Arquivo do mês: abril 2013

CAPÍTULO 6 – A MEDITAÇÃO

CAPÍTULO 6 – A MEDITAÇÃO

Teacher's Day 

Este capítulo trata de alguns dos meios para alcançar a realização do yoga ou a disciplina da mente. Kṛṣṇa enfatiza aqui que a essência da vida espiritual é a transcendência do ego, que o verdadeiro renunciante e, também, o verdadeiro yogi é aquele que pratica ações determinadas pelo dever e ações espirituais (karyam e karma) sem desejar os frutos delas, não aquele que não as pratica em nome do ego ou do ascetismo, e que a expressão chave para a participação no saṁsāra é “desempenhar seu papel” (dharma) com a consciência da não identificação com o ego.” (6:1).

“(6.2) Aprende, ó Pandava (Ārjuna): aquilo que as escrituras chamam de sannyāsa (renúncia) é o mesmo que yoga. De fato, sem renunciar aos motivos egoístas (saṅkalpa), ninguém pode ser um (verdadeiro) yogi.”[1]

“6. O eu é amigo de si mesmo para quem conquistou a si mesmo por si mesmo. Mas, para quem não dominou a si mesmo, o eu permanece na forma de um inimigo, exatamente como um inimigo [externo].

(…)

8. Aquele cuja mente está satisfeita no conhecimento e na sabedoria, que é firme, cujos órgãos estão sob seu comando, que é integrado, que tem a mesma atitude para com um pedaço de terra, uma pedra e ouro, é chamado de yogin.[2] 

A aquisição de conhecimento depende da aquisição de ensinamentos que eliminem a ignorância, da reflexão sobre os ensinamentos a fim de eliminar as dúvidas e da contemplação a fim de eliminar os erros, principalmente o erro da identificação da alma com o corpo ou seus atributos, da mente com o intelecto, do sujeito com o objeto.

“Dois são os obstáculos para o conhecimento: as reações da mente devido aos gostos e aversões, resolvidos através de karmayoga, e a agitação da mente, resolvida através da meditação.

Temos, então, a meditação como sādhana para disciplinar a mente, e como contemplação para firmar o conhecimento. (…)

Se a mente não está preparada para a meditação, karmayoga é necessário. Através de karmayoga, a mente extrovertida tornar-se-á contemplativa. Depois, uma vida mais calma e desapegada do mundo será natural.

O yukta é a pessoa cuja mente disciplinada pelo questionamento e pela contemplação, livre da sede pelos objetos de desejo, permanece no Eu.”[3]

A ciência do yoga tem o método para o controle da mente: o controle da respiração (prāṇāyāma):

“12. Ali sentado [nesse] assento, tendo focado a mente em um ponto [e] controlado as atividades da mente e os sentidos, ele deve se entregar ao yoga [à meditação] para a purificação da mente.

13. Estando firme [na determinação de fazer meditação], mantendo o tronco, a cabeça e o pescoço em alinhamento [e] sem movimento, olhando [como que] para a ponta de seu próprio nariz e não olhando para [outras] direções.

(…)

15. Focando sempre a mente, desta maneira, o yogin, com a mente disciplinada, alcança a paz, a permanência em minha natureza, que é a liberação.

(…)

17. Aquele para quem o alimento e a atividade estão em medida controlada, cujas atitudes nas ações são controladas [e] cujos sono e vigília são moderados, para esse existe yoga, que destrói a infelicidade.

18. Livre da sede por todos os objetos de desejo, quando a mente é disciplinada [e] permanece sempre no Ātman, então [a pessoa] é chamada de integrada.

(…)

20. Quando a mente está calma, controlada através da disciplina da meditação; quando ele [o indivíduo], vendo a si mesmo através de si mesmo, está satisfeito em si mesmo;

21. quando ele conhece a felicidade sem limites, que não depende da percepção [e somente] pode ser apreendida pelo intelecto, e permanecendo [nela], não se afasta da verdade;

22. tendo alcançado esta [verdade], ele considera não existir outra aquisição maior (…).

23. Que seja sabido que a dissociação da associação com a dor é chamada yoga. Este yoga deve ser seguido com determinação [e] com uma mente que não se faz indiferente. (grifo nosso)

(…)

29. Aquele cuja mente está integrada através do yoga [meditação], que tem a visão da identidade em todos os seres, vê o Ātman em todos os seres e todos os seres no Ātman.” 

Ārjuna, então, reclama que sua mente é inconstante, perturbadora, poderosa, obstinada, mais difícil de domar que o vento.

“33. Ārjuna disse:

— Ó Madhusūdana [Kṛṣṇa], esse yoga foi explicado por você como igualdade; eu não vejo a existência firme dessa [igualdade] devido à inconstância da mente].

34. Pois a mente é inconstante, atormentadora, poderosa, ó Kṛṣṇa! Eu considero o controle dela tão difícil como o [controle] do vento.”[4]

Srī Kṛṣṇa concorda com ele, tendo em vista ser esta a natureza da mente, mas apresenta um método para domá-la: abhyāsa, a prática repetida e vairāgya, o desprendimento:

“35. O Senhor [Kṛṣṇa] disse:

— Sem dúvida, ó Mahśbāhu [Ārjuna], a mente é inconstante [e] difícil de ser controlada. Porém, ó Kaunteya [Ārjuna], através da repetição e do desapego, ela é disciplinada.

