Arquivo do mês: fevereiro 2014

Benefícios do Yoga | Ardha Matsyendrasana

yoga em casa | para conhecer e começar a praticar onde estiver

benefícios para saúde - yoga torções Ardha significa metade. Essa palavra ssociada aos asanas indica na maioria dos casos uma forma adaptada, normalmente mais fácil, de se realizar a posição. Matsya significa peixe e Indra, senhor ou governante; porém a palavra Matsyendra, que poderíamos traduzir como “senhor dos peixes”, aqui se refere a um nome próprio, o nome dessa postura é em homenagem ao primeiro hatha yogi, aquele que recebeu o hatha vidya, conhecimento do hatha yoga, diretamente de Shiva. Ele tem esse nome devido às circunstâncias nas quais ele entrou em contato com esse conhecimento, caso tenha interesse, conheça uma das histórias de Matsyendranath, o primeiro hatha yogi.

O Hatha Yoga Pradipika diz sobre esta postura:

“Este asana incrementa o apetite, estimulando o fogo gástrico (pitta). É um remédio contra as doenças mais mortais. Com sua prática regular, desperta-se a força kuṇḍalinī e evita-se a dispersão do néctar que se derrama a partir da lua…

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ENCONTROS COM PATAÑJALI YOGA SŪTRAS: KRIYA-YOGA e KARMA

Patanjali ouroENCONTROS COM PATAÑJALI YOGA SŪTRAS: KRIYA-YOGA e KARMA 

Coordenação: Marcia Neves Pinto 

Através da prática de kriya-yoga – tapaḥ, svādyaya e Īśvara pranidāna ­ tentamos expurgar, nesta vida, nossos karmas residuais, o resultado acumulado de nossas ações nesta vida ou em vidas passadas e alcançarmos a liberação (moksa).

Enquanto existirem raízes das ações, dar-se-á causa ao ciclo de renascimento e morte (samsara), à classe de nascimento, extensão de vida e experiências que serão vividas nesta vida (II.13 – sati mūle tadvipākaḥ jāti āyuh bhogāḥ). A vida origina-se da mescla de boas e más ações, impressões favoráveis ou desfavoráveis, que dão forma ao nascimento, à qualidade de vida, extensão da vida e tipo de experiências que uma pessoa deve passar.

Os frutos da ação angariados durante esta vida são denominados saṁskāras, que se tornam marcas ou impressões residuais. Os frutos das ações cometidas em todas as vidas anteriores são chamadas vāsanas (conhecimento derivado da memória ou da consciência presente de percepções passadas). Vāsanas são impressões que permanecem inconscientes na mente, derivadas de boas ou más ações, produzindo prazer ou dor.

Na morte, diz Vijnanabhiksu (cf. Bryant), o corpo sutil ou citta, que é onde karmasaya e todos os saṁskāras são estocados, transfere-se para o novo corpo. O corpo sutil não é destruído na morte como o corpo físico é; por isso os saṁskāras são preservados de vida para vida.

Entretanto, salienta Sankara (cf. Bryant) nem todo karma contido em karmāśaya frutificará na próxima vida porquanto um karma é excludente em relação a outro, deste modo não podendo coexistir numa mesma vida, isto é, requerendo vidas distintas para frutificar. Afirma Vyasa (cf. Bryant) que, em geral, o karma que não frutifica na vida subsequente pode: (1) ser destruído, (2) fundir-se a um karma mais dominante ou (3) permanecer dormente por um longo período, encoberto por um karma mais forte.

A destruição desse karma adormecido, se mau, ocorre por meio da prática de bom karma, como por exemplo, atividades relacionadas ao yoga, o que pode ser atingido ainda mesmo nesta vida.

E, vale ressaltar, embora o bom karma possa destruir o mau karma, o inverso não é verdadeiro: o mau karma não pode destruir o bom karma, mas pode fundir-se nele.

Na terceira opção, permanecendo dormente, o karma somente se ativará quando reunidas as condições apropriadas para se manifestar.

Portanto, podemos dizer que, de acordo com nossas boas, más ou mistas ações, a qualidade de nossa vida, sua extensão e a natureza do nascimento são experimentados como prazerosos ou dolorosos (II.14 – te hlāda paritāpa phatāḥ puṇya apuṇya hetutvā).

Neste sūtra a lei kármica da causa e efeito é considerada novamente. Os sūtras II.12 – 14 indicam que o sādhaka deve planejar uma vida de acordo com os preceitos do yoga, a fim de minimizar as marcas da ação.

