practice and improve their asanas and pranayama with this teacher from such a respected lineage.
Over the following three days around 500 people of all ages (from young adults to people in their 80’s) spent the majority of their time in a room on their many coloured yoga mats, with their varieties of blocks, blankets, belts and bolsters, doing their yoga asanas with tenacity, dedication, love, courage and dedication. Wherever you looked there were smiles of encouragement and a mutual recognition of what we were all there to do. Whoever we were, wherever we came from, whatever was happening in our lives became completely irrelevant as we listened to Abhijata’s tales of being taught by her grandfather. With grace, humility and humour she told us of her failed attempts, her incredible challenges to endure and withstand difficulty and fear in postures and her devotion to B.K.S. Iyengar’s unwavering faith and dedication to his students.

Queing outside the Convention Centre
On the first day we covered standing poses and forward bends and the foundation was set for the work over the following two days. Themes were interwoven seamlessly and repetition of the key points kept us working hard to ensure we could move forward and begin to understand the finer points of what she was teaching. It became clear to me very quickly how stiff I was in relation to what we were aiming for. My knees were far from straight, my thighs and hamstrings were tight and rigid, my elbows were completely inflexible…the list goes on. The first step is to see where the work needs to be done and then the work can commence. If Abhijata wasn’t happy with the way we did a posture, she would break it right down to it’s simplest components in order to get closer to the classical pose. The day ended with a pranayama lesson, which mostly consisted of preparatory asanas in order that we were ready to begin observing our breathing.
On the second day Abhijata joked that we were “back to square one” and our bodies had forgotten the imprints of the previous day. We began again with standing postures and at one point Abhijata was standing right on my mat and adjusted me in Parsvakonasana. It felt at all times that her eyes were everywhere in the room, observing and caring for all of us. Several of the senior teachers were demonstrating on the stage and despite the fact that some of the people in the room had been practicing since before Abhijata was born she commanded the respect of all and her clarity and confidence in the principles of yoga were evident at all times. We worked on the Parivritta standing postures and several seated postures and twists. It was an emotional day for me as we “churned” our bodies and worked through stiffness in the back and hips. The cumulative effect on our bodies made for a rewarding pranayama class, which focused on expanding the rib cage and chest and creating space.

The hall during the lunchbreak. Mat to mat!
Unfortunately there was an incident on the second day in which someone was injured. A pure accident and perhaps inevitable when there were so many people practicing together, but it meant that Abhijata took extra care with her management of the class over the following day. To have so many students following your instructions so diligently is of course an enormous responsibility and I could feel her concern for the individual concerned as well as the rest of the group.

The final day began with a pranayama class, again with good preparation of the body with asanas. After some supine and seated pranayama we spent some time sitting in Virasana just observing the effects of the breathing work. This was followed by a backbends class which developed the themes of the previous days and challenged our stiffnesses to an even greater extent. After some good preparation using postures like Virabhadrasana 1 and Urdhva Mukha Svanasana we repeated many Urdhva Dhanurasanas, each time refining and adding an extra element to enhance the posture. Just when you thought it was over, we would continue with more attempts. Unusual combinations of postures and sequences were skillfully placed to challenge our minds when they became tired or dull and all the while I felt that the whole room was with her.

Over the weekend I saw many familiar faces; old friends who I’d met in India, teachers and students who I have practiced with in London, students who were guinea pigs during my assessments, senior teachers who have been my moderators and all of whom have had some influence on my continuation with the practice. At times yoga can feel like a solitary path but experiencing an event like this reminds you of the many reasons why we dedicate ourselves to the subject of yoga and B.K.S. Iyengar’s work. Striving for health, serenity of mind and clarity it struck me how beautifully human all of these people were and in many ways leading very simple lives. In the reception of my hotel on the last day I overheard another student talking to her children over skype:
“Mummy’s at her hotel and she’s just had breakfast. Then she’s going to that big hall that she showed you a picture of with all of those friends, and she’s going to do some more yoga. After that she’s going to get on the train and then she’s going to come home and see you!”

