Arquivo do mês: dezembro 2013

ENCONTROS COM PATAÑJALI YOGA SŪTRAS 3º ENCONTRO: COMO A PSICOLOGIA CONTIDA NOS YOGA SŪTRAS CONTRIBUI PARA A ESTABILIDADE DA MENTE E CONQUISTA DA PAZ INTERIOR (PARTE II)

Patanjali

ENCONTROS COM PATAÑJALI YOGA SŪTRAS
3º ENCONTRO: COMO A PSICOLOGIA CONTIDA NOS YOGA SŪTRAS CONTRIBUI PARA A ESTABILIDADE DA MENTE E CONQUISTA DA PAZ INTERIOR (PARTE II)

 Coordenação: Marcia Neves Pinto

 Então, como diz Rohit Mehta, a questão fundamental na cessação das oscilações da mente é, portanto, como prevenir a continuidade incessante do fluxo pensamento-emoção? É a extensão de uma experiência, mesmo após o acontecimento ter passado, que causa estresse e tensão em nossa psiquê. Os vṛttis são, na verdade, os produtos do prolongamento da experiência no tempo. Indica Patañjali no sūtra I.12 como por fim aos vṛttis: abhyāsa-vairāgybhyāṃ tam nirodhaḥ.

Na tradução de Iyengar, “prática e desapego são os meios para acalmar os movimentos da consciência”. Estudar a consciência e acalmá-la é prática. Abhyāsa significa a prática repetida do yoga.

Vairāgya é a prática através da qual o sādhaka aprende a ser livre dos desejos e paixões e a cultivar o desprendimento das coisas que obstruem a persecução de união com a alma. Na tradução de Iyengar, “a renúncia é a prática do desligamento dos desejos” (I.15 – dṛṣṭa ānuśravika viṣaya vitṛṣṇasya vaśikārasañā vairāgyam). Quando a não ligação e o desligamento são aprendidos, não há mais desejo pelos objetos vistos ou não vistos, palavras ouvidas ou não ouvidas. Então o observador permanece insensível às tentações. Este é o sinal da maestria na arte da renúncia, não só de prazeres mundanos, mas também celestiais.

A prática é o aspecto positivo do yoga. Desapego ou renúncia o negativo. A prática é o caminho da evolução; desapego ou renúncia o caminho da involução. A prática está envolvida em todos os oitos membros do yoga e a prática evolucionária é a marcha em direção à descoberta do Self, envolvendo yama[1], niyama[2], āsana e prānayama. Já o caminho involucionário da renúncia envolve pratyāhāra, dhāraṇā, dhyāna e samādhi[3]. Essa jornada rumo ao interior separa a consciência dos objetos exteriores.

Para ser um adepto do yoga, yama e niyama têm de ser observados cuidadosamente ao longo da prática e da vida. Isto é abhyāsa. O descarte de ideias e ações que obstruem o progresso na prática é vairāgya. Esta fórmula da prática e do desprendimento aparece reiteradamente na disciplina espiritual hindu, como se pode ver no Bhagavad Gītā e nas Upaniṣads. Mas a prática e o desprendimento têm que coexistir, denotando um estado de relaxamento em meio à tensão, de inação no meio da ação, de silêncio na existência do barulho.

O desprendimento é uma condição livre de todos os motivos, sejam aqueles que surgem de um desejo por alguma coisa que tenha sido experimentada ou por algo que ainda não foi experimentado (I.15). Desprendimento é, ainda, uma condição na qual não há motivo para repetição do passado nem para antecipação do futuro. Assim, é um estado de viver no presente – não tanto no presente cronológico quanto no psicológico, no sentido de que viver no presente significa descobrir a cada momento a direção que damos à nossa vida.

Portanto, conclui Rohit Mehta, abhyāsa é um movimento bem direcionado e vairāgya é aquele estado dinâmico de viver no presente, onde a direção é descoberta a cada momento. E assim, quando esses dois coexistem, há movimento de vida, na qual se manifesta o notável fenômeno da descontinuidade em meio à continuidade. Vairāgya é um estado de descontinuidade psicológica mesmo que abhyāsa seja um fenômeno de continuidade. É no desapaixonamento que o esforço envolvido na prática descobre seu propósito de momento a momento.”