36. Eu considero o yoga como difícil de ser alcançado por aquele cuja mente não foi disciplinada. Mas [o yoga] pode ser alcançado por aquele que se esforça através de meios adequados [e] cuja mente está sob seu comando.”[5]

A prática de yoga implica em um trabalho repetido, tanto interno quanto externo, de retorno à serenidade. O desprendimento aqui deve ser entendido como isolar a mente de todas as formas de prazer sensorial.

O mesmo é afirmado nos Yoga Sūtras de Patañjali:

“I.12 abhyāsa vairāgyābhyāṁ tannirodhaḥ” 

Isto significa, no entendimento de B. K. S. Iyengar[6], que a “prática e desprendimento são os meios para acalmar os movimentos da consciência”. Estudar a consciência e acalmá-la é prática. Abhyāsa significa a prática repetida do yoga, referindo-se à repetição mecânica, uma vez denominar anuṣṭhāna à prática feita com compreensão da arte e da filosofia do yoga e onde existe a perfeita comunhão entre corpo, mente e alma.

Vairāgya é a prática através da qual o sādhaka aprende a ser livre dos desejos e paixões e a cultivar o desprendimento com relação às coisas que obstruem a persecução da união com a alma.

“Por fim, Ārjuna pergunta qual é o destino de uma pessoa que morre antes de alcançar o resultado do yoga. Kṛṣṇa lhe assegura que não existe perda em yoga: ao passar desta vida para outra, a pessoa se conecta com o conhecimento já adquirido na vida anterior, esforça-se, e livre de obstáculos, alcança a liberação final.”[7]:

“41. Tendo alcançado mundos produzidos por boas ações, permanecendo [lá] por inúmeros anos, aquele que não foi bem sucedido em yoga, nasce novamente numa família onde há cultura e riqueza.”[8]

“A ideia de que o nascimento de uma pessoa depende unicamente de fatores biológicos é em grande parte um mito. Seus genes têm, sem dúvida, algo a ver com a forma do corpo físico, mas mesmo essa forma e outras características são determinadas também pelo karma pessoal. Eles às vezes são igualmente influenciados, em certa medida, pelo karma coletivo, que pode ditar fatores como a cor da pele, os traços raciais e mesmo o sexo do corpo. As qualidades mentais e espirituais de uma pessoa superior, no entanto, aproximam-na de famílias dispostas a ajudá-la a prosseguir em sua busca espiritual. Também a prosperidade lhe é dada para que possa satisfazer quaisquer desejos materiais razoáveis.”[9] 

“42. Ou nasce numa família de yogins discriminativos. Em verdade, um nascimento igual a esse, neste mundo, é muito difícil de ser alcançado.

43. Aí [nesse nascimento], ele alcança conexão com o conhecimento adquirido em outro corpo [outra vida] e, esforça-se mais para a liberação, ó Karunandana [Ārjuna].

“45. O yogin é considerado superior àqueles que praticam austeridade, superior mesmo aos estudiosos e superior àqueles que se dedicam à ação. Portanto, seja um yogin, ó Ārjuna.”[10]

Marcia Neves Pinto


[1] Paramahansa Yogananda, A Essência do Bhagavad Gita, p. 245.

[2] Gloria Arieira, obra citada, p. 194/195.

[3] Gloria Arieira, obra citada, p. 185/186.

[4] Gloria Arieira, obra citada, p. 208.

[5] Gloria Arieira, obra citada, p. 209.

[6] Light on the Yoga Sūtras of Patañjali, Harper Collins Publishers, United Kingdom, 15 ª ed., 2008.

[7] Gloria Arieira, obra citada, p. 187.

[8] Gloria Arieira, obra citada, p. 212.

[9] Paramahansa Yogananda, A Essência do Bhagavad Gita, p. 271/272.

[10] Gloria Arieira, obra citada, p. 213/214.

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CAPÍTULO 5 – A RENÚNCIA DA AÇÃO

CAPÍTULO 5 – A RENÚNCIA DA AÇÃO

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“Desde o início, Ārjuna quer convencer Kṛṣṇa a apoiá-lo em renunciar às ações. Kṛṣṇa insiste em que ele deve agir, porque o problema não está na ação e seus resultados, mas no impulso produzido pelos gostos e aversões. Estes não serão eliminados na ausência da ação. É através de ações com a atitude de karmayoga que estes gostos e aversões serão neutralizados. (…) Kṛṣṇa explica a renúncia ou sannyāsa como parte da sociedade védica.

Em qualquer sociedade, as pessoas estão submetidas a direitos e deveres. A sociedade védica enfatiza os deveres, que, quando cumpridos pelos vários membros da sociedade, asseguram os direitos de todos.”[1]

“Como diz Kṛṣṇa no Gītā, mais vale falhar no cumprimento do nosso dever do que obter êxito cumprindo os deveres dos outros.”[2]

“A verdadeira natureza de um dever específico é mais difícil de determinar que o caráter geral da reta ação – a saber, aquela que não tem em mira resultados. Mas a reta ação pode ser definida em linhas gerais como a que propicia calma e liberdade interior.”[3]

“Como a folha de lótus que permanece imaculado pela água, o yogi que pratica ações renegando o apego e entregando seus atos ao Infinito permanece livre do emaranhamento nos sentidos.                                                                               10

Para que o ego seja santificado, os yogis praticam ações apenas com (os instrumentos da ação) o corpo, a mente, o discernimento ou mesmo os sentidos, abandonando o apego (não permitindo o envolvimento do ego, com seus apegos e desejos.)                                                                                                             11[4]

 

Gāndhī[5] pontua “que este capítulo é dedicado a demonstrar que a renúncia à ação como tal é impossível sem a disciplina da ação desinteressada, e que ambas são finalmente uma só.”