It was just another day amongst the humdrum of everyday life with yoga running through the veins of it…

Patanjali’s Approach to Social Behavior

Patanjali’s Approach to Social Behavior

 (http://yogawithsubhash.com/2014/05/24/patanjalis-approach-to-social-behavior/)

sukha-dukha
Reactions and Responses

 

At a recently held meeting of the Yoga Teachers of the Triangle (yttonline.org), Ramani Ayakannu made an excellent presentation where he discussed the guidelines presented by Patanjali in his Yoga Sutras on social behavior patterns. Ramani has very kindly agreed to share the presentation with all of you through this blog. Below is a brief summary of the presentation. I am also attaching the powerpoint presentation as well as the audio recording of his talk. Please review this highly informative and useful material and provide your valuable feedback.

Introduction by Ramani Ayakannu

The following is a brief summary of the presentation titled “Patanjali’s Approach to social behavior”. The topic of discussion is based on sutra I.33 of the Yoga Sutras of Patanjali (YSP).

Sutra 1.33

मैत्रीकरुणामुदितोपेक्षणां सुखदुःखपुण्यापुण्यविषयाणां भावनातश्चित्तप्रसादनम्॥३३॥

 

maitrIkaruNaamuditopekShaNaam sukhaduHkhapuNyaapuNyaviShayaaNaaM bhaavanaatachittaprasaadanam

“By cultivating attitudes of friendliness toward the happy, compassion for the unhappy, delight in the virtuous, and disregard toward the wicked, the mind-stuff retains its undisturbed calmness.” (Translation by Swami Satchidananda)

 

The sutra describes the state of mind when we respond or react to events that occur around us. Events are occurrences or interactions with others around us and received as inputs through our five sense organs, namely, eyes, ears, nose, tongue and skin. These events transmit information to us, which in turn are turned into processed by our brain (Manas). The processed information is then stored in our brain as experiences or Samskaras. These Samskaras may impact one’s Kleshas (afflictions) in a manner which may alter one’s behavior and actions. Kleshas, as we already know, are the reason for all our pain and sufferings.

The sutra I.33 provides a useful tool or methodology to carefully observe one’s own or others’ behavior, actions or mental state and then classify them into four main categories. These four mental state – action/behavior classification provides an insight into the behavior of individuals to events (both internal and external) and interaction between individuals. The result of interaction between individuals can lead to either a conflict or enabling. In either case, the outcome is accumulation of more Samskaras or amplification of the already existing Samskaras.

Sutra I.33 provides a powerful tool that, when mastered will help us respond and not react to an event. A response to an event has the effect of no accumulation of new Samskaras or amplification of existing Samskaras. This presentation shows how to apply these tools embedded in sutra I.33 when exposed to individuals who fall into any of the categories. A brief introduction to stress management is also presented.

Patanjali’s approach to social behavior (pdf – powerpoint presentation)

Patanjali’s approach to social behavior (audio recording of Ramani’s presentation)

 

Yoga

Maiz Kriya Yoga de Babaji

Patanjali em seus sutras descreve que yoga é a cessação das flutuações que emergem na consciência. Seus sutras são a explanação racional do yoga, um livro interessantíssimo onde Patamjali discorre sobre nossas identificações com o corpo físico e o ego, e o quanto isso nos separa do nosso verdadeiro eu, ou como Yogananda diz, nosso Self.

Essa ideia de Self, sai da expressão “My self”, eu mesmo, e tem como condição expressar a verdadeira forma, o que somos realmente, e que está escondido atras das sombras de dor e apego que nos aprisionam neste corpo físico e mental que estamos tão familiarizados.

Yoga é o exercício consciente que nos coloca em contato com nosso verdadeiro Self, dissipando as sombras a traves do exercício da mente fixa em um único objeto (dhyana), da consciência continua e da auto-observação.