O caminho para a coexistência da prática e do desapaixonamento sugerido por Patañjali é o percebimento do pensador e dos movimentos de seu pensamento. (…) estar ciente do pensador é o mesmo que estar ciente da continuidade do pensamento. Esta continuidade do pensamento ocorre através das atividades das três guṇas ou atributos.” [4]

O sūtra (I.16) diz que, “conscientes da mente e de suas atividades, chegamos a um estado de real vairāgya, significando, obviamente, que a mente não interfere na ação das guṇas. Deixá-las agir sem intervenção da mente é a forma mais elevada de desapego. No funcionamento normal da três guṇastamas, rajas e sattva – o que se manifesta são as características da estabilidade, mobilidade e harmonia respectivamente. (…) Mas quando a mente interfere com a atividade das guṇas, então ocorrem distorções, de forma que a estabilidade torna-se estagnação, a mobilidade, torna-se atividade inquieta e a harmonia é transformada em auto-satisfação. Quando se permite que as guṇas funcionem sem a interferência da mente, pode-se observar a coexistência da prática e do desapaixonamento, da ação e da inação. Assim, é possível a reta percepção das coisas (…). Desapegar a mente da ação das guṇas é o que descrito como vairāgya. A fim de realizar este desapego, é preciso tornar-se cônscio das atividades da mente com referência a estas guṇas. (…) As tendências reativas nascem quando, nas esferas de funcionamento das guṇas, a mente estabelece seus próprios centros. É assim que a estabilidade transforma-se em estagnação, a mobilidade em inquietação e o repouso ou harmonia em farisaísmo.

Estar cônscio destes centros de pensamento formados nas esferas de funcionamento das guṇas não apenas é o caminho para a coexistência da prática e do desapaixonamento, mas também um caminho para a dissolução dos próprios centros que são os procriadores dos vṛttis. Dissolver esses centros formados na região das guṇas é o verdadeiro propósito do Yoga.”[5]

Namaskar!

Marcia Neves Pinto


[1] Yama são as cinco disciplinas éticas de não-violência, verdade, não roubar, continência e não cobiçar.

[2] Niyama são as cinco observâncias éticas de pureza, contentamento, auto disciplina, auto estudo (estudo do Self) e rendição a Deus.

[3] Os oito membros estão listados no sūtra II.29.

[4] Rohit Mehta, Yoga – a arte da integração, Editora Teosófica, Brasília/DF, 1995, p. 28.

[5] Rohit Mehta, Yoga – a arte da integração, Editora Teosófica, Brasília/DF, 1995, p. 28/29.

ENCONTROS COM PATAÑJALI YOGA SŪTRAS 3º ENCONTRO: COMO A PSICOLOGIA CONTIDA NOS YOGA SŪTRAS CONTRIBUI PARA A ESTABILIDADE DA MENTE E CONQUISTA DA PAZ INTERIOR (PARTE I)

Patanjali

ENCONTROS COM PATAÑJALI YOGA SŪTRAS
3º ENCONTRO: COMO A PSICOLOGIA CONTIDA NOS YOGA SŪTRAS CONTRIBUI PARA A ESTABILIDADE DA MENTE E CONQUISTA DA PAZ INTERIOR (PARTE I)
 

Coordenação: Marcia Neves Pinto  

Em nosso último encontro de 2013 no Yoga Soul surgiu a questão da dificuldade que temos de modificar o modo como sentimos e reagimos a questões mais sérias e antigas da vida, como por exemplo, nas intrincadas situações familiares. Na verdade, a colocação era de como é possível mudarmos em questões do dia a dia, materiais, mas como é impossível mudarmos quando se trata que relacionamentos com pais, filhos, cônjuges.

Respondi eu que nada é impossível, desde o meu ponto de vista e que, pelo menos no que se refere a mim, a prática atenta dos yamas, niyamas e svādhyaya tornaram isso bastante possível e mesmo natural, depois de certo tempo, chegando mesmo a ser surpreendente como a estabilidade da mente vai ganhando espaço e se espraiando por todos os setores da vida. Explico agora com mais tempo do que tinha na aula os motivos da minha convicção, derivada da minha própria experiência após anos de psicanálise, terapias diversas, estudos filosóficos vários, práticas das mais variadas para, finalmente, encontrar o meu ponto de estabilidade mental e de paz por meio do auto estudo orientado nos aforismos do Yoga Sūtras de Patañjali.