“Aquele que afasta seu interesse dos objetos exteriores e os coloca em seu Ser Interno está apto para a união com Brahman e para a mais alta felicidade. (…)

22. Porque os gozos derivados dos sentidos não são mais que fonte de desgraça; não têm um princípio e um fim, ó Kaunteya; o sábio neles não se deleita.

23. O homem que, ainda nesta terra e mesmo antes de ser libertado do corpo, é capaz de se manter contra a corrente do desejo e da ira, ele é um yogi, ele é feliz.

Como um cadáver não sente gosto ou desgosto, que não é sensível ao prazer ou à dor, assim aquele que em vida está como morto para eles, esse vive verdadeiramente e é verdadeiramente feliz.(…)

Estes versos referem-se a algumas práticas [yogis] estabelecidas nos Yoga Sūtras. (…) As práticas [yogikas] ajudam o yogi a manter seu corpo e seus sentidos sob controle. (…) Por isso, o príncipe dos yogis, Patañjali, põe em primeiro lugar os yamas (votos obrigatórios) e os niyamas (votos voluntários), e sustenta que está apto para as práticas [yogikas] somente aquele que passou por estas disciplinas preliminares [grifos nossos]”[6], a dizer que quem quer que não pratique os cinco yamas não-violência, veracidade, não roubar, não almejar mais do que o necessário e controlar a sensualidade, bem como os cinco niyamas, pureza externa e interna, contentamento, auto estudo, austeridade e devoção, não deve sequer pensar que está apto a praticar o terceiro membro do yoga, os āsanas. Cada membro do yoga é de fato um pré requisito para o membro que lhe segue. A ordem não é aleatória, ela é dada em grau hierárquico, como em todas as escrituras. Um passo prepara para o passo seguinte.

“(5:27,28) O muni (aquele para quem a libertação é o único propósito da vida) controla seus sentidos, mente e intelecto, furtando-se ao contanto com eles pela neutralização das corrente de praṇa e apaṇa na espinha, as quais se manifestam (exteriormente) como inspiração e expiração pelas narinas. Ele fixa o olhar na fronte, no ponto entre as sobrancelhas (convertendo assim o fluxo dual da visão física num único olho espiritual onisciente). Esse homem se emancipa por completo.

O yoga, como se sabe, não é tanto uma filosofia quanto uma ciência que oferce técnicas definidas para se alçar a consciência interiormente, ao longo da espinha, e unir suas inúmeras tendências direcionais (samskaras) ao potencial superior no Eu.

Um aspecto fascinante desse processo é que a pessoa não precisa buscar a unidade com o infinito: precisa apenas atingir, em si mesmo, um nível de perfeito refinamento a fim de alcançar o grau de consciência onde a separação deixa de existir. (…)

Fixar o olhar no ponto entre as sobrancelhas não é uma prática tão estranha quanto possa parecer a princípio. Sempre que somos inspirados por uma nova sugestão ou ideia, levantamos o olhar como que instintivamente. A sede da supraconsciência é a fronte. (A do subconsciente é a parte posterior da cabeça.) O lobo frontal do cérebro, localizado logo atrás do osso da testa, é o posto avançado que a evolução humana acrescentou ao cérebro propriamente dito. A testa dos animais inferiores recua em ângulo agudo – indicando a ausência do lobo frontal.

Os yogis descobriram, há séculos, que a porção frontal a ser particularmente estimulada situa-se logo atrás do ponto médio entre as sobrancelhas.”[7]

Marcia Neves Pinto


[1] Gloria Arieira, obra citada, p. 165.

[2] Paramahansa Yogananda, A Essência do Bhagavad Gita, p.221.

[3] Paramahansa Yogananda, A Essência do Bhagavad Gita, p.223.

[4] Paramahansa Yogananda, A Yoga do Bhagavad Gita, p.97.

[5] Gāndhī, obra citada, p. 65.

[6] Gāndhī, obra citada, p. 72/73.

[7] Paramahansa Yogananda, A Essência do Bhagavad Gita, p.235 e 237.

O SISTEMA DE YOGA CRIADO POR B. K. S. IYENGAR

O SISTEMA DE YOGA CRIADO POR B. K. S. IYENGAR

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Uma palestra proferida por Prashant S. Iyengar em dezembro/98, por ocasião do 80º aniversário do Guruji, teve por tema o que este último fez pelo yoga, em especial como adhyātma śāstra (a ciência que tem por objeto compreender a alma).

Esse é um enfoque objetivo a respeito do diferencial desse sistema, útil para esclarecer o que é Yoga Iyengar usando as palavras de um dos Iyengars.