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3º ENCONTRO COM PATAÑJALI YOGA SŪTRAS

Patanjali ouro NIYAMAS  Coordenação: Marcia Neves Pinto II.32 śauca santoṣa tapaḥ svādhyāya Īśvara praṇidhānāni niyamāḥ são os cinco niyamas, isto é, as regras que devemos observar, o que devemos fazer a fim de construirmos nosso caráter: śauca (limpeza/pureza), santoṣa (contentamento), tapaḥ (habilidade de suportar o desconforto), svādhyāya (estudo das escrituras, recitação dos mantras, autoestudo) e Īśvara praṇidhāna (entrega a Deus). “Yama e niyama ocupam-se com os hábitos do corpo e da mente. Patañjali nos afirma que certos hábitos precisam ser eliminados e outros, mantidos, de modo que o corpo e a mente possam funcionar de uma forma saudável. O que eliminar e o que manter é um assunto que cada um deve decidir por si mesmo. Para chegarmos à decisão certa, precisamos nos observar – tanto nossas tendências corporais como nossas reações mentais. A partir de tais observações, estaremos habilitados a decidir o que impede o funcionamento saudável do corpo e da mente e o que é conducente a uma vida saudável. Assim, yama e niyama devem ser aplicadas em função de nossas próprias observações. As quíntuplas yama e niyama fornecidas por Patañjali servem apenas como uma ampla pauta. Constituem uma estrutura geral que tenciona auxiliar o aspirante a desenvolver suas próprias abstinências e observâncias. Por exemplo, as exigências de nosso corpo podem indicar longas horas de repouso. Se assim for, não há mal algum em cumprir esta exigência. Em resumo, yama e niyama indicam regras para uma vida saudável, e cada aspirante deve decidir quais são as regras aplicáveis para seu próprio caso. (…) O que é, na verdade, pureza ou śauca? Ou, de outro modo, o que é que torna algo impuro? É óbvio que uma coisa permanece pura enquanto algo de fora não adere a ela. O mesmo acontece com a consciência, que se torna impura quando algo externo adere a ela. Portanto, a consciência, em sua natureza original, é sempre pura; a natureza adquirida que é impura. (…) A limpeza é a expressão elementar da pureza, e precisamos começar por ela. Todavia, não é suficiente. No processo contínuo da disciplina do yoga, precisamos estar vigilantes de como ficamos condicionados, como substâncias externas aderem à nossa consciência.”[1] “40. Pureza indica indiferença para com as reivindicações do eu e um retiro, de tempos em tempos, para a reclusão ou solidão. (…) É necessário que o aspirante retire-se em silêncio de tempos em tempos; porém, este silêncio não é simplesmente a cessação do ruído externo. Deve ser também uma cessação do ruído interno, ou seja, o ruído criado pela tagarelice da mente. (…) Unicamente quando não ouvimos as reivindicações da mente e do corpo é que podemos saber o que é a libertação da distração. A verdadeira pureza jaz nesta condição não distraída. O que acontece nesta condição de retiro é indicado no seguinte sūtra: (…) 41. Da purificação da mente surge a disposição, uni direção, controle dos sentidos e clareza de percepção. (…) A mente distraída obviamente está cansada, uma vez que não pode descansar mesmo que o lugar esteja fisicamente em silêncio. Todavia, aquele que pode ter momentos de quietude não distraída tem uma mente purificada, demonstrando disposição, uni direcionamento, controle dos sentidos e clareza de percepção. (…) Um homem distraído vê apenas a projeção de si mesmo.”[2] Santoṣa ou contentamento não implica em uma instrução para a resignação ou para enfeitarmos a realidade, mas em ver as coisas como elas são, não reagirmos, mas agirmos retamente com relação a elas. A prática da não reatividade é a tônica, aqui. “Ser psicologicamente autossuficiente é conhecer o segredo da felicidade. (…) Enquanto o homem pensar que sua felicidade reside fora de si, em acontecimentos exteriores, está destinado a ser infeliz, pois não pode controlar os acontecimentos externos. Ser autossuficiente psicologicamente é encontrar a felicidade interior.”