Afirma Rohit Mehta, em sua obra Yoga – a arte da integração, que “a necessidade básica da civilização moderna é a integração do homem em todos os níveis de sua existência. O homem está hoje fragmentado e seu interior, e esta desintegração reflete-se na desorganização no nível externo ou social. (…)

Se o homem quiser libertar-se do estresse e da tensão da vida moderna, se quiser resolver o incessante conflito da contradição interna, deve acrescentar à psicologia da análise e da síntese uma nova dimensão de entendimento – e esta pode ser encontrada no caminho indicado pela psicologia do yoga. Em parte alguma encontramos os princípios e a prática da psicologia do yoga expostos com tal precisão e exatidão quanto nos Yoga Sūtras de Patañjali. Esses sūtras são um guia infalível no novo campo da psicologia que o yoga revela ao olhar atento do homem. Com eles, o homem torna-se capaz de ser independente ao tratar com seus problemas psicológicos simples ou complexos. (…) Cada homem pode curar a si mesmo – este é o princípio fundamental da psicologia do yoga. (…) O yoga indica ao homem que ele pode ser uma luz para si mesmo. (…) a psicologia do yoga convida-nos a novas dimensões da vida, onde a mente não é absolutamente limitada por fronteiras.” [1]

Essa exatamente a minha compreensão. Quando Patañjali afirma yogaḥ cittavṛtti nirodaḥ[2], está a dizer que yoga é um estado da mente em que ela está completamente livre de todas as oscilações do pensamento, de todos os hábitos mentais, portanto, de toda a tendência à reatividade. Sabe-se que os hábitos da mente são os centros de reação formados na mente, resultantes da repetição de pensamentos (vṛttis) que resultam em repetição de experiências de prazer ou de dor (sukha/dukha) que, por sua vez, resultam na formação de memórias (saṁskāras) que se tornam nossos hábitos mentais que, colocados em ação, exibem as características de impulsos reativos.

Acostumamo-nos tanto com esses hábitos de pensamento e de ação que começamos a considerá-los nossa natureza. Entretanto, essa é a nossa natureza adquirida, não a nossa verdadeira natureza, a nossa natureza essencial livre dos centros reativos (ātman, puruṣa, Self).

“Patañjali diz que o yoga consiste em dissolver esses centros de reação. Devemos lembrar que yoga não significa o desenvolvimento de novos hábitos em oposição aos antigos. Requer a dissolução do próprio centro do hábito. Uma mente na qual não há centro de reação ou hábito e, realmente, uma mente livre. (…) Qualquer hábito, mau ou bom, condiciona a mente. Se o yoga liberta a mente de todos os centros do hábito, então, certamente, indica um estado em que a consciência (citta) é pura e inocente, sem vestígio algum de condicionamento. (…) Uma mente assim está estabelecida no yoga.[3]

E então, diz Patañjali, tadā draṣṭuḥ svarūpe avasthānam[4]: neste estado, aquele que vê encontra-se estabelecido em sua própria natureza, isto é, na natureza original de sua consciência, livre da interferência da natureza adquirida, motivo pelo qual pode ver a si mesmo e a tudo o que o cerca com correta visão, possibilitando que possa praticar a correta ação.

Estabelecidos em svarūpa[5] seja o que for que fizermos estará de acordo com nosso svadharma[6]. O yoga  não é uma disciplina que objetive fazer-nos escapar da ação, mas de fazer-nos agir de forma correta, livres dos mecanismos de defesa construídos a partir de nossas resistências e indulgências, aceitações e rejeições, embates e persistências, que acabam por se tornar um modelo de percepção do mundo com o qual nos identificamos de tal modo, que nos tornamos incapazes de perceber a vida de outro modo ou de ver que o modo de ver não se confunde conosco mesmos, nem com os objetos que vemos.