Diz Prashant: “Os primeiros aspectos do yoga, āsana e prāṇāyama, eram dublês de exercícios antes do Guruji ingressar no campo do yoga. Āsana-s, em particular, não podiam ser relacionados como adhyātmic sādhanā e eram meramente considerados exercícios físicos. (…) À exceção dos livros e sistema do Guruji, nenhum outro livro ou sistema pode provar e convencer que āsana-s são espirituais em sua abordagem e espirituais em sua finalidade.” (Yoga and the New Milleniun, Yog, Mumbai, Índia, p. 6)

Os livros afirmam que yoga é ciência, mas somente Guruji o sistematizou como uma ciência. E nesse sistema, que chamamos de Yoga Iyengar, há três aspectos únicos que podem distingui-lo de todos os outros sistemas:

  1. Tecnicalidades;
  2. Sequenciamento dos āsanas;
  3. Tempo.

Prashant discorre sobre cada um desses aspectos, tornando-os bastante claros para todos nós e afirma que “Esses três aspectos estão tão integrados que não vão funcionar de uma maneira isolada. A integração desses três aspectos é a quarta maravilha de nosso sistema. Portanto, āsana-s podem contribuir nos ajudando a viajar no longo percurso no caminho de adhyātma somente em virtude desses três aspectos trabalhando de uma maneira integrada. É uma grande ‘cientificação’ do Guruji.” (p. 10)

  • Ø Tecnicalidades: os aspectos técnicos dos āsana-s foram meticulosamente observados pelos Iyengars, pelos professores e estudantes de Yoga Iyengar, de forma que “Ao estudante é dado acesso ao corpo, que está além do corpo esquelético e muscular periférico. (…)

Essas penetrações são muito, muito profundas e muito amplas. O propósito psicomental, o propósito é atingir a consciência com os āsana-s e isso requer penetração; penetração requer complexidade; complexidade requer tecnicalidade. (…) Portanto, as complexidades técnicas, que são parte de nosso sistema, auxiliam a penetrar e atingir o propósito dos āsana-s, os benefícios psicológicos e mentais dos āsana-s, os benefícios no plano da consciência nos āsana-s. (…)

As complexidades técnicas em nosso sistema são apenas para nos prover um portão de acesso para interpenetrações, penetrações internas. Elas expandem as avenidas e abrem os canais para prosseguirmos a partir da camada periférica do corpo físico e descobrirmos a gloriosa mente interna – para finalmente alcançar o propósito psicomental dos āsana-s. Todas essas coisas estão diretamente conectadas e dizem respeito a citta vṛtti nirodha – a cultivar a mente, a restringir a mente, a sublimar a mente. As penetrações do Guruji nos ajudam a fazer uma jornada para dentro em direção ao reino das práticas adhyātmic. (p. 6 a 8)

  • Sequenciamento dos āsana-s:

“Em todos os outros sistemas qualquer āsana pode ser feito antes ou depois de qualquer āsana. O engano é que há até um conceito ridículo de contra āsana ou contra postura. O āsana contrário não irá tornar perigosas as práticas, que são periféricas e não refinadas, na medida em que elas não produzem nenhum cultivo mental. Entretanto, o contra āsana pode ser muito, muito contra producente quando os āsanas são feitos com tremendo envolvimento e complexidade. Eles podem subverter o desenvolvimento psicomental efetuado pelo āsana precedente. Obviamente, em nossas complexas práticas, definitivamente cultivamos a mente e, portanto, temos de tomar cuidado com o que deve se seguir a um particular āsana. Ou o que deve se seguir a um particular conjunto de āsana-s.

Você experimentou como uma particular sequência de āsana-s lhe dá melhor complexidade nas tecnicalidades. O sequenciamento o ajuda a obter maiores penetrações. Auxilia também a explorar e descobrir a si mesmo. Mais importante de tudo, ajuda-o a desenvolver um estado psicomental, que é muito condutivo à psicologia do yoga. O estado da mente yogic é serena, quieta, sublime, sedada, clara, passiva. Esses atributos podem ser desenvolvidos com o sequenciamento das posturas. Podemos cultivar e modificar desejavelmente e sintonizar nossa mente com o auxílio sequenciamento.(…)

O sequenciamento ajuda-o a coletar e acumular benefícios dos āsanas. É por isso que, após o final de uma prática, ou depois do término de uma aula, você obtém um estado mental que é o resultado da execução da sequencia inteira de āsana-s e não de apenas um āsana.” (p. 8)

  • Tempo: a cronometragem ou a medida de tempo em um āsana:

Guruji entendeu que é com o aspecto da medida do tempo que se pode aperfeiçoar e concluir um processo. (…) O aspecto da cronometragem ajuda a construir, desenvolver e concretizar os efeitos dos āsanas. (…)

Esses três aspectos eram desconhecidos pelos outros sistemas. (…) Se o āsana tem de trabalhar para algum efeito psicomental, você certamente não pode esperar que os efeitos ocorram em um segundo ou dois, ou até em dezenas de segundos.

O aspecto da cronometragem no nosso sistema é para criar uma circulação dentro de nós que é peculiar àquele āsana. Isso é muito importante para a evolução da consciência ou para a alteração do estado da mente.

A medida de tempo não é somente agir sob o cronômetro (…). Cronometragem é a extensão de tempo no qual a postura é realizada metabolicamente, celularmente com todas as interações internas. (…) O metabolismo e não o seu cronômetro mantém o tempo! (…)” (p. 9/10)

 Marcia Neves Pinto

A INTERPRETAÇÃO PSICOLÓGICA DO KUNDALINI YOGA – C. G. JUNG

A INTERPRETAÇÃO PSICOLÓGICA DO KUNDALINI YOGA – C. G. JUNG (PARTE 1)

Jung Kandalini 

Estudo de Priscilla Wacker, publicado em 09/02/2012 no http://nemdeusesnemastronautas.blogspot.com.br

RESUMO

Esta monografia versa sobre os quatro seminários apresentados por Jung em 1932 nos encontros que realizava no Clube de Psicologia, em Zurique. Nesses seminários, intitulados “A Interpretação Psicológica do Kundalini Yoga”, Jung abordou o simbolismo do sistema de chakras do Kundalini Yoga, entendendo-o como uma espécie de intuição da consciência coletiva oriental sobre a existência e o funcionamento do sistema psíquico. Ou seja, Jung enxerga no Kundalini Yoga uma intuição de sua própria teoria, e no despertar da kundalini, o iniciar do processo de individuação. Jung discorre sobre esse processo (do despertar da kundalini), amplificando seus símbolos através de mitos e imagens.

