YOGA SUTRAS DE PATAÑJALI, I.5

Patanjali ouroI.5 – VṚTTAYAḤ PAÑCATAYYAḤ KLIṢṬA-AKLIṢṬĀḤ

Iyengar explica que vṛttayaḥ pode ser traduzido por movimentos ou modificações, pañcatayyaḥ significa quíntuplo, kliṣṭa afligindo, atormentando, estressando ou doendo e akliṣṭāḥ não problemático, não perturbador, não aflitivo, não estressante, prazeroso. Deste modo, este sūtra poderia ser lido como: “os movimentos da consciência são quíntuplos. Eles podem ser perceptíveis ou imperceptíveis, dolorosos ou indolores.”

A consciência vê os objetos relacionando-os às suas próprias idiossincrasias, criando flutuações e modificações nos pensamentos. Essas modificações, que são de cinco tipos, são explicadas no próximo sūtra e podem ser visíveis ou ocultas, dolorosas ou indolores, estressantes ou prazerosos, reconhecíveis ou irreconhecíveis.

O sūtra anterior explica que a consciência envolve o observador nos objetos observados por ele e convida cinco tipos de flutuações que podem, elas mesmas, ser divididas e subdivididas quase infinitamente.

Dores reconhecidas e angústias são controladas ou aniquiladas pela prática do yoga e pela força de vontade. Dores irreconhecíveis têm seu surgimento no estado de cognição evitado através da libertação dos desejos (vāsanās) e pelo desapego (vairāgya), somados à prática do yoga.

No sūtra II.12, Patañjali utiliza as palavras drsta (visível) e adrsta (imperceptível, invisível). Elas podem ser comparadas a kliṣṭa e akliṣṭā. A natureza faz com que as cinco flutuações apareçam em sua aflitiva forma kliṣṭa, enquanto puruṣa tende a trazê-las para o estado akliṣṭā.

Os vṛttis, em suas manifestações kliṣṭa e akliṣṭā, não são entidades separadas paralelas, mas alimentam e suportam uma à outra. Patañjali não divide os vṛttis em dolorosos e prazerosos porque, mesmo um pensamento considerado prazeroso pode, em última instância, trazer dor.

Não é fácil saber se um pensamento em particular trará dor ou não, então, para melhor identificá-los, troquemos as palavras “dolorosos” e “indolores” por pensamentos egoístas e não egoístas. Os pensamentos egoístas acabam trazendo dor. Já os que não trazem egoísmo nunca poderão ser realmente causa de dor. Nossa principal obrigação é cultivar pensamentos não egoístas e, para saber se nossos pensamentos são ou não egoístas, temos de analisá-los. Isso em si mesmo é prática de yoga – observar nossos próprios pensamentos e analisá-los.

Marcia Neves Pinto

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