Enquanto não dissolvermos os centros de reação, permaneceremos identificados com os mecanismos que formaram nossa natureza adquirida, secundária: vṛtti-sārūpyam itaratra.[7]

E é preciso notar que todos os mecanismos de reação gravados na mente estão enraizados no princípio do prazer, cujo par oposto inseparável é a dor. Deste modo, é indispensável buscar o caminho para a dissolução dos centros de reação que operam na mente a fim de alcançar a experiência para além desses pares de opostos, uma vez que a felicidade não pode ser encontrada nem no perseguir-se o prazer nem no evitar-se a dor.

Patañjali diz que há cinco regiões de atividade mental onde a fonte das modificações da mente, os centros de reação ou centros de operações mentais se agrupam: pramāṇa-viparyaya-vikalpa-nidrāsmṛtayaḥ[8], isto é, razão (lógica, conhecimento correto), irracionalidade (conhecimento incorreto), fantasia (ilusão), sono (sem sonhos ou estupor)e memória. Essas cinco regiões de atividade mental cobrem toda a extensão das operações da mente nos níveis consciente, inconsciente e subconsciente, valendo notar que interagem incessantemente entre si, seus frutos (pensamentos) se transformando uns nos outros, e que é justamente este fluxo que caracteriza os vṛttis. Se compreendermos como funcionam essas regiões de atividade mental e desarticularmos sua tendência à reatividade, cessaremos o fluxo incessante de vṛttis.

Cabe aqui ressaltar que cessar o fluxo incessante de vṛttis não significa inibir o surgimento de pensamentos na mente, pois isto significaria tornar a mente totalmente adormecida ou morta. Não é o surgimento de pensamentos que constitui um problema, mas dar continuidade a esses pensamentos porque, a continuidade de pensamentos e as tendências da mente são uma única coisa: da continuidade do pensamento nasce a tendência reativa da mente. “Quando o pensamento estabelece sua esfera de influência na mente, então nasce vṛtti. Se os pensamentos viessem e fossem sem formar qualquer centro permanente da mente, não haveria absolutamente dificuldade. Tal mente sempre permaneceria livre e não comprometida. Em tal mente os centros do hábito não seriam criados. (…)

A questão fundamental portanto é: como prevenir esta continuidade com referência ao pensamento-emoção?”[9]

Veja no próximo post!

Namaskar!

Marcia Neves Pinto


[1] Editora Teosófica, Brasília/DF, 1995, p. 9/13.

[2] Sūtra I.2. Este é o sūtra que define o yoga. Verifica-se que a palavra vṛtti significa “modificações, transformações, variações ou funcionamento” e citta, mente. Nirodhaḥ significa “parar, restringir ou controlar” e, neste contexto, significa absorver os pensamentos em si mesmo. Portanto, yoga é a neutralização das ondas que se alternam na consciência; é a cessação de todas as modificações da substância mental.

[3] Rohit Mehta, obra citada, p. 14/15.

[4] Sūtra I.3. No sūtra anterior foi afirmado que yoga é a cessação das ondas de pensamento. Neste é dito que o resultado de controlar as funções da mente será, então (tadā), que a pessoa (draṣṭuḥ) estará situada (avasthānam) em sua verdadeira posição (svarūpa).

[5] A palavra svarūpa é composta de sva = sua, acrescido de rūpa, que significa forma e é utilizado comumente também como corpo. Isso implica que temos uma forma eterna ou corpo eterno, que também significa uma natureza eterna – um estado de existência pessoal real (transcendental). Deste modo, uma vez livre da associação com os estados da mente, a alma pode subsistir em sua própria natureza.

[6] A palavra svadharma é composta de sva = sua, acrescido de dharma, logo, seu dever.

[7] Sūtra I.4. Caso contrário (itarata), assume-se a forma (sārūpyam) dos processos mentais (vṛtti), isto é, Patañjali apresenta duas opções: não praticar yoga e assumir as designações e situações mentais falsas (sūtra I.4) ou praticar yoga e atingir nosso estado eterno e real (sūtra I.3), eliminando os constantes fluxos mentais mundanos. Sem a prática do yoga, parece que o Eu assume as formas das alterações mentais, perdendo sua identidade e identificando-se com seus pensamentos e seu corpo. É por isso que, se pudermos tranquilizar nossas mentes e chegar às bases de todas essas modificações, encontraremos a unidade que existe em todas as coisas. Esta é a verdadeira vida yogi.