No presente trabalho, busco fazer uma releitura crítica dos pensamentos de Jung a respeito desse tema, com o intuito de renová-los e reposicioná-los dentro de uma perspectiva atual.

Palavras Chave: Psicologia Analítica, Kundalini Yoga, Chakra, Individuação.

Introdução

Há cinco anos venho intensificando meu contato com o Yoga e, muitas vezes, fiquei impressionada com as correlações que poderia fazer com a Psicologia Analítica. Permaneci circundando o tema por muito tempo, sem conseguir encontrar uma ponta que pudesse desfiar para traçar paralelos com os estudos de Jung a respeito do Yoga. Finalmente, vencida pelo cansaço, desisti de me ocupar desta questão, e só voltei a pensar nela após uma viagem de 40 dias à Índia. Através do contato impactante com este país, pude experienciar o quanto o caldo cultural atua na formação do ser, na interpretação das experiências vividas, no estabelecimento dos referenciais de si mesmo e do mundo.

Seria então possível tentar estabelecer pontes entre uma forma ocidental e uma oriental de enxergar o ser humano?

Em vários momentos, Jung pergunta se deveríamos nos aprofundar nas técnicas e conhecimentos estrangeiros a nós, ou se o mais eficiente seria nos concentrarmos em nossos próprios sistemas de crenças e de conhecimento. Para ele, ao nos desenvolvermos psiquicamente com referências ambientais, culturais, religiosas, familiares etc. relacionadas ao Ocidente, enraizamo-nos em solo ocidental e, assim, não seríamos capazes de assimilar, e de sermos transformados de fato, pelas verdades do Oriente, e vice-versa?

Tal questionamento se manteve presente em muitas obras de Jung a respeito do Oriente. Ao longo deste trabalho, cito algumas delas.

Durante minha estadia na Índia fui fortemente tocada pelo estrangeiro, pelo outro estranho a mim; e desta forma, pude compreender melhor as reflexões de Jung a respeito de se entregar, ou de ser absorvido, por um sistema cultural diferente.

Se realizada de forma inconsciente, essa imersão em outra cultura poderia levar, na concepção de Jung, a consequências desastrosas para o corpo e/ou psique. Em suas memórias (Jung, 1964), comentou o caso de seu amigo Richard Wilhelm, que, ainda jovem, imergiu na cultura chinesa, sendo totalmente impregnado pelo ponto de vista oriental. Quando retornou à Europa, Wilhelm voltou a sentir as necessidades do espírito europeu, o que lhe gerou um conflito psíquico grave, que Jung associou ao seu falecimento anos depois:

Essa mudança de Wilhelm e sua reassimilação do Ocidente pareceram-me um pouco irrefletidas e, portanto, perigosas. Temia que ele se encaminhasse para um estado de conflito consigo mesmo. Ao que me parecia, tratava-se de uma assimilação passiva, isto é, ele havia sucumbido à influência do meio; havia, pois, o risco de um conflito relativamente inconsciente, de um choque entre a alma Ocidental e a Oriental. Ocorrendo um processo desse tipo, sem que haja uma confrontação consciente profunda, há o risco de um conflito inconsciente que pode também afetar gravemente a saúde do corpo… (Jung, 1964, p. 328).

Da mesma forma, antropólogos ou profissionais de saúde mental que trabalham com psiquiatria étnica reconhecem o quanto pode ser desestruturante o choque entre sistemas culturais diferentes. Há relatos de pessoas (brancos) que, ao permanecerem por longos períodos em tribos indígenas, precisaram de socorro médico por sucumbir a uma vivência paranoica. Provavelmente, a experiência indígena com seus espíritos e rituais, fragilizou o sistema egóico desses indivíduos, que não é adaptado a essa forma de realidade. De modo inverso, sabe-se da desestabilização que o álcool, introduzido aos índios de uma forma não ritualística pelo homem branco, promoveu na estrutura da sociedade tribal indígena.

Observando-se então, a complexidade de se aventurar em outro continente, retorno às minhas próprias reflexões sobre os indianos. Eles se diferenciam de nós (ocidentais) em muitas questões; no tocante à forma de se vestir, de comer, de se expressar, de reagir, de relacionar-se com o humano e com o divino, com a realidade e a fantasia. Até mesmo sua linguagem corporal é diferente; mexem a cabeça com bastante frequência, num movimento regular de translação lateral. Não tenho certeza do significado de tal gesto, mas transmite uma tentativa de cooperação, podendo dizer sim, não ou talvez. Aliás, essa cooperação, essa abertura para o outro desconhecido, mesmo que, muitas vezes, com o intuito de obter vantagens, é evidentemente oposta à atitude ocidental, fechada em relação a esse outro.