O sūtra I.33 explicita a natureza das ações corretas: maitrī karuṇā muditā upekṣāṇām sukha duḥkha puṇya apuṇya viṣayāṇāṁ bhāvanātaḥ cittapras      ādanam, isto é, “através do cultivo da amizade, compaixão, alegria e indiferença ao prazer e à dor, virtude e vício, respectivamente, a consciência se torna favoravelmente disposta, serena e benevolente”. Essas qualidades mantêm a mente num estado de bem estar.

Porém, Patañjali prossegue ditando os fundamentos para a jornada em direção à auto realização: além de cultivar essas qualidades, deve-se seguir as virtudes sociais de yama para o bem da sociedade como um todo (II.30 – ahiṁsā satya asteya bramacarya aparigrahāḥ yamāḥ) e as virtudes individuais de nyama (II.32 – śauca santoṣa tapaḥ svādhyāya Īśvarapraṇidhānāni). Essa forma de viver mantém a mente do sādhaka serena e pura, sem que tenha de renunciar ao mundo para tanto.

ENCONTROS COM PATAÑJALI YOGA SŪTRAS: II.1 – TAPAṢ SVĀDHYĀYA ĪŚVARAPRAṆIDHĀNĀNI KRIYĀYOGAḤ

Patanjali ouroENCONTROS COM PATAÑJALI YOGA SŪTRAS: II.1 – TAPA SVĀDHYĀYA ĪŚVARAPRAIDHĀNĀNI KRIYĀYOGA 

Coordenação: Marcia Neves Pinto 

Este sūtra se encontra no segundo capítulo dos Yoga Sūtras de Patañjali, denominado Sādhana Pāda, isto é, capítulo da prática, onde Patañjali prescreve um certo nível de sādhana para aqueles que são iniciantes na arte do yoga. Aqui, a arte da prática (abhyāsa) é completamente explicada a fim de auxiliar o praticante na manutenção ininterrupta de sua sādhana, para guiá-lo em suas falhas, de modo que possa ganhar maior clareza por meio da observação aguda e reflexão e imaculada precisão em sua prática. E começa assim:

II.1 – TAPA SVĀDHYĀYA ĪŚVARAPRAIDHĀNĀNI KRIYĀYOGA, significa, segundo Iyengar, que o zelo ardente na prática, auto estudo e estudo das escrituras, bem como a entrega a Deus, são as ações do yoga. Acrescenta que, para Patañjali, a prática do yoga é a prática da “yoga da ação”, kriya-yoga, composta de tapaḥ, auto disciplina, svādhyāya, auto estudo e Īśvara praṇidhana, entrega a Deus: karma, jñana e bhakti-marga, os três grandes caminhos apontados no Gītā, cujas fontes são a vida, a sabedoria e a rendição do ego, respectivamente.

Vijñānabhikṣu (cf. Edwin Bryant[1]) aponta que tapaḥ, svādhyāya e Īśvara praṇidhana foram selecionados por Patañjali como os ingredientes mais importantes, uma vez que os colocou sob as rubricas de kriya e também de niyamas. É interessante notar que tapaḥ e svādhyāya são antigas práticas brâmanes, importantes nos ritos de purificação dos Vedas.

Deste sūtra em diante aprende-se como estabilizar a mente. A disciplina para purificar os três aspectos do homem – corpo, fala e mente – constitui kriya-yoga, o caminho para a perfeição: nosso corpo se purifica através da auto disciplina (tapaḥ), nossas palavras pelo auto estudo (svādhyāya) e nossa mente através do amor e entrega a Deus (Īśvara praṇidhana). Sendo assim, podemos dizer que Os três componentes da kriya-yoga são tapas, svādhyāya e Īśvara praṇidhāna (II.1).

Há muitos significados para tapas nos Vedas. A raiz “tap” significa aquecer. Nos Yoga Sūtras aparece no contexto de sukhatyagam, isto é, abrir mão do prazer, suportar o desconforto que surge enquanto criamos o ciclo de oposição ao ciclo de pensamentos e impressões latentes. Neste contexto, desconforto significa a resistência mental para superar o ciclo pretérito de vṛtti↔saṁskāra, ao controle de comida ingerida, à introdução da prática de āsanas, prāṇāyāma e meditação na rotina diária.

Tapaḥ não significa suportar dor ou sofrimento, mas antes se refere a ultrapassar a resistência mental a aderir à prática apropriada, quebrando os antigos padrões de vontade. Tapas é uma prática interna, “antarena tapasya”. Tapaḥ é o meio para cortar as raízes (vide Bhagavad Gītā, cap. 17, v. 14 a 16) que sustentam o ciclo de ignorância (avidyā) e a ação resultante (karma).

Brynt observa que tapaḥ significa o controle dos sentidos tanto na qualidade quanto na quantidade, defendendo que não há Yoga sem a prática de tapaḥ, auto disciplina, austeridade, o primeiro – e, portanto, mais importante – item da lista de Patañjali. A tendência da mente de perseguir a gratificação dos sentidos somente pode ser quebrada pela auto disciplina.