[8] Sūtra I.6 Razão, irracionalidade, fantasia, sono e memória.

[9] Rohit Mehta, obra citada, p. 23.

~ New Supercomputer based on Vedic concept of ‘Brahmanda’

LEAP OF FAITH – Salto sobre a Fé

LEAP OF FAITH

Salto sobre a Fé

Leap of Faith

Leap of faith é um documentário feito em 2008 por ocasião do aniversário de 90 anos de Bellur Krishnamachar Sundararaja (BKS) Iyengar, nosso estimado Guruji, que hoje, 14/12/2013, completou 95 anos.

Recém nascido, Guruji e sua mãe foram vítimas da epidemia de influenza (gripe espanhola) e não se esperava que sobrevivessem. Em sua infância foi vitimado pela malária, febre tifoide e tuberculose, tendo os médicos estimado que ele morreria até os 18/19 anos.

Porém, em 1934 ele foi visitar sua irmã em Mysore e seu cunhado o convidou para morar com eles e aprender alguns āsanas para melhorar a saúde. Assim, por acaso, inicia a longa caminhada de Guruji na arte e disciplina do yoga.

Em 1935, contando 16 anos, Guruji inicia as atividades de ensino no yogshala de Mysore, levado por seu cunhado e Guru Sri T. Krishnamacharya e progride rapidamente: em seis meses obteve a certificação como professor níveis introdutório, júnior e sênior.

Em 1937, aos 18 anos foi enviado por seu Guru a Pune, Maharashtra, para ensinar e falar sobre yoga, já que ele sabia um pouco de inglês, local que acabou por se definir como seu domicílio e local onde construir o Ramamani Memorial Iyengar Yoga Institute – RMIYI, em 1975, quando voos diretos de diversos locais do mundo passaram a parar em Pune, assim possibilitando que seus alunos, espalhados pelo mundo todo, pudessem ir à inauguração do instituto e passassem a ir lá aprender diretamente com seu mestre.

Guruji dedicou toda a sua vida ao yoga e a revolução a que deu início, introduzindo o yoga no ocidente, se deve ao fato de ter começado a demonstrar os āsanas de um modo que estimulava as pessoas a praticar yoga, tomando todo o palco com movimentos interligados como se fosse uma dança, ao mesmo tempo em discursava sobre a prática do yoga e seus efeitos.

Na ocasião do filme Guruji tinha disseminado seus ensinamentos em 534 centros de Iyengar Yoga espalhados pelo mundo, tinha certificado 2.412 professores e contabilizava mais de 10 milhões de praticantes de seu método.

Seu site oficial (http://www.bksiyengar.com) contabiliza 3.892 professores espalhados pelo mundo do seguinte modo:

Country           Nº of Teachers

TOTAL

3892

Aguilla

1

Argentina

27

Australia

230

Austria

15

Bahrain

1

Belarus

7

Belgium

14

Bermuda

3

Bolivia

1

Brasil

99

Canada

175

Canary Island

1

Channel Island

1

Chile

43

China

1

Costa Rica

1

Cyprus

1

Czech Republic

14

Denmark

52

England

580

Finland

8

France

169

French West Indies

1

Germany

274

Greece

9

Guadelope

1

Hong Kong

25

Hungary

28

Indonesia

20

Iran

53

Ireland

1

Israel

75

Italy

245

Japan

24

Jordan

2

Latvia

20

Lithuania

7

Macau

4

Malaysia

7

Marshall Island

1

Mexico

40

Morocco

1

Netherlands

96

New Caledonia

1

New Zealand

42

Northern Ireland

9

Norway

3

Oman

1

P.R. China

12

Peru

2

Philippines

7

Poland

29

Portugal

10

Republic of Ireland

47

Romania

1

Russia

17

Scotland

51

Singapore

7

Slovakia

8

South Africa

88

South Korea

3

Spain

178

Swaziland

4

Sweden

6

Switzerland

30

Tunisia

1

Turkey

5

UAE

7

USA

925

Wales

13

Yemen

1

Zimbabwe

6

Seu primeiro livro, publicado em 1965 em inglês, Light on Yoga, é considerado o opus magnum de yoga e encontra-se traduzido em alemão, francês, holandês, hebraico, húngaro, italiano, japonês, coreano, polonês, russo, espanhol, ucraniano, gujrati, hindi, kannada e marahati.