As reações dos indianos, suas respostas, sua forma de viver a vida são tão diferentes das minhas e das pessoas com quem convivo que, como médica, comecei a formular hipóteses sobre possíveis diferenças biológicas. Será que com estímulos tão diversos dos nossos, seus cérebros também não podem funcionar, em níveis mais sutis,  de uma forma diferente? Sabe-se que após o nascimento, o cérebro ainda não está inteiramente formado, tem apenas um terço do volume que alcançará um dia, e a comunicação neuronal, que se faz do ponto de vista anatômico via sinapses (estruturas que conectam axônios e dendritos formando uma rede neuronal), também se encontra em desenvolvimento (Kandel, 2001). Será que este desenvolvimento não poderia se orientar de forma diferente, privilegiando ou negligenciando outros grupos neuronais? Será que análises do funcionamento cerebral, com técnicas de mapeamento por meio de ressonâncias magnéticas funcionais [Ressonância Magnética Funcional é uma técnica de exame de imagem em que não somente a anatomia macroscópica cerebral é visualizada, mas também as regiões cerebrais que estão utilizando mais oxigênio ou glicose. Dessa forma, podemos observar quais regiões estão reagindo mais ou menos aos estímulos estabelecidos pelo examinador, sejam eles fotos, sons, palavras, cheiros, emoções…] e testagens neuropsicológicas [A neuropsicologia é uma interface ou aplicação da psicologia e da neurologia que estuda as relações entre o cérebro e o comportamento humano. Dedica-se a investigar como diferentes lesões causam déficits em diversas áreas da cognição. Para isso, faz uso de Testes Neuropsicológicos que avaliam, identificam e detectam a integridade das funções nervosas superiores (Atenção, Consciência, Memória, Linguagem e Cognição), através do exame de processos lógicos e de linguagem. http://pt.wikipedia.org/wiki/Neuropsicologia (acesso em dezembro de 2010).]
Tais especulações médicas e técnicas invadiram meus pensamentos quando ainda estava na Índia, e as compartilho aqui para exemplificar características do pensamento ocidental. De um modo geral, nos parece mais natural e reconfortante acreditar e incorporar o novo quando podemos explicá-lo no “mundo concreto”. Assim, se alguns dos caminhos neuronais dos orientais fossem diferentes dos nossos, como uma técnica deles poderia “caber” em nós? Não apresentariam padrões diferentes daqueles encontrados entre possíveis voluntários ocidentais?

Tais especulações médicas e técnicas invadiram meus pensamentos quando ainda estava na Índia, e as compartilho aqui para exemplificar características do pensamento ocidental. De um modo geral, nos parece mais natural e reconfortante acreditar e incorporar o novo quando podemos explicá-lo no “mundo concreto”. Assim, se alguns dos caminhos neuronais dos orientais fossem diferentes dos nossos, como uma técnica deles poderia “caber” em nós? Não apresentariam padrões diferentes daqueles encontrados entre possíveis voluntários ocidentais?

Para Jung (apud Aion, 1990, p.273):

Não se pode comparar a evolução histórica do espírito Ocidental com a do espírito indiano. Por isso, quem acredita que pode assumir diretamente certas formas conceituais do Oriente, desenraiza-se, pois estas formas não exprimem o passado Ocidental; são simplesmente conceitos teóricos e sem sangue, incapazes de fazerem vibrar as cordas profundas do nosso ser. Nossas raízes mergulham em solo cristão.

Para Hauer (apud Shamdasani,1996,p.xIii)

Esta questão, do quanto e em qual extensão o caminho de salvação do Oriente é válido para o homem Ocidental, continua em suspenso e me preocupa seriamente. Não seria um erro e até perigoso se o homem Ocidental se dedicasse ao Yoga para obter a salvação? Por que esse homem não adere às pesquisas cientificas, a reflexões filosóficas da maneira Ocidental, como um caminho de salvação? Será que o Ocidental não tem seu próprio caminho místico que o leve ao encontro de si mesmo, que seria de mais utilidade para ele do que o Yoga? Por que a Psicologia Profunda e a Psicoterapia em desenvolvimento não seriam suficientes para isso? Será que, de fato, precisamos de um novo impulso do Oriente?
Apesar de entender e, até certo ponto, aceitar as observações de Jung sobre a não validade prática dos caminhos do Oriente para um ocidental, sentia em mim mesma os efeitos do Yoga; tanto do Hatha Yoga, que pratico há cinco anos, quanto do Kundalini Yoga, que pratiquei por apenas seis meses.

Através da prática do Hatha Yoga, pude, aos poucos, acalmar minha mente, alcançando mínimos momentos de “silêncio”. Quando esta se “calava”, parecia haver espaço para “sons” de outros lugares, minha consciência era então tocada por imagens, emoções e até sensações físicas antes silenciadas pelo “alto volume” da mente. Esses novos “sons” podiam então ser reelaborados e integrados pela consciência.

Relato aqui uma dessas experiências para proporcionar ao leitor uma maior clareza sobre o que procuro descrever: após uma prática na qual alcancei um grau maior de silenciamento da mente, entrei em contato com a imagem de uma mulher que percebi ser minha mãe. Ela segurava um cartaz com letras grandes escritas: “EU TE ENTENDI!”. Não pretendo aqui dissecar a simbologia dessa imagem por não ser esse o objetivo deste estudo, mas busco demonstrar que através da prática do Yoga, me foi possível, e é para muitas outras pessoas que vivem experiências similares, entrar em contato com material inconsciente. O acesso da consciência às imagens inconscientes é um mecanismo psíquico natural, compartilhado por todos nós, e que tem sido utilizado desde tempos ancestrais, por povos diferentes, de maneiras diversas, com intuitos diferentes… Portanto, é um processo natural do psiquismo humano.