[3] Os últimos três niyamas compõem kriyā yoga, são os mais importantes de serem observados e enfatizam a autodisciplina: II.1 – tapaḥ svādhyāya Īśvara praṇidhānāni kriyāyogaḥ, significa, segundo Iyengar, que o zelo ardente na prática, o auto estudo e o estudo das escrituras, bem como a entrega a Deus, são as ações do yoga: karma (ação), jñana (estudo)e bhakti (devoção) marga, os três grandes caminhos apontados no Gītā, cujas fontes são a vida, a sabedoria e a rendição do ego, respectivamente. Vijñānabhikṣu (cf. Edwin Bryant[4]) aponta que tapaḥ, svādhyāya e Īśvara praṇidhāna foram selecionados por Patañjali como os ingredientes mais importantes, uma vez que os colocou sob as rubricas de kriya e também de niyama. A disciplina para purificar os três aspectos do homem – corpo, fala e mente – constitui kriya-yoga, o caminho para a perfeição: nosso corpo se purifica através da autodisciplina (tapaḥ), nossas palavras pelo auto estudo (svādhyāya) e nossa mente através do amor e entrega a Deus (Īśvara praṇidhana). Há muitos significados para tapas nos Vedas. A raiz “tap” significa aquecer. Nos Yoga Sūtras aparece no contexto de sukhatyagam, isto é, abrir mão do prazer, suportar o desconforto que surge enquanto criamos o ciclo de oposição ao ciclo de pensamentos e impressões latentes. Neste contexto, desconforto significa a resistência mental para superar o ciclo pretérito de vṛtti↔saṁskāra, ao controle de comida ingerida, à introdução da prática de āsanas, prāṇāyāma e meditação na rotina diária. Tapaḥ não significa suportar dor ou sofrimento, mas antes se refere a ultrapassar a resistência mental a aderir à prática apropriada, quebrando os antigos padrões de vontade. Tapaḥ é o meio para cortar as raízes (vide Bhagavad Gītā, cap. 17, v. 14 a 16) que sustentam o ciclo de ignorância (avidyā) e a ação resultante (karma). Bryant observaque tapaḥ significa o controle dos sentidos tanto na qualidade quanto na quantidade, defendendo que não há yoga sem a prática de tapaḥ, autodisciplina, austeridade. A tendência da mente de perseguir a gratificação dos sentidos somente pode ser quebrada pela autodisciplina. Tapaḥ, ou austeridade ou a habilidade de suportar o desconforto ou, ainda, simplicidade, significa que uma vida simples é austera. Austeridade não significa mortificação nem negação, nem a levar uma vida de severas privações, significa que: “Uma mente inocente nunca se envolve em qualquer relacionamento de uso. (…) Uma mente inocente ou simples não se ocupa de acumular. Um homem espiritual aborda a vida de modo simples, pois ele não cai nos enredamentos do apego e da repulsão. Aquele que aspira trilhar a senda do yoga deve recuperar ‘o estado de criança’ – o estado de inocência e simplicidade. Apenas o homem inocente pode agir retamente, pois só ele é capaz de responder total e adequadamente aos desafios da vida. (…) O homem espiritual abandona-se, e é por este motivo que pode ir ao encontro dos desafios da vida com a totalidade de seu ser.”[5] Svādhyāya é o segundo componente de kriyā-yoga. A palavra é composta de “svā” que significa centro, “adhy” que significa perto e “āyana” que significa ir, portanto, svādhyāya significa ir em direção ao seu próprio centro ou Self ou auto estudo como meio de se chegar ao próprio Self ou, ainda, o estudo das escrituras que conduzem à liberdade (mokṣa) como os Upaniṣads, Bhagavad Gītā e os Yoga Sūtras, não incluindo as escrituras religiosas simples porque estas podem conduzir à prisão dos dogmas e rituais mais externos do que internos, não nos conduzindo em direção ao próprio Self. Svādhyāya indica auto estudo, ou seja, o estudo de si mesmo. Assim como o Bhagavad Gītā menciona kṣetra e kṣetrajña, o Campo e o Conhecedor do Campo, analogamente, svādhyāya exprime o estudo que pode ser feito das escrituras e também de nós mesmos”[6], isto é, é tanto o conhecimento, aquilo que pode ser coletado fora de nós – quanto à sabedoria, aquilo que surge do estudo de nós mesmos: o conhecimento do conhecedor. Svādhyāya neste sentido significa a observação de nós mesmos, pois apenas assim o estudo do conhecedor ou aquele que percebe que pode ser feito. (…) Certamente é o conhecimento de si mesmo que é parā vidyā, conhecimento superior ou sabedoria. O autoconhecimento é o próprio âmago da sabedoria e é isso que Patañjali se refere quando fala de svādhyāya.”