Completando a tríade de ensinamentos indispensáveis à prática do yoga, ele ainda escreveu Light on Prāṇāyāma disponível em inglês, alemão, francês, italiano, japonês, coreano, polonês, russo, espanhol, persa, hindi e marahati e Light on the Yoga Sūtras of Patañjali, disponível em inglês, alemão, francês, italiano e espanhol.

Em suas palavras, “health and wellbeing are the starting points of yoga”, saúde e bem estar são os pontos preliminares do yoga. Em sua mente, yoga é para todos e um modo de vida. Assim, com sua prática intelectual e espiritual ele dominou as técnicas que podem ser utilizadas por qualquer praticante de yoga e criou os props que ajudam o praticante a alcançar a perfeição em um āsana.

A prática regular de Iyengar yoga definitivamente integra o corpo, a mente e as emoções, além de fazer com que o praticante experimente os yoga sūtras através de sua prática.

Em sua homenagem,  hoje no Yoga Soul, no grupo de estudos Encontros com Patañjali Yoga Sūtras, fizemos um puja e assistimos o filme, assim rendendo nossas homenagens e preces em intenção de vida longa, saudável, produtiva e feliz de nosso amado Guruji.

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Jay, jay, Guruji!

Namaskar!

Marcia Neves Pinto

ENCONTROS COM PATAÑJALI YOGA SŪTRAS: II.1 – TAPAṢ SVĀDHYĀYA ĪŚVARAPRAṆIDHĀNĀNI KRIYĀYOGAḤ

Patanjali

ENCONTROS COM PATAÑJALI YOGA SŪTRAS:
II.1 – TAPA SVĀDHYĀYA ĪŚVARAPRAIDHĀNĀNI KRIYĀYOGA 

Coordenação: Marcia Neves Pinto 

Este sūtra se encontra no segundo capítulo dos Yoga Sūtras de Patañjali, denominado Sādhana Pāda, isto é, capítulo da prática, onde Patañjali prescreve um certo nível de sādhana para aqueles que são iniciantes na arte do yoga. Aqui, a arte da prática (abhyāsa) é completamente explicada a fim de auxiliar o praticante na manutenção ininterrupta de sua sādhana, para guiá-lo em suas falhas, de modo que possa ganhar maior clareza por meio da observação aguda e reflexão e imaculada precisão em sua prática. E começa assim:

 

II.1 – TAPA SVĀDHYĀYA ĪŚVARAPRAIDHĀNĀNI KRIYĀYOGA, significa, segundo Iyengar que, zelo ardente na prática, auto estudo e estudo das escrituras, bem como a entrega a Deus, são as ações do yoga. Acrescenta que, para Patañjali, a prática do yoga é a “yoga da ação”, kriya-yoga, composta de tapaṣ, autodisciplina, svādhyāya, auto-estudo e Īśvara praṇidhana, entrega a Deus: karma, jñana e bhakti-marga, os três grandes caminhos apontados no Gītā, cujas fontes são a vida, a sabedoria e a rendição do ego, respectivamente.

Vijñānabhikṣu (cf. Edwin Bryant[1]) aponta que tapas, svādhyāya e Īśvara praṇidhana foram selecionados por Patañjali como os ingredientes mais importantes, uma vez que os colocou sob as rubricas de kriya e também de niyamas. É interessante notar que tapas e svādhyāya são antigas práticas brâmanes, importantes nos ritos de purificação dos Vedas.

Deste sūtra em diante aprende-se como estabilizar a mente. A disciplina para purificar os três aspectos do homem – corpo, fala e mente – constitui kriya-yoga, o caminho para a perfeição: nosso corpo se purifica através da autodisciplina (tapas), nossas palavras pelo auto estudo (svādhyāya) e nossa mente através do amor e entrega a Deus (Īśvara praṇidhana).