Essa profunda vivência poderia ser trabalhada com o uso da Imaginação Ativa, processo descrito por Jung em 1916 (Jung, 2000, v. VIII), no qual o indivíduo deve concentrar-se em um ponto específico (o material de um sonho, ou no caso acima descrito a própria imagem), e, em seguida, permitir que uma cadeia de fantasias associadas se desenvolva. As imagens, aos poucos, “ganham” vida de acordo com uma lógica própria, criando cenas que suscitam emoções e que podem, então, ser elaboradas pelo ego consciente. Este deve participar ativa e criativamente da cena, gerando uma nova situação psicológica que pode estimular a cura de uma neurose. No entanto, a questão central neste momento não é a Imaginação Ativa, mas sim o fato de que uma técnica oriental (a prática do Yoga) foi capaz de “vibrar cordas profundas do meu ser…”. Desta forma, discordo de Jung sobre a não validade prática do Yoga para um ocidental, tema que será mais profundamente discutido no decorrer deste trabalho.

Acredito que a forma de se estimular o sistema psíquico varia de método para método, mas a reação desse sistema (neste caso, a de promover uma comunicação entre consciência e inconsciente) deveria ser a mesma, se confiarmos na base arquetípica da teoria junguiana. Assim, teoricamente, imagino ser possível a um ocidental caminhar em direção à individuação através do Yoga, no entanto, talvez cada indivíduo seja mais ou menos tocado por uma ou outra técnica, dependendo de sua estruturação egóica, de seus mecanismos de defesa, dos traumas vividos, de sua tipologia, de seu momento de vida, e etc. E por que não acrescentar como uma hipótese a ser refletida, que, possivelmente, técnicas diversas toquem de formas diferentes as estruturas egóicas defensivas, com isso, o ego teria que fazer um esforço novo para tentar impedir a entrada desses novos conteúdos, podendo com essa nova reação desestabilizar suas defesas, e na sua reestruturação acabar por integrar partes destes conteúdos. É importante ressaltar, que para que isso ocorra é necessário um ego saudável e flexível, pois um ego frágil, enrijecido poderia quebrar frente a esta necessidade de reestruturação.

GERENCIANDO O ESTRESSE COM A RESPIRAÇÃO

 GERENCIANDO O ESTRESSE COM A RESPIRAÇÃO

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Dando continuidade ao ponto de encontro entre a ciência moderna ocidental e a ciência milenar oriental, vemos que, embora a ideia de que existem no homem diferentes formas de energia seja bastante recente nas ciências humanas e biológicas no Ocidente, no Oriente é bastante antiga, conforme se pode ver na tabela abaixo:

[1]

Prana, em sânscrito, significa energia. Pranayama, palavra composta de prana (energia) + ayama (criação, distribuição e manutenção), significa, então, não somente respirar, mas “a ciência da respiração, que leva à criação, distribuição e manutenção da energia vital.”[2]

“O mecanismo respiratório é, sem dúvida, o que está mais intimamente ligado às emoções. Pessoas com raiva têm respiração rápida, com predominância inspiratória e torácica, enquanto pessoas que estão calmas têm respiração lenta, com predominância abdominal e expiratória. As técnicas de Hatha Yoga para que consigamos modificar nosso estado emocional pela respiração chama-se pranayamas. Essa foi a grande ‘sacada’ dos antigos yogis: o mecanismo respiratório tem este duplo comando – pode ser voluntário ou automático, e é o canal de acesso mais direto para as emoções.”[3]

“O interesse do iogue é manter a cabeça e o coração limpos por meio da harmonia da respiração, e isso é alcançado com a prática dos pranayamas.”[4]

“Em termos filosóficos, a inspiração é o movimento executado pelo eu para entrar em contato com a periferia: a essência do ser se move com a respiração e atinge a camada mais profunda da pele – a derradeira fronteira do corpo. Esse é o processo evolutivo de exteriorização da alma. A expiração é a viagem de retorno; é o processo de involução, por meio do qual o corpo, as células e a inteligência se movem para dentro, para alcançar sua origem, o atma, ou cerne do ser. Esse processo de evolução e involução que ocorrem em cada indivíduo é pranayama.

Nesse sentido, em cada ciclo de respiração, temos dois caminhos para atingir o entendimento da existência de Deus. Eles são conhecidos como pravrtti-marga, o caminho da criação, e nivrtti-marga, o caminho da renúncia. Pravrtti-marga está na inspiração e nivrtti-marga, na expiração. Com base nessa filosofia, os iogues são treinados para alcançar o equilíbrio entre ambos os estados. Dessa forma, abhyasa, a prática, e vairagya, a renúncia, são reunidos de modo coeso na prática do kumbhaka, que geralmente é traduzido como retenção.

Kumbhaka é a retenção da respiração, da inteligência e do eu. (…) No kumbhaka, o si mesmo se torna um com o corpo, e o corpo se torna um com o si mesmo. É a divina união de corpo e mente, na inspiração, expiração e retenção.

Se você considerar a respiração na forma do sistema respiratório, é algo físico. Mas quando a ação da respiração sobre a mente é estudada e compreendida, torna-se espiritual. O pranayama é a ponte entre o físico e o espiritual. O pranayama é o ponto central do ioga.”[5]

Há cerca de 2.500 anos Patanjali escreveu seu Yoga Sutras, texto que contém 196 sutras ou aforismos, que oferecem um método completo para o indivíduo se desenvolver e alcançar a união interior. Nos dois primeiros sutras Patanjali afirma que quando a mente se aquieta, o eu repousa em sua morada. Mas quando a mente não está quieta, está divagando, está voltada para o exterior, o eu não consegue repousar em sua morada, isto é, o indivíduo não experimenta a essência de seu ser ou, em outras palavras, não está em contato com seu self.