Svādhyāya é o segundo componente de kriyā-yoga. A palavra é composta de “svā” que significa centro, “adhy” que significa perto e “āyana” que significa ir, portanto, svādhyāya significa ir em direção ao seu próprio centro ou Self ou auto estudo como meio de se chegar ao próprio Self ou, ainda, o estudo das escrituras que conduzem à liberdade (mokṣa) como os Upaniṣads, Bhagavad Gītā e os Yoga Sūtras, não incluindo as escrituras religiosas simples porque estas podem conduzir à prisão dos dogmas e rituais mais externos do que internos, não nos conduzindo em direção ao próprio Self.

Tradicionalmente svādhyāya pode significar a recitação dos Vedas, de acordo com a linhagem familiar, que também conduz ao controle da mente.

Vyāsa define Īśvara praṇidhana como a dedicação de todas as ações a Deus e a renúncia a todos os frutos desejados. Vijñānabhikṣu nota que a submissão a Īśvara mencionada neste sūtra é diferente da interação com Īśvara anotada em I.28, porque lá o contexto é de ter Deus como objeto de meditação, enquanto aqui a devoção a Īśvara tem a conotação de renunciar aos desejos do ego e oferecer as ações a Deus. A implicação disto é que a concentração interna em Deus é para yogis mais avançados, para os mais iniciantes a prática é mais externa ou focada nas ações. Entretanto, é interessante observar que a devoção a Deus não é uma opção em kriya-yoga como o era na escolha do objeto de meditação, marcando a orientação teística de Patañjali.

Os comentaristas consideram essa dedicação dos frutos da ação a Īśvara como uma referência implícita a karma-yoga centrada em bhakti exposta no Gītā por Kṛṣṇa: “você tem o direito de cumprir seus deveres, mas não aos seus frutos; não se considere como o executor das suas atividades e não se apegue à inatividade.” (II.47). De acordo com as leis do karma, toda ação, boa ou má, quando executada com base no interesse próprio, ou mais precisamente, sob a influência da ignorância – confundindo o eu com o corpo ou a mente (II.5) – planta uma semente de reação, que nesta ou em futura vida irá eventualmente gerar frutos, bons ou maus, de acordo com a ação original (II.12).

Karma-yoga, conforme o Gītā, é o caminho da ação orientada puramente pelo dharma, através do qual a pessoa pode evitar o ciclo vicioso da reação do karma, sasara.

No contexto dos Yoga Sūtras, svādhyāya é japa mantra ou o estudo dos Upaniṣads. A repetição dos mantras (mantra japa) como o āuṁ, mantras que conduzam em direção ao Self como praṇava, também é svādhyāya. “Man” significa mente e “tra” significa proteção, portanto, mantra significa proteção contra a nossa mente indomada, cheia de pensamentos descontrolados. A repetição do mantra incontáveis vezes cria novas impressões latentes na mente, substituindo os pensamentos descontrolados e conduzindo a mente a um estado de “vazio”. Mantra japa é um meio direto de modificar o ciclo vṛttisaṁskāra.

A meditação em Īśvara como praṇava também conduz a mente em direção ao Self. Mas o que entendemos por Īśvara praṇidhāna?

A vida é cheia de expectativas. Agimos na expectativa dos frutos de nossas ações que, geralmente, não obtemos, gerando insatisfação. Essas expectativas são a causa da turbulência da mente. Por isso temos de abandonar a expectativa dos resultados, a fim de eliminar as insatisfações e, consequentemente, a perturbação da mente.

O controle (saṃyama) da mente se dá por meio da desistência dos frutos da ação antes mesmo de agir e praticar todas as ações sob a direção de Īśvara praṇidhāna, deste modo desistindo do pensamento egóico de ser o executor da ação, ou agir esperando os frutos e arcar com as consequências. As consequências, neste contexto, são as consequências internas e subsequentes da ação e não as consequências externas ou diante da sociedade, cujas leis nem sempre se aplicam.

O propósito de abrir mão dos frutos das nossas ações é dar equilíbrio à mente, que permanece estável independentemente do resultado. Yoga é a prática estabilizar a mente no ponto de equilíbrio, porém, vivendo nossas vidas na sociedade em que nascemos; isto é, não é yoga retirar-se para viver em reclusão e somente assim alcançar samādhi: é agir conforme nossa consciência pede e, ao mesmo tempo, não agir de modo reativo, portanto, impensado.