Vācaspati Miśra (cf. Bryant) nota que dedicação a Deus, abhyāsa e vairāgya, prática e desapego, foram mencionados no primeiro capítulo (I.15) como os meios do yoga, enquanto aqui, em kriya-yoga, tapas, svādhyāya e Īśvara praṇidana estão sendo apresentados como meios. Prática e desapego, entretanto, requerem a predominância de sattva e isto é difícil para a mente ativa ainda sob a influência de rajas e tamas. Para temperamentos como esse, os meios delineados neste sūtra produzem a pureza de mente requerida. Uma vez que a mente esteja mais sattvic, torna-se mais capaz de permanecer fixada na prática e no desapego.

Taimni[2], por sua vez, salienta que a razão para estarem esses três (dentre os cinco) elementos de niyamas aqui repetidos em um texto tão condensado, é que qualquer pessoa familiarizada com o objetivo de vida do yoga e com o tipo de esforço necessário para alcançá-lo, compreenderá que não é possível nem recomendável para alguém absorvido pela vida mundana lançar-se de uma só vez na prática regular de yoga. Se estiver interessada na filosofia e desejar ingressar na senda que leva a seu objetivo, deverá, primeiramente, acostumar-se à disciplina, adquirir o conhecimento necessário dos dharma-śāstras e dos yoga-śāstras e reduzir a intensidade do seu egoísmo e todos os demais kleśas dele oriundos.

Um período preparatório de auto treinamento, no qual ela vai gradualmente assimilando a filosofia da Yoga e sua técnica, acostumando-se à auto disciplina, torna a transição de uma vida para outra bem mais fácil e segura. Então, ou essas pessoas emergem da auto disciplina preliminar com um objetivo claramente definido, com determinação e capacidade de seguir até o fim com vigor e sincera devoção, ou aos poucos vão compreendendo que não se encontram ainda prontos para a prática de yoga e decidem sintonizar sua aspiração com os estudos meramente intelectuais.

Taimni ainda esclarece que essa disciplina preparatória é tríplice em sua natureza, correspondendo à tríplice natureza do homem: tapas relaciona-se com a vontade, svādhyāya com o intelecto e Īśvara praṇidhana com as emoções, de modo a acarretar um desenvolvimento integral e equilibrado da individualidade, tão essencial à consecução de qualquer ideal elevado.

Bryant observa que aqui Patañjali retoma os meios de acalmar a mente, porém, de um modo psicologicamente mais profundo, pois não se atém mais apenas a analisar os mecanismos de formação dos vṛtti, mas a buscar sua causa, daí entender que este pāda é uma continuação orgânica do anterior.

Prossegue dizendo que tapas significa o controle dos sentidos tanto na qualidade quanto na quantidade, defendendo que não há Yoga sem a prática de tapas, auto disciplina, austeridade, o primeiro – e, portanto, mais importante – item da lista de Patañjali. A tendência da mente de perseguir a gratificação dos sentidos somente pode ser quebrada pela auto disciplina.

Vyāsa (cf. Bryant) define svādhyāya, o segundo item mencionado no sūtra, como japa, a repetição de mantras como ĀUṂ e o estudo das escrituras, o que corresponde à prática de jñana, mais especialmente vinculada à tradição Vedanta.

Vyāsa define Īśvara praṇidhana como a dedicação de todas as ações a Deus e a renúncia a todos os frutos desejados. Vijñānabhikṣu nota que a submissão a Īśvara mencionada neste sūtra é diferente da interação com Īśvara anotada em I.28, porque lá o contexto é de ter Deus como objeto de meditação, enquanto aqui a devoção a Īśvara tem a conotação de renunciar aos desejos do ego e oferecer as ações a Deus. A implicação disto é que a concentração interna em Deus é para iogues mais avançados, para os mais iniciantes a prática é mais externa ou focada nas ações. Entretanto, é interessante observar que a devoção a Deus não é uma opção em kriya-yoga como o era na escolha do objeto de meditação, marcando a orientação teística de Patañjali.