[7] Vyāsa define Īśvara praṇidhāna como a dedicação de todas as ações a Deus e a renúncia a todos os frutos desejados. Vijñānabhikṣu nota que a submissão a Īśvara mencionada neste sūtra é diferente da interação com Īśvaraanotada em I.28, porque lá o contexto é de ter Deus como objeto de meditação, enquanto aqui a devoção a Īśvara tem a conotação de renunciar aos desejos do ego e oferecer as ações a Deus. A implicação disto é que a concentração interna em Deus é para os yogis mais avançados. Para os mais iniciantes, a prática é mais externa ou focada nas ações. Entretanto, é interessante observar que a devoção a Deus não é uma opção em kriya-yogacomo o era na escolha do objeto de meditação, marcando a orientação teística de Patañjali. Os comentaristas consideram essa dedicação dos frutos da ação a Īśvara como uma referência implícita a karma-yogacentrada em bhakti exposta no Gītā por Kṛṣṇa: “você tem o direito de cumprir seus deveres, mas não aos seus frutos; não se considere como o executor das suas atividades e não se apegue à inatividade.” (II.47). De acordo com as leis do karma, toda ação, boa ou má, quando executada com base no interesse próprio, ou mais precisamente, sob a influência da ignorância – confundindo o eu com o corpo ou a mente (II.5) – planta uma semente de reação, que nesta ou em futura vida irá eventualmente gerar frutos, bons ou maus, de acordo com a ação original (II.12). E muito embora a frequência com que se traduz Īśvara praṇidhāna como submissão a Deus, Rohit Mehta pondera: “Precisamos, contudo, nos lembrar de que Patañjali não menciona em parte alguma um Deus pessoal ou antropomórfico. Na verdade, na primeira seção dos Yoga Sūtras, Patañjali refere-se a Deus como um Princípio Eterno Atemporal. Portanto, Īśvara praṇidhāna mais exatamente significaria uma reta orientação para o Real ou Atemporal. O que é de fundamental importância na vida espiritual é a reta orientação. É o voltar-se de nossa consciência para a reta direção. (…) É com isso que estão ligadas as cinco observâncias. A reta orientação é possível quando há auto-observação, de modo que saibamos o que estamos fazendo e porque estamos agindo de uma maneira particular. Mas a auto-observação é possível apenas quando a consciência torna-se simples e inocente. Mais uma vez, o estado simples e inocente de consciência surge quando há contentamento, ou a visão das coisas como elas são. E este contentamento exige total pureza, de modo que nada de fora possa aderir a ele. Assim, śauca ou pureza, santoṣa ou contentamenti, tapaḥ ou simplicidade, svādhyāya ou auto-estudo e Īśvara praṇidhana ou reta orientação estão interrelacionados. A quíntupla observância, ou niyama, não sugere a observância de cinco coisas diferentes. O objetivo de niyama é levar o aspirante espiritual à reta orientação, de modo que possa avançar no caminho do yoga.” Slide1    [1] Rohit Mehta, Yoga – a arte da integração, Editora Teosófica, Brasília, DF, 1995, p. 110. [2] Rohit Mehta, obra citada, p. 128/129. [3] Rohit Mehta, obra citada, p. 130. [4][4] Edwin F. Bryant, The Yoga Sutras of Patañjali, North Point Press, New York, 1ª ed., 2009. [5] Rohit Mehta, obra citada, p. 111. [6] Rohit Mehta, obra citada, p. 111. [7] Rohit Mehta, obra citada, p. 112.

Fertilidade: sua vida é sua herança | Yoga Pela Paz

Fertilidade: sua vida é sua herança | Yoga Pela Paz.

H.S. Arun, prop master!

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parivrtta trikonasana with chair

At my Iyengar yoga assessment last September, one of the candidates told me about a teacher from Bangalore who would give yearly workshops in Santa Fe. “This guy is a prop master,” she said, then showed me one of his teachings: a simple version of Pavana Muktasana (see below) with a white strap in a three foot loop with one end behind the knees, the other end around the neck. Five minutes in this pose turned my tight back to butter. The constant tension of the thighs pushing against the strap in the pose makes the muscle fibers in the back unwind one-by-one until the back is completely softened. This was revolutionary. “He does this every night after he teaches coupled with Supta Padangusthasana to relieve the stress from teaching,” she said.

pavana muktasana Pavana Muktasana with strap

The man is H.S. Arun. He has been teaching yoga since 1976 under the…

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