Vācaspati Miśra (cf. Bryant) nota que dedicação a Deus, abhyāsa e vairāgya, prática e desapego, foram mencionados no primeiro capítulo (I.15) como os meios do yoga, enquanto aqui, em kriya-yoga, tapaḥ, svādhyāya e Īśvara praṇidana estão sendo apresentados como meios. Prática e desapego, entretanto, requerem a predominância de sattva e isto é difícil para a mente ativa ainda sob a influência de rajas e tamas. Para temperamentos como esse, os meios delineados neste sūtra produzem a pureza de mente requerida. Uma vez que a mente esteja mais sattvic, torna-se mais capaz de permanecer fixada na prática e no desapego.

Taimni[2], por sua vez, salienta que a razão para estarem esses três (dentre os cinco) elementos de niyamas aqui repetidos em um texto tão condensado, é que qualquer pessoa familiarizada com o objetivo de vida do yoga e com o tipo de esforço necessário para alcançá-lo, compreenderá que não é possível nem recomendável para alguém absorvido pela vida mundana lançar-se de uma só vez na prática regular de yoga. Se estiver interessada na filosofia e desejar ingressar na senda que leva a seu objetivo, deverá, primeiramente, acostumar-se à disciplina, adquirir o conhecimento necessário dos dharma-śāstras e dos yoga-śāstras e reduzir a intensidade do seu egoísmo e todos os demais kleśas dele oriundos.

Um período preparatório de auto treinamento, no qual ela vai gradualmente assimilando a filosofia da Yoga e sua técnica, acostumando-se à auto disciplina, torna a transição de uma vida para outra bem mais fácil e segura. Então, ou essas pessoas emergem da auto disciplina preliminar com um objetivo claramente definido, com determinação e capacidade de seguir até o fim com vigor e sincera devoção, ou aos poucos vão compreendendo que não se encontram ainda prontos para a prática de yoga e decidem sintonizar sua aspiração com os estudos meramente intelectuais.

Taimni ainda esclarece que essa disciplina preparatória é tríplice em sua natureza, correspondendo à tríplice natureza do homem: tapaḥ relaciona-se com a vontade, svādhyāya com o intelecto e Īśvara praṇidhana com as emoções, de modo a acarretar um desenvolvimento integral e equilibrado da individualidade, tão essencial à consecução de qualquer ideal elevado.

Bryant observa que aqui Patañjali retoma os meios de acalmar a mente, porém, de um modo psicologicamente mais profundo, pois não se atém mais apenas a analisar os mecanismos de formação dos vṛtti, mas a buscar sua causa, daí entender que este pāda é uma continuação orgânica do anterior.

Assim, devemos nos esforçar para praticar, ao menos, os quatro primeiros aṅgas: yama, nyama, āsana e prāṇāyama, observando, nessa prática, pelo menos tapaḥ e svādyāya, deste modo honrando os ensinamentos recebidos dos mestres do yoga.


[1][1] Edwin F. Bryant, The Yoga Sutras of Patañjali, North Point Press, New York, 1ª ed., 2009.

[2] I.K.Taimni, A Ciência do Yoga, Ed. Teosófica, Brasília – DF, 4ª Ed., 2006.

B. Alan Wallace on BKS Iyengar and Meditation

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Accomplish scholar, practitioner and meditation teacher, B.Alan Wallace, is one of the very few buddhist master to teach savasana as a legitimate posture for meditation. Here, Dr. Wallace share with us his own experience with BKS Iyengar and how his time with the Yogi has impacted his practice and still does today.

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Alan Goode – BKS Iyengar and the study of consciousness

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Iyengar senior teacher Alan Goode share with us some insights from his study of Patanjali and Iyengar, on the paradox of using consciousness to study consciousness.
“Yogasana — is the practice of asana whose aim is to study consciousness (citta). Yogasanas are conducted in the body but practiced for the mind, for the psyche, and for the culturing and refinement of a human being.”

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Alan Goode on Abhyasa & Vairagya (Iyengar yoga practice)

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Practice and detachment, the two pillars of Yoga according to Sage Patanjali, are key concepts in the teachings of BKS Iyengar. Senior yoga teacher Alan Goode help us explore these challenging yet fundamental aspects of any authentic practice.

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The Wisdom of BKS Iyengar and Yoga Sutra 2.27

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Iyengar yoga teacher Rebecca Lerner choose Patanjali’s sutra 2.27 to illustrate the wisdom of BKS Iyengar’s commentary on the Yoga Sutras. In clear and accessible language, Rebecca show us how a very complex yet fundamental sutra can be approach with the help of Iyengar’s commentary. Every motivated student of Iyengar yoga will have at one point an encounter with Patanjali’s Yoga Sutras, this ancient text prove to be a challenge but also an essential source for deepening one’s practice and understanding of the Yogic path.

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