Patanjali descreve vários métodos para aquietar as flutuações da mente, adaptando-os às diferentes capacidades e níveis de desenvolvimento dos indivíduos, de modo que todos quantos praticam yoga podem alcançar a integração entre corpo, mente e alma. Uma dela é pranayama.

Prana significa energia. Energia cósmica, energia individual, energia sexual, energia intelectual (…). O prana é universal. Permeia o indivíduo como também o universo, em todos os níveis. Tudo que vibra é prana: calor, luz, gravidade, magnetismo, vigor, poder, vitalidade, vida, eletricidade, respiração, espírito – todos são formas de prana.[6] E como já dito, prana é energia, ayama é a armazenagem e a distribuição dessa energia, que tem três aspectos: extensão vertical, extensão horizontal e extensão circunferencial.

O pranayama é o elo de ligação entre o organismo fisiológico do homem e sua dimensão espiritual. Se conseguirmos controlar a respiração, poderemos controlar a mente e vice-versa. O sutra II.50 do Yoga Sutras de Patanjali explica que a inspiração (puraka), a expiração (rechaka) e a retenção (kumbhaka) da respiração têm de ser tornadas exatas, isto é, a respiração tem de ser regulada e tornar-se precisa no tempo, no espaço e em número. A extensão da inspiração, expiração e retenção deve ser a mesma; inspiração e expiração devem ser prolongadas, suaves e ininterruptas. A retenção ou suspensão da respiração pode se dar na inspiração ou na expiração, sem perturbar o corpo.

A princípio, o pranayama custa algum esforço, e só quando se torna suave é que chegamos a dominá-lo. “O pranayama está na fronteira entre os mundos material e espiritual, e o diafragma é o ponto de encontro dos planos fisiológico e espiritual de seu corpo. Se, quando você segura a respiração, sua mente se desconcentra depois de um certo tempo, isso não é kumbhaka. (…) Kumbhaka não é segurar o fôlego, é reter energia. Kumbhaka é realizar a própria essência do ser (…).

O Hatha Yoga Pradipika diz que você, conscientemente, chega a experimentar esse estado de união com o eu por meio de pranayamas. Quando você é uno em seu íntimo, torna-se rei entre os homens.” [7].

“Se a mente estiver divagando, faça uma expiração lenta e suave, mantendo-a por alguns instantes. Deixe sua consciência fluir com a respiração. Então as flutuações cessarão. Você alcança a união da mente, e a dualidade até então presente desaparece. Agora sua mente está apta a meditar.

Quando você inspira, o eu entra em contato com o corpo. Por isso, a inspiração é a evolução da alma através do corpo, é o hálito cósmico espiritual entrando em contato com a respiração individual.

Do ponto de vista da saúde física, a expiração é a remoção das toxinas existentes no sistema. Do psicológico, aquieta a mente. Do espiritual, é a respiração individual entrando em contato com o hálito cósmico exterior para que se unam.

A expiração é a rendição do nosso ego. Não é a expulsão de ar, mas a expulsão do ego em forma de ar. Na expiração, você se torna humilde, na inspiração vem o orgulho. (…) Aprender o pranayama é aprender e entender o movimento do apego ao desapego, do desapego ao apego.”[8]

Marcia Neves Pinto

 


[1] Harbans Lal Arora e outros, Terapias Quânticas – Cuidando do ser Inteiro, Ed. Qualitymark, RJ, 2008, p. 24.

[2] B. K. S. Iyengar, A Árvore do Ioga, Ed. Globo, 4ª reimpressão, 2009, SP, p. 97.

[3] Marcos Rojo; Mão Dupla, artigo publicado no Yoga Journal, junho/julho 2011, p. 30.

[4] B. K. S. Iyengar, A Árvore do Ioga, p. 99.

[5] B. K. S. Iyengar, A Árvore do Ioga, p. 100/101.

[6] B. K. S. Iyengar, A Árvore do Ioga, p. 179.

[7] B. K. S. Iyengar, A Árvore do Ioga, p. 186.

[8]B. K. S. Iyengar, A Árvore do Ioga, p. 187.

~ Ingredients of Success

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How much Domain Knowledge and Soft skills plays role in success ? Watch this influential and interesting discussion about how “technology of spirituality” benefits to be successful in life. What are three Gunas (qualities) i.e. Tamas (resistance to action, template for inertia),  Rajas (responsible for motion, energy and preservation) and Sattva (purity/goodness) mentioned in the Vedic philosophy . Learn  from Mr. Khursheed Bataliwala (Bawa), an Art of Living Teacher, how we can be successful and live healthy life by balancing these 3 Gunas properly.  Mr. Bawa along with his partner Mr. Dinesh Ghodke has given many inspiring talks called “Knowledge Sheet” about important things we should focus in life (search title at  play list here ).

Interesting definitions/tips that were discussed in talk:

  • Success   is “Balancing the Tamas & Rajas Gunas..and increasing the Sattva Guna!
  •   SpiritualityGetting (pursuing) to be excellent, getting to realize your dreams but at the same time not getting stressed out and…

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Charlottesville and Allied Yoga Revisited — March 2013

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