Os comentaristas consideram essa dedicação dos frutos da ação a Īśvara como uma referência implícita a karma-yoga centrada em bhakti exposta no Gītā por Kṛṣṇa: “você tem o direito de cumprir seus deveres, mas não aos seus frutos; não se considere como o executor das suas atividades e não se apegue à inatividade.” (II.47). De acordo com as leis do karma, toda ação, boa ou má, quando executada com base no interesse próprio, ou mais precisamente, sob a influência da ignorância – confundindo o eu com o corpo ou a mente (II.5) – planta uma semente de reação, que nesta ou em futura vida irá eventualmente gerar frutos, bons ou maus, de acordo com a ação original (II.12).

Karma-yoga, conforme o Gītā, é o caminho da ação orientada puramente pelo dharma, através do qual a pessoa pode evitar o ciclo vicioso da reação do karma, sasara.

 Namaskar!

Marcia Neves Pinto

 

 


[1][1] Edwin F. Bryant, The Yoga Sutras of Patañjali, North Point Press, New York, 1ª ed., 2009.

[2] I.K.Taimni, A Ciência do Yoga, Ed. Teosófica, Brasília – DF, 4ª Ed., 2006.

 

 


[1][1] Edwin F. Bryant, The Yoga Sutras of Patañjali, North Point Press, New York, 1ª ed., 2009.

[2] I.K.Taimni, A Ciência do Yoga, Ed. Teosófica, Brasília – DF, 4ª Ed., 2006.

Atividade física antes dos 40 ajuda a prevenir hipertensão na menopausa

Especialistas em cardiologia estimam que até 80% das mulheres podem se tornar hipertensas após a menopausa. Para prevenir o problema, a prática de exercícios físicos precisa ser incluída na rotina por volta dos 40 anos de idade, muito antes de a última menstruação acontecer.

O alerta foi feito pela pesquisadora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Angelina Zanesco, que coordena uma pesquisa cujo objetivo é desvendar os mecanismos biológicos responsáveis pelo aumento da pressão arterial feminina nessa faixa etária.

“Muitas mulheres começam a se preocupar com a atividade física somente após os 50 anos, quando a barriga começa a crescer. Mas nossos resultados mostram que, para evitar o desenvolvimento da doença, a intervenção precisa ser feita antes que ocorram as mudanças metabólicas e hormonais da menopausa”, afirmou Zanesco.

Leia mais:
Yoga e hipertensão: Abaixo à ansiedade
Hipertensão: meditação como tratamento
Hipertensão: como conviver com ela
Hipertensão infantil:…

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SOME OBSERVATIONS ABOUT THE JUNIOR 2 SYLLABUS

interm course book

some observations about the Junior 2 syllabus

Observation 1.  Padmasana is a huge part of the junior 2  syllabus.

here is a list of the poses that contain  padmasana or  ardha padmasana

Ardha Baddha Padmottansana (both hands on floor)
Arhda Baddha Padma Paschimottansana (holding from behind with help of  belt)
Padmasana
Parvatasana in Padmasana
Tolasana
Matsyasana
Supta III

Seven out of twenty-three poses.

Observation 2.   The other poses that are are difficult for me also involved width and depth in the groin.

Akarna Dhaurasana
Dwi hasta Bhujasana
Malsana II
Kurmasana
Marichyasana III
UVK to the floor

Observation  3   Other poses require more in the shoulders  I’m in the ball park but need more work.

Ardha baddha Padma Paschimootansana, holding from behind.
M3
Dwi Pada   getting chair legs.

observation 4.  poses that require more in the lower back hamstring,   again. I’m in the ball park but need more work.  This is definitely something that I’ve lost over the past couple of years I was definitely more flexible in the hamstrings three/four years ago.

Arkasana Dhanurasana
Eka Pada Sirsasana  if  I go to the floor
eka Pada sarvangasana to the floor (actually, this one has come back now that I’m doing it every day)
Utthita hasta padangustahasana
full supta I
Upavistha Konasana to the floor

Observation 5.

A few poses are not that difficult for me.

Parsva Sirsasana
eka Pada sirsasana
Eka Pada sarvangasana
Supta  I and II
AMS
AMVrk
Urdhva D from  Two  